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Bahia: Jovem acaba assassinada por amiga em jogo de ‘roleta-russa’, em Salvador

A arma usada, um revólver calibre 38, pertence ao pai da autora do disparo, que é policial militar aposentado. O pai teria prestado depoimento no mesmo dia do crime.

O risco de uma morte era iminente. Dias depois de apontar um revólver para um menino durante uma brincadeira, uma jovem acabou matando, com a mesma arma, a amiga, Darilane Lívia de Almeida Cunha, da mesma idade, na noite deste sábado (7), no bairro do Garcia, em Salvador. Darilane, segundo relatou sua família ao Correio, foi baleada na cabeça durante um jogo de azar conhecido como roleta russa – operação que consiste em deixar uma só bala no tambor de um revólver, fazê-lo girar, apontar o cano da arma para si ou para alguém. A arma usada, um revólver calibre 38 niquelado, pertencente ao pai da menina autora do disparo, um policial militar reformado, que não teve o nome divulgado.

O pai teria prestado depoimento na mesma noite do crime no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), e teria tido o revólver apreendido. “É uma dor tão grande que não sinto fome e sono. Não queira imaginar. Não queira estar no meu lugar”, disse a uma vizinha a avó de Darilane, Maria das Graças Santos da Costa, 55 anos. Segundo ela, as duas meninas dançavam no Largo Marquês de Olinda, no final de linha do Garcia, quando elas resolveram ir para a casa da filha do policial pouco depois das 19h30. “O que a gente sabe é o que se comenta, de que elas brincavam de roleta russa e que a menina apontou a arma para a cabeça de minha neta”, contou Maria das Graças.

As duas meninas estariam sozinhas na casa e, instantes depois do disparo, parentes do policial chegaram no local. “Eles trataram de impedir que nós, parentes de Darilane, entrássemos na casa. Somente com a chegada do pai da menina, 50 minutos depois, que foi possível o acesso à cena do crime. O pai já tinha levado a filha e a arma. Quando o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou, minha neta já estava morta”, contou a avó. Ainda de acordo com a avó da menina, há pouco menos de uma semana, o primo de Darilane teve a mesma arma aponta para si. “Ele só nos contou agora, com a morte da prima. Ele disse que a filha do policial apontou o revólver pra ele e disse: ‘cadê você? Você não disse que era valente?’. Mas ele encarou como uma brincadeira. E isso é brincadeira? Como é que um pai deixa uma arma em local de fácil acesso? Era uma tragédia anunciada”, desabafou.

O corpo de Darilane ainda se encontra no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR). Como a jovem não tinha certidão de nascimento, a identificação do corpo será através da análise das impressões digitais, segundo os parentes. Por conta disso, não há previsão para a data do enterro. O Correio procurou a família da jovem que é apontada como autora do disparo, mas ninguém foi localizado até o momento da publicação dessa reportagem. A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) foi procurada e confirmou que o pai da menina prestou depoimento neste sábado (08). Em nota, a Polícia Civil informa que a 3ª Delegacia de Homicídios (DH-BTS) do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), investiga a morte da menina por disparo de arma de fogo, no bairro do Garcia, na noite de sábado (8). “Até o momento, a apuração tem o indicativo de que o disparo foi acidental, efetuado por uma jovem, filha de um policial militar da reserva. Ele foi ouvido no DHPP e demais providências de Polícia Judiciária estão sendo tomadas”, afirmou a Polícia Civil. A Polícia Militar também foi procurada, mas informou que a reportagem deveria buscar informações com a Polícia Civil.

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