Vítima, um ex-patrão da suspeita, foi encontrada com uma venda nos olhos, mordaça e estava amarrada no porta-malas de um carro na garagem de um imóvel.

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A ex-miss Karina Reis é suspeita de ser a mentora do sequestro de um empresário registrado no fim de agosto em Curitiba. A modelo, moradora de Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba representado por ela no concurso, ficou entre as semifinalistas no Miss Paraná 2017 e acabou presa em flagrante. A moça tem 25 anos e não apenas conhecia o sequestrado como já havia trabalhado para ele. A vítima foi encontrada com uma venda nos olhos, mordaça e estava amarrada no porta-malas de um carro na garagem de um imóvel do bairro Jardim Botânico, na capital. Segundo as investigações, Karina teria convencido o namorado, soldado da Polícia Militar Janerson Gregório da Silva, a participar do crime. Ele também está preso, assim como a mãe, Sueli de Fátima Gregório da Silva. O delegado Cristiano Augusto Quintas dos Santos, do Tigre, o grupo da Polícia Civil especializado em sequestros, é quem detalha como o crime foi cometido.

“Ele vendia contratos e tinha por hábito ir até o cliente para assinar o contrato. Os sequestradores, se passando por interessados, marcaram o encontro. Ele foi até o local, se identificou e foi rendido pelos sequestradores armados”, explicou.

O crime teria sido planejado com base no que Karina sabia a respeito do empresário, ex-patrão dela, e a partir de informações divulgadas pela própria vítima nas redes sociais. O soldado atuava na Corporação desde 2013, estava lotado em um setor administrativo e foi preso no momento em que entrava no carro da vítima.

“A gente chegou na casa desse sequestrador e descobrimos que a vítima continuava amarrada e amordaçada na garagem da casa desse sequestrador. Aí então conseguimos fazer a liberação da vítima”, disse. Após ser libertada, a vítima, que preferiu não ser identificada, relatou os momentos de tensão pelos quais passou até ser encontrada pelos policiais. “Eles só falaram o tempo todo para eu ficar tranquilo e que aquilo era um sequestro e que eles queriam meu carro e dinheiro e eles estavam entrando em contato com a minha família. Mexeu com todo o psicológico porque é uma situação que você não está acostumado a viver, então foi algo que me deixou extremamente preocupado com minha vida e da minha família como um todo. Daqui para frente eu vou reposicionar e rever algumas coisas e viver uma nova vida com certeza. Uma nova oportunidade de vida”, desabafou.

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Karina já havia perdido o título de miss quando foi presa. Na página do concurso Miss Pinhais e Miss Broto Pinhais, uma postagem de 1º de julho informa o desligamento da jovem da chancela em razão de ela ter decidido participar de uma competição nacional de beleza representando a Ilha do Mel, no litoral do Estado. O delegado conta que o policial militar até tentou eximir a mãe e moça e do crime, mas que elas acabaram presas mesmo assim.

“Ele confessou a prática, ele disse que realmente pretendia tirar um dinheiro do sequestrado. E ele inocentou a mãe e a namorada dele, mas diante do conjunto de provas não tem como eximir tanto a mãe, que foi no mínimo conivente com a situação ali, muito provavelmente né, isso é o juiz que vai determinar, muito provavelmente ela sabia de tudo o que acontecia ali porque o rapaz estava amarrado no interior do veículo, e o veículo estava estacionado logo embaixo da janela do quarto dela”, explicou.

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Como resgate, o grupo teria pedido R$ 200 mil. O delegado Luiz Artigas, também do Tigre, ressalta que é importante evitar exposição em excesso principalmente nas redes sociais e destaca que, quando esse tipo de crime acontece, é essencial confiar no trabalho da polícia. “A família recebeu um pedido de resgate e nos procurou imediatamente, o que foi determinante no sucesso da investigação, o que nos permitiu trabalhar o caso desde bem o seu início. Com base nas informações prestadas pela família, no fato da família ter acreditado no trabalho da polícia e não ter pago o resgate, houve a possibilidade de resgatarmos o refém”, afirmou.

A polícia não descarta a hipótese de que Karina estivesse envolvida em outros crimes. Informações apuradas pela BandNews indicam que a moça havia mudado a rotina e vinha aparecendo com roupas, sapatos e bolsas de alto custo, e também tinha feito um implante de silicone nos seios – algo incompatível com o padrão de vida dela. A jovem, o namorado e a mãe dele estão no Complexo Penitenciário de Piraquara, na Grande Curitiba. Já o quarto suspeito, que teria ajudado a render a vítima, está em liberdade por ter se apresentado espontaneamente para prestar esclarecimentos quando já não havia mais situação de flagrante. A polícia até pediu a prisão dele, mas, até agora, a Justiça não concedeu a ordem.

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