Carnaval 2010: Falta de incentivo não apaga a beleza dos blocos afros em Salvador

fonte_atardedo A Tarde

O encanto que o desfile do Ilê Aiyê traz para o circuito Osmar a cada passagem, dá ao bloco afro do Curuzu mais que o merecido título do "o mais belo dos belos". Este ano, apesar do luto pela morte da líder espiritual da entidade, a ialorixá Hilda Jitolu, mãe do presidente do Ilê, Antonio Carlos dos Santos, o "Vovô", os 1.200 associados, entre eles a deusa do Ébano Gisele da Silva Santos, 22 anos, desfilaram na avenida como uma homenagem especial à mãe-de-santo.

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O tema deste ano, porém, foi “Pernambuco, uma nação africana”. Os associados, com seus cantos e danças que marcam a passagem do Ilê, dividiram espaço no bloco com o grupo de maracatu Nação Porto Rico, um dos mais tradicionais de Pernambuco. Com o tema, o bloco do Curuzu lembra que a África não está só na Bahia.

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Dificuldades - Apesar do reconhecimento e da fama, não é tão fácil arranjar patrocinadores para garantir esse espetáculo anual do Ilê. Segundo Antônio Carlos dos Santos, a falta de recursos é o grande desafio para viabilizar o desfile.

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"Garantir patrocinadores é nosso principal desafio. A maioria dos grandes empresários não tem interesse de apoiar blocos afro e a cada ano que passa está mais caro sair no Carnaval", disse Vovