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Após imagens viralizarem, parte da população de tilápias da Praça Tancredo Neves é transferida para Lagoa das Bateias

A prefeita Sheila Lemos solicitou a antecipação do remanejamento para resguardar o bem-estar dos animais, mesmo com a garantia da Semma de que o ecossistema local permanece saudável.

Uma operação noturna realizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) mobilizou técnicos e servidores em Vitória da Conquista. Diante de imagens que circularam intensamente nas redes sociais, o governo municipal antecipou a transferência de parte das tilápias que habitavam os lagos da Praça Tancredo Neves para a Lagoa das Bateias. A intervenção, realizada sob condições climáticas favoráveis para garantir a segurança dos animais, já estava no cronograma do município devido ao crescimento acelerado da população de peixes no cartão-postal. A dinâmica reprodutiva da espécie Saint Peter explica o fenômeno do superpovoamento. De acordo com os dados técnicos do setor ambiental, as tilápias alcançam a maturidade sexual precocemente, entre três e cinco meses, e possuem ciclos de reprodução curtos. Uma única fêmea pode realizar de 4 a 12 desovas anuais, liberando entre 800 e 3.000 ovos por ciclo. Conforme explicado pela secretária de Meio Ambiente, Ana Cláudia Passos, esses peixes foram introduzidos de forma inadequada pela própria população no ambiente que antes abrigava apenas carpas ornamentais.

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Embora a Semma realize uma limpeza anual em novembro com a consequente retirada dos indivíduos, ovos e alevinos remanescentes voltam a se proliferar. Uma recente mudança na ração fornecida acelerou ainda mais esse processo, reduzindo o espaço disponível e exigindo a intervenção.

A diferença comportamental entre as espécies também chama a atenção de quem frequenta o local. Enquanto as carpas preferem as águas profundas e frias dos lagos, as tilápias, de origem tropical, buscam a superfície aquecida e costumam se agrupar em cardumes para proteção e facilitação reprodutiva. Quando a temperatura cai abaixo de 20 graus, o metabolismo desses peixes desacelera e o apetite diminui consideravelmente.

O aspecto visual da água, que gerou questionamentos na comunidade, foi detalhado pelo médico veterinário Aderbal Azevedo Alves, coordenador do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). O especialista esclareceu que a coloração turva e esverdeada decorre da formação natural de algas, alimentada por fatores cotidianos como a queda de folhas e fezes de aves. Esse cenário não indica contaminação ou ausência de oxigênio, uma vez que as algas realizam fotossíntese diurna liberando oxigênio e produzem gás carbônico à noite. O veterinário pontuou que a presença dos peixes na superfície está associada à busca por alimento ou regulação térmica, e não necessariamente por estresse respiratório. Além disso, análises técnicas atestaram que os parâmetros da água seguem normais para a vida aquática.

A prefeita Sheila Lemos solicitou a antecipação do remanejamento para resguardar o bem-estar dos animais, mesmo com a garantia da Semma de que o ecossistema local permanece saudável. O sistema hídrico da praça conta com renovação contínua a partir de águas do Poço Escuro, que circulam por córregos e cascatas antes de retornar a reservatórios subterrâneos, promovendo a oxigenação. O tom esverdeado reflete a presença de clorofila das plantas aquáticas, distanciando o quadro do processo prejudicial de eutrofização. Para otimizar o ambiente, a administração municipal projeta melhorias estruturais nas cascatas para ampliar o fluxo de oxigênio.

Paralelamente ao manejo, as autoridades ambientais emitiram um alerta rigoroso sobre os hábitos dos visitantes. O fornecimento de alimentos inadequados, como pipoca, compromete severamente a saúde do ecossistema, visto que componentes como sal e gordura agridem o organismo dos peixes. Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, a Semma também reforçou o apelo para que a população interrompa o descarte e a introdução de novas espécies nos lagos sem autorização técnica, lembrando que a preservação do espaço e o manejo da fauna são de responsabilidade estrita de biólogos e veterinários credenciados.



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