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fonte_danielcastroAutor de Em Família, Manoel Carlos estaria sem escrever a novela há pelo menos três semanas. Maria Carolina, filha e principal colaboradora de Manoel Carlos desde a saída de Marcelo Saback, estaria à frente dos trabalhos de roteirização da novela, que acaba em 18 de julho.

O autor estaria apenas supervisionando tolerando algumas mudanças que teriam sido impostas pela cúpula da emissora. A Globo nega. Diz que Maneco, como ele é chamado, “está ótimo e escrevendo, como sempre”, “embaladíssimo no desfecho das histórias de Em Família, e bem satisfeito com a curva ascendente de audiência da novela nas últimas semanas”. Numa operação para “abafar” o caso, a Globo comunicou aos atores e técnicos da novela, na última segunda-feira, de que a notícia do suposto afastamento, publicada na véspera pelo jornal O Dia, do Rio de Janeiro, não “procedia”. A negativa da Globo, no entanto, não cessou o rumor nos bastidores de uma novela marcada por crises, baixas e profissionais descontentes. Atores mais experientes e noveleiros mais atentos percebem que o texto de Em Família está diferente, não parece ser uma novela de Manoel Carlos em alguns momentos e aspectos. O andamento da novela mudou nos últimos capítulos. As cenas estão mais curtas e mais sensualizadas.

Mudanças bruscas e cenas de ação

Manoel Carlos ganhou fama pela habilidade de retratar dramas realistas, urbanos e contemporâneos. Em Família, está perdendo a coerência. Desde o começo da trama, o autor sempre foi fiel ao perfil de cada personagem. As mudanças eram muito sutis. De repente, Helena (Julia Lemmertz) vira uma mulher fatal, com direito a striptease. Para decepção da torcida, um dos casais mais populares da história, o romance entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), finalmente acontece, mas o público só vai ver o primeiro beijo no final. Algumas tramas paralelas estão passando por grandes viradas. André (Bruno Gissoni) de repente passa a gostar de Bárbara (Polliana Aleixo). Alice (Erika Januza) vira policial. Jairo (Marcello Melo Jr.), que queria vida boa, larga tudo e vai morar na favela.

Cena de capítulo da semana passada: Helena, do nada, resolveu virar fêmea fatal

Em Família também ganhou cenas de ação, o que teria sido um “pedido” da direção da emissora numa tentativa de melhorar a audiência, na casa dos 30 pontos na Grande São Paulo. Após lutar contra um bandido armado numa aula para gestantes, Jairo, o novo herói, vai ver o barraco em que mora pegar fogo com a filha, Bia, dentro. No começo da próxima semana, Alice (Erika Januza) e Luiza (Bruna Marquezine) serão feitas reféns. Marina e Vanessa (Maria Eduarda de Carvalho) vão brigar com unhadas e puxões de cabelo. Essas movimentações têm justificado as desconfianças de atentos observadores do Projac, a central de estúdios da Globo no Rio de Janeiro. Atores que já trabalharam com Maneco sentem que esse texto não é dele. Nos bastidores da próxima novela das nove, Império, a preocupação é grande. A estreia já foi antecipada duas vezes, a última para 21 de julho. Uma terceira antecipação poderia ser problemática, porque as gravações não estão adiantadas. E ninguém quer estrear no dia depois da final da Copa. Pode ser um dia de ressaca nacional.

Novela mais curta em 30 anos

Com 143 capítulos, Em Família será a novela das oito/nove mais curta da desde 1983, quando Sol de Verão teve seu término antecipado por causa da morte do ator Jardel Filho, um dos protagonistas. A trama foi encerrada com 137 episódios. A média de uma novela das nove é entre 180 e 200 capítulos. Amor à Vida, a última, teve 221. Em Família terá 143 capítulos exibidos, mas, de fato, serão escritos menos: 134, número que ainda pode ser reduzido. Isso porque, devido à falta de texto para gravar, capítulos foram alterados na edição, e cinco viraram seis em algumas semanas.

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