'Alexandre, o Grande, era homossexual e a tropa obedecia', diz ex-sargento gay

fonte_g1do G1

Indicado a tribunal militar disse que tropa não obedece militar homossexual. Ex-sargento disse que vai enviar manifestação ao Senado e ao presidente.

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O ex-sargento do Exército Fernando de Alcântara Figueiredo, envolvido no primeiro caso assumido de um casal gay na história das Forças Armadas brasileiras, afirmou que o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado ao Superior Tribunal Militar, fez uma declaração "retrógrada e infeliz" sobre os homossexuais e que "está muito mal informado". Cerqueira Filho disse, no Senado, que soldados não obedecem a comandantes homossexuais.

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À reportagem, Fernando de Alcântara Figueiredo rebateu: "Isso mostra que ele desconhece a história. Alexandre, o Grande, era homossexual e a tropa obedecia. Trabalhei 15 anos nas Forças Armadas e nunca fui desrespeitado", afirmou. Alexandre, o Grande, foi rei da Macedônia há mais de 2.300 anos e é lembrado por sua habilidade em estratégias militares por ter comandado uma das maiores expansões territoriais do mundo antigo. Algumas fontes históricas e filmes sobre a época relatam a homossexualidade de Alexandre.

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O ex-sargento Figueiredo , que chegou a ser preso e responde a processo após assumir sua sexualidade enquanto atuava no Exército, disse que enviará manifestação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à Comissão de Constituição de Justiça do Senado para evitar que o general seja nomeado para o tribunal.

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Para Figueiredo, a declaração do general mostra que ele "não tem qualificação para ser juiz". "A primeira coisa para esse cargo é a imparcialidade e o respeito à pessoa humana e outra qualificação é não ser preconceituoso. Isso poderia ter sido voltado contra negros, ou pessoas com deficiência."

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Figueiredo pediu para sair do Exército em julho de 2008. Atualmente, é integrante da ONG Tortura Nunca Mais e do Instituto Ser, que visa defender os direitos do homossexual.

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Ele afirmou que há diversos casos de homossexualismo nas Forças Armadas, mas os militares temem assumir. "Meu caso e o de Laci não é específico e isolado, tem várias demandas desse tipo e precisamos trazer isso para a sociedade, que a intransigência é coisa comum nas Forças Armadas. (...) Numa situação de batalha, o meu sangue como homossexual é tão importante quanto o de um heterossexual. O que dita o caráter não é a vida íntima. É muita hipocrisia. Eu mesmo conheço generais que são homossexuais."

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Figueiredo apareceu ao lado de seu companheiro, Laci de Araújo, na Revista "Época" em 2008, quando os dois assumiram que mantinham um relacionamento homossexual . Laci foi acusado de deserção por ter ficado mais de uma semana longe do trabalho e foi preso, mas atualmente está trabalhando no Exército.

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Declaração

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O general Cerqueira Filho, autor da declaração polêmica, foi indicado para ocupar uma vaga de ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Na terça, ele participou de audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Cerqueira Filho e o almirante Álvaro Luiz Pinto, também indicado a uma vaga no STM, participavam da audiência quando foram questionados pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre o tema.

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“Vossas excelências são favoráveis ao ingresso de homossexuais em qualquer das forças e acham que essa polêmica tem razão de ser?”, indagou Demóstenes. Suplicy quis saber se os dois militares defendiam a exclusão de homossexuais das Forças Armadas.

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Em sua resposta, o general Cerqueira Filho disse que iria responder "de uma maneira sincera". "Não é que eu seja contra o homossexual, cada um tem que viver sua vida. Entretanto, a vida militar se reveste de determinadas características que, em meu entender, tipos de atividades que, inclusive em combate, pode não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo", afirmou.

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Estados Unidos

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A polêmica sobre homossexuais nas Forças Armadas não é exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, o tema está em discussão no governo. O secretário de Defesa do país, Robert Gates, disse nesta terça-feira diante do Senado que um grupo de trabalho vai estudar a possível anulação de uma lei de 1993 que proíbe o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas do país.

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