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Tristeza: Doença rara que “destroi” rins e pulmões mata jovem de 21 anos, logo após diagnóstico

A família alega que houve negligência médica. Síndrome de Goodpasture é uma doença auto-imune, na qual o organismo ‘ataca’ o rim e o pulmão nos pacientes entre 18 e 30 anos.

A jovem Valdiceia Conceição da Silva, de 21 anos, morreu após ser diagnosticada com uma doença autoimune rara, na madrugada deste sábado (7), na Santa Casa de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo informado ao G1, ela apresentou a Síndrome de Goodpasture, que causou lesões nos rins e pulmões da jovem. A família alega que houve negligência médica. Em entrevista ao G1, a mãe Maria Souza da Conceição, de 48 anos, informou que a jovem foi diversas vezes até a unidade de saúde e sempre eram receitados Dramin e Buscopan, para ajudar nas náuseas e vômitos.



“Ela tomava e não passava. Só vomitando. Tudo o que comia, vomitava. Depois de um tempo, há mais ou menos 15 dias, ela fez exame de sangue, que acusou anemia”. No primeiro diagnóstico, a vítima foi submetida à transfusão de sangue, conforme relata a mãe. No entanto, ela teve reação alérgica e eles tiveram que tentar um novo procedimento. Após isso, ela teve alta médica, como das outras vezes. “Como ela tava com anemia, o pai dela a levava até o hospital, chegava lá, eles davam soro e a mandavam para a casa”. Maria conta que no domingo (1º), ela melhorou um pouco e conseguiu comer, mas, de tarde, voltou a passar mal e vomitou novamente. “Na segunda, ela vomitou de novo e tinha um ‘fiapinho’ que parecia sangue. Como eu não sabia se era sangue ou a cenoura do suco, eu peguei e coloquei em um frasquinho para mostrar ao médico”. No hospital, o profissional solicitou mais uma vez um hemograma, que acusou anemia novamente, e então, a menina foi submetida à outra transfusão. Durando todo o dia, ela ficou em observação e tomou soro, no entanto, desde então, passou a vomitar sangue. Os médicos solicitaram mais um hemograma e um exame de escarro, pois levantaram a hipótese de tuberculose. Na quarta-feira (4), segundo a mãe, a jovem foi internada. Diante da dúvida, ela foi encaminhada para o isolamento até que o resultado do exame.

Jovem foi diagnosticada com Síndrome de Goodpasture, uma doença considerada rara — Foto: Reprodução/Facebook

“Na quinta, quando cheguei lá no hospital, ela estava sufocada [com falta de ar] e com uma máscara. Ela estava acordada, mas já estava muito inchada. De noite, ela estava com muita falta de ar e pedia para eu tirá-la de lá e dizia que ia morrer lá. Quando eu fui questionar a enfermeira, ela me falou que isso era normal. E, o sangue continuava saindo pelo nariz e pela boca direto”, diz a mãe. Na sexta-feira (6), a família conversou com a equipe médica e eles optaram por colocá-la na Unidade Semi-Intensiva. “Ele me pedia socorro. O médico ia passar de manhã para avaliá-la e não passou. Quando entrei para vê-la, o peito dela fazia um barulho e a máscara estava cheia de sangue, no nariz e na boca”, relata a mãe. Os médicos foram acionados e a jovem foi levada para a emergência, onde foi intubada. A jovem morreu na madrugada deste sábado (7), após transferência para a Santa Casa de Santos. O corpo foi velado e enterrado no Cemitério Municipal de Bertioga, ainda no sábado. A mãe se diz indignada com a situação. Ela alega que o hospital não fez a transferência da filha dela com urgência por falta de vaga. “Ontem disseram que estavam atrás de vaga, mas era mentira. Quando chegamos na Santa Casa, meu marido falou com um médico que nos informou que era mentira, que tinham oito vagas”.

Jovem ficou internada no Hospital de Bertioga — Foto: Diego Bachiega/Prefeitura de Bertioga

Hospital

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde de Bertioga, confirmou que a paciente foi internada na madrugada do dia 4, com quadro grave de hemoptise, anemia e insuficiência renal e alegou que prontamente recebeu atendimento, onde passou por diversos exames para investigação diagnóstica. Ainda segundo a administração pública, foi realizada tomografia de tórax e avaliações do infectologista, hematologista e reumatologista. Toda equipe médica discutiu o caso, no qual chegaram a suspeita diagnóstica de uma doença autoimune, rara, chamada síndrome Goodpasture, a qual ocasionou lesões nos rins e pulmões. “Foi solicitada vaga de UTI através da Central de Vagas – CROSS. Ressaltamos que todos os procedimentos pertinentes para a estabilização da paciente, visando regulação segura, foram adotados. Na madrugada de 5 para 6, a paciente instabilizou, com insuficiência respiratória sendo submetida à intubação e respiração mecânica e medicamentosa. A equipe da Secretaria de Saúde manteve contato e esforços até que a vaga de UTI fosse cedida na noite de 6. A transferência para Santa Casa foi realizada de forma segura pela equipe médica e enfermagem, seguindo protocolo. Infelizmente os agravos que a doença, de forma muito rápida, acometeu a paciente que evolui a óbito na madrugada do dia 7”. O G1 tentou contado com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, questionando quando a vaga pela CROSS foi solicitada, mas até a publicação dessa reportagem não obteve resposta.

A doença

O infectologista Gustavo Pasquareli informou que a Síndrome de Goodpasture é uma doença auto-imune, na qual o organismo ‘ataca’ o rim e o pulmão e, por isso, também é conhecida como Síndrome Pulmão-Rim. A enfermidade costuma acometer pacientes entre 18 e 30 anos. “É uma síndrome onde o organismo produz anticopo contra o glomérulo, que é uma parte do rim e esse anticorpo circula no organismo e acabam provocando sangramento pulmonar. As queixas principais são a hemorragia pulmonar e via urinária. Ela evolui muito mal quando você faz o diagnóstico já na condição de hemorragia no pulmão”. Alguns fatores genéticos associados ao tabagismo ou infecções virais, podem resultar na doença. “O tratamento é com imunossupressor, ou seja, com medicações que diminuem a imunidade. Também há o tratamento com plasmaferese, que é como se filtrasse o seu sangue, por assim dizer”, finaliza.

Jovem passava mal há alguns meses, conforme relata a mãe — Foto: Reprodução/Facebook



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