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Eleições 2016: “Não tenho como bater na porta do povo pedindo votos pro PT”, diz Nelson de Vivi

Vereador concedeu entrevista, horas antes de saber que seria expulso pelo PCdoB, conforme declarou nesta quinta-feira o deputado Fabrício Falcão, ao anunciar apoio ao candidato Zé Raimundo, neste 2º Turno.

fonte_blogdomarcelo| Blog do Fábio Sena

O deputado estadual Fabrício Falcão afirmou agora à tarde que os vereadores Nelson de Vivi e Joaquim Libarino serão expulsos do PCdoB por descumprirem orientação do partido.

A diretriz definiu, doze dias depois do primeiro turno da eleição, pelo apoio ao candidato do Partido dos Trabalhadores, Zé Raimundo. No mesmo dia, pela manhã, em foto com dedo em “V” de vitória, tanto Nelson quanto Libarino celebravam e mandavam publicizar o apoio a Herzem Gusmão, do PMDB. Pelo visto, a medida duríssima do partido não comoveu Nelson de Vivi. Nesta entrevista via whatsapp ao Blog do Fábio Sena, o parlamentar esclarece as razões pelas quais não aceitou a orientação do partido e afirmou que sua postura é de profunda coerência com os episódios recentes envolvendo o PT e o PCdoB. Nelson de Vivi argumenta que, no governo municipal, o PT teve como tradição desprezar os aliados e que até fogos de artifício teriam ameaçado soltar quando os comunistas se despediram do governo.

“Isso é coisa de aliado?”, reclama Nelson, que dedica boa parte da conversa a críticas ao prefeito Guilherme Menezes e ao próprio deputado Zé Raimundo. O primeiro, segundo ele, porque “massacrou o quanto pode a Câmara e o PCdoB, se recusou a conversar com os vereadores e com o partido, tratava mal, governava só para os seus aliados mais próximos, os amigos, e foi um governo muito ruim para Vitória da Conquista”. No caso de Zé Raimundo, a crítica não é pela ação, mas pela omissão: “Que dia foi que ele esteve em Conquista discutindo política nesse tempo todo? Eu mesmo posso dizer que nunca vi. Nunca procurou o deputado Fabrício pra discutir uma aliança, nunca demonstrou que discordava, que era contra as práticas do prefeito, que é do partido dele”. Abaixo, a íntegra da entrevista com Nelson de Vivi:

BLOG DO FÁBIO SENA: Vereador, você e seu colega de partido Joaquim Libarino resolveram não seguir orientação do PCdoB, que definiu pelo apoio ao PT, e manifestaram apoio ao candidato da oposição, Herzem Gusmão. Qual o motivo para não caminhar segundo o partido?
NELSON DE VIVI: Pois é, Fábio. É verdade. Não posso falar em nome do vereador Joaquim Libarino, que deve ter suas razões para caminhar como bem entendeu, mas posso dizer para Vitória da Conquista, que me conhece, que conhece a história do meu pai, o vereador Vivi Mendes, que coerência é tudo na política. eu até entenderia, por exemplo, se o meu partido tivesse tomando uma posição neutra, como fizeram inclusive outros partidos, que deixaram seus filiados livres para andar como melhor lhe parecesse. Acho que seria o mais acertado num segundo turno como este. Travamos várias batalhas contra o governo do PT, que nunca admitia, nunca quis permitir o crescimento de nenhum outro partido. O prefeito atual, por exemplo, massacrou o quanto pode a Câmara e o PCdoB, se recusou a conversar com os vereadores e com o partido, tratava mal, governava só para seus aliados mais próximos, os amigos, e foi um governo muito ruim para Vitória da Conquista. Muito ruim o que Guilherme fez com a zona rural, abandonou as estradas, escolas em situação lastimável… Tem escola aí, Fábio Sena, que dá pena de ver um aluno ali dentro, uma coisa que não dá nem para falar. Então, veja, o partido resolveu ter vida própria e saiu da administração, demorou de sair mas saiu, por mim tinha saído há muito mais tempo, mas respeitei o prazo do partido e comemorei quando saímos da base daquele governo. Fomos para uma eleição duríssima, com um bom candidato, que é o deputado Fabrício, um homem sério, digno, mas a gente não tinha tempo de televisão, não tinha a máquina do governo municipal, e nem a máquina do Governo Rui Costa, que só funcionou para o candidato Zé Raimundo, do PT. Inclusive o próprio Fabrício reclamou disso no seu blog e eu aplaudi a postura dele, porque era uma descaração ter dois deputados da base de sustentação do governo estadual e o governo vir aqui para constranger um aliado, porque aquilo pra mim não foi outra coisa; despejar propaganda do governo do Estado em Conquista, inaugurar UPA de quatro anos de espera, depois entrar na propaganda de televisão vendendo facilidades, prometendo água pro povo. Aquilo tudo foi uma vergonha. Então, o nosso próprio candidato Fabrício foi muito duro com o PT, com o prefeito atual, falou o que era para ser dito. Chega o segundo turno, eu vi pelas conversas que a tendência do partido era fechar apoio para o PT, que foi o mesmo partido que quis aniquilar nós todos do PCdoB, que nunca chamou o PCdoB pra governar. Agora veja, Fábio Sena, com todo respeito que tenho ao ex-prefeito José Raimundo Fontes, que é um homem honrado, que dia foi que ele esteve em Conquista discutindo política nesse tempo todo? Eu mesmo posso dizer que não vi. Nunca procurou o deputado Fabrício pra discutir uma aliança, nunca demonstrou que discordava, que era contra as práticas do prefeito, que é do partido dele. Então, claro que esta decisão não foi só minha, conversei muito com meu pai, que é um homem de muita experiência na política há muitas décadas, conheceu quase todos os prefeitos desta cidade, e decidimos que o mais coerente, já que não concordamos com o governo do PT, é enxergar o que o povo quer. E o que povo quer, Fábio Sena? O que foi que ficou muito claro nas urnas? O povo pediu mudança, o povo não quer mais o PT.

