As chuvas em São Paulo neste início de ano são realmente anormais?

fonte_g1do G1

Segundo especialistas em clima, os dados mostram que sim. Alta umidade é apontada como uma das causas do excesso de chuvas

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A frequência e o volume de chuvas que começaram a atingir São Paulo no final de dezembro estão muito acima do normal para o período, segundo meteorologistas e especialistas em clima consultados pela reportagem.

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"É um janeiro para guardar na memória", resume o professor Augusto José Pereira Filho, do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) e doutor em meteorologia pela Universidade de Oklahoma (EUA).

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Janeiro deste ano registrou a maior marca em volume de chuvas para o mês desde 1947, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) - foram 480,5 milímetros de chuva contra 481,4 mm há 63 anos. Além disso, só nos quatro primeiros dias de fevereiro choveu 60% da média histórica para o mês na capital. Conforme Pereira Filho, meteorologista da USP, o excesso de chuvas se deve à frequência e não à intensidade.

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"A chuva de janeiro foi muito alta para um mês de janeiro ou qualquer outro mês do ano na história dos registros da USP. Agora a chuva total diária não foi recorde em nenhum caso. O que aconteceu é que choveu mais dias do que normalmente ocorre. Foi uma chuva que teve uma continuidade temporal muito grande, um maior número de dias."

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O professor explica que a principal causa do excesso de chuva é a umidade - que vem principalmente da Amazônia e do aquecimento dos oceanos Atlântico e Pacífico. "Tem chovido desde julho. 2009 fechou como o quinto ano mais chuvoso da série histórica da USP. Com mais umidade na superfície, ela vai para atmosfera e favorece as chuvas."

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Segundo Pereira Filho, o fenômeno climático El Niño também tem influenciado para as chuvas que atingem São Paulo desde o segundo semestre do ano passado. Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Marcelo Schneider afirma que os dados mostram que janeiro foi um mês atípico.

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"A gente contava com chuva acima da média, mas não todo esse volume. O problema foi a frequência inusual de 86 para cá, foi o período com o maior número de dias consecutivos de chuvas. (...) Os dados mostram que não é usual chover com esse volume e frequência em São Paulo. Isso não é interpretação, são os dados que mostram."

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Schneider também destaca que o inverno e primavera chuvosos estão favorecendo a intensidade das chuvas nesse verão, uma vez que o solo não secou completamente. "O calor evapora a umidade que está no solo e provoca mais chuvas", completa.

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Na avaliação da meteorologista do clima Cláudia Prestes, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), choveu "bastante acima da média", mas, para ela, isso não pode ser classificado como um fenômeno "anormal".

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"A gente já estava fazendo essa previsão desde outubro. Em junho, julho, vinha chovendo. Em dezembro já tinha muita umidade na atmosfera. A atmosfera não teve tempo para respirar."

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Cláudia Prestes diz que as chuvas acima da média devem dar uma trégua após o carnaval até a segunda quinzena de março, mas depois deve voltar a chover.

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Autoridades

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O excesso de chuvas foi a causa apontada pelas autoridades para os transtorno causado pelas enchentes. "Estamos vivendo hoje um desequilíbrio climático que expõe as vísceras dos nossos problemas de infraestrutura, trânsito e transporte com reflexos sociais e econômicos desastrosos. Não nos entregamos, lutaremos e venceremos. Não adianta acusar o passado, mas enfrentar o presente. Soluções complexas levam tempo e temos a consciência de estarmos realizando o possível”, disse o prefeito da capital, Gilberto Kassab, no fim de janeiro.

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A secretária estadual de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Pena, também citou o excesso de chuva. "Foi muita chuva concentrada em um período curto e em uma semana que já era de muita chuva. (...) Não foi deficiência, mas um evento acima da média."

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