"Ele foi com orgulho, com fibra de herói. Foi levar paz para uma terra sem paz". Muito emocionado, o militar Amaro Augusto de Lima diz que seu filho, o sargento Davi Ramos de Lima, morto no terremoto que atingiu o Haiti na terça-feira, era o "orgulho da família".
Amaro acredita que Davi, de 37 anos, integrava a escolta da médica sanitarista Zilda Arns, que também morreu no terremoto no Haiti. O corpo do sargento foi encontrado na mesma região que a fundadora da Pastoral da Criança ministrava uma palestra. "Provavelmente, ele fazia a segurança da médica Zilda Arns. Ainda não temos essa informação confirmada, mas os corpos foram encontrados na mesma região e quatro militares faziam a escolta dela".
A reportagem do iG procurou o Exército, mas a identidade dos militares que estavam junto com Zilda Arns ainda não foi confirmada.
"Viagem de luto"
Assim como a maioria dos militares mortos nesta tragédia, Davi voltaria para o Brasil no sábado. A família, que mora em João Pessoa, já tinha comprado passagens para receber Davi em Lorena, no interior de São Paulo, onde ele morava. "Na bagagem, a gente já tinha pronta a nossa comida típica daqui (nordeste) para levar ao Davi", conta o pai, em entrevista ao iG. "A viagem seria para matar as saudades, mas agora vai ser de luto."
A expectativa de Davi com o retorno ao Brasil também era grande. "Ele estava em uma missão honrosa, orgulhoso. Dizia que o povo haitiano era muito pobre e muito hospitaleiro. Mas feliz em voltar para a casa, pois tinha um filho de quatro meses", disse o pai. Davi teve a chance de ver o filho apenas uma vez - ele estava desde julho em missão no Haiti -, quando recebeu autorização do Exército para passar uma semana com a família, em Lorena. Ele era casado e deixa três filhos.
A família de Davi, que era militar desde 1995, não tem informações sobre a chegada do corpo do militar ao Brasil.
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