Mas como foi a conversa com Fabrício sobre isto? Hoje ele disse que tanto você como Libarino serão expulsos porque o PCdoB deve ter unidade.
De minha parte, palavra dada, vou pedir votos pra Herzem, vou correr atrás dos votos na zona rural. Não volto atrás. Acho que não pode dizer que este vereador está sendo incoerente, porque o próprio deputado Fabrício sempre deixou bem claro que a relação com o PT é uma relação na qual o PT só quer ganhar e não quer crescer os aliados. Nesses vinte anos foi assim. O PT, os filiados, quando estão no governo, nunca olham para os aliados, nunca dão folga pra gente participar do governo. O prefeito atual mesmo nunca conversou com Fabrício, nunca fez uma visita lá na Assembleia Legislativa, e isso é o governo inteiro. Quando saímos do governo no ano passado, até fogos quiserem soltar. Isso é tipo de aliado? Olha, Fábio Sena, se o PT tivesse bem hoje, nem pra conversar ele chamaria o PCdoB. Só está correndo atrás, com esta humildade, porque a população não aguenta mais esse feijão com arroz. Então, eu estou seguindo minha cabeça e tô vendo como foi o relacionamento do PCdoB com o governo nos anos todos que fui vereador. O prefeito Guilherme lutou contra todos, segurava as emendas dos vereadores. Até Florisvaldo, que é um vereador sério e é do próprio partido do prefeito, sabe que tô falando a verdade. Então, resolvi apoiar Herzem e não volto atrás. Se o caminho é a expulsão, eu acho que é incoerente, mas fiquem à vontade. Estou com minha consciência limpa de que fui um vereador que honrou todas as bandeiras do partido, nunca dei pra trás. Segui à risca tudo que era decidido, mas realmente nem eu nem minha base tem como bater na porta do povão pedindo votos pro PT. O povo nem recebe mais, Fábio Sena. Uma revolta de norte a norte. Eu acho que o certo era o partido não apoiar ninguém, mas estão alegando uma tal de coerência histórica, eu não sei que coerência histórica é essa de ficar com um partido que só quer maltratar os próprios aliados.

Então, neste caso, isto significa um rompimento com o mandato do deputado Fabrício?
Só se ele quiser. Aí quem tem que falar é o deputado. De minha parte, tenho o maior carinho por ele, é um político íntegro, um homem sério, comprometido, trabalhador, nunca falhou na palavra e ajudou muito nossa região, com muitos projetos. O que posso dizer é que nesta eleição, neste segundo turno, a gente não tem como acompanhar esta decisão do partido, não tem nem como pedir esse voto na comunidade.

O seu pai, o ex-vereador Vivi Mendes, já havia decidido apoiar Herzem Gusmão desde o ano passado. Qual o peso político dele nessa sua decisão?
Um ‘véi Vivi’ é um homem de mais oitenta anos e conhece política na palma da mão, Fábio Sena. É um homem dos mais sérios que você pode conhecer, vive no canto da roça labutando em defesa do povo e nunca arredou o pé dessa luta. Então, é claro que ele teve um peso grande nessa decisão, e eu fui mesmo consultar meu pai, e depois acabei conversando também com pessoas que sempre acompanharam a gente no mandato, com meus irmãos, falei bastante nos trechos que a gente andou. E era assim unanimidade que a gente deveria sair de perto do PT, que o melhor era caminhar na direção do candidato Herzem Gusmão, que é uma pessoa muito séria, honrada. Tive com ele algumas vezes e sempre foram conversas muito positivas. Tem uma coisa que eu acho que Conquista precisa e Herzem vai fazer, que é criar as subprefeituras na zona rural, chegando o governo mais perto do povo, ouvindo aquele camarada que mora lá na roça e que tem que sair de madrugada pra resolver problema em Conquista.

E sobre as eleições municipais, os resultados, o que você espera para o dia 30?
Fábio Sena, o povo só fala em mudança. Não tem um lugar nesta Conquista inteira, nessas roças tudo, nos bairros, o sentimento é só este mesmo. O povo cansou do PT, desse governo, e eu acho muito difícil reverter esse quadro. Os últimos oito anos foram um desastre, um governo muito ruim, um prefeito fechado, sem diálogo com a população, não recebe vereador, não arruma as estradas. A zona rural, as estradas estão uma lástima, uma coisa triste. Ninguém aguenta mais. E olhe que eu ando nessas estradas todos os dias, conheço de perto e sei do que tô falando. É uma lástima mesmo, uma falta de respeito com o homem do campo. E é a cidade toda. Um governo que não fiscaliza as empresas de ônibus, as empresas não cumprem nada do contrato e fica por isso mesmo, o secretário não fiscaliza. Então, eu só consigo enxergar como resultado a vitória da Herzem e o fim do ciclo do PT na cidade, que teve coisas boas, mas nos últimos dois governos foi só perda e retrocesso pra nossa cidade. (Foto: Blog do Marcelo)

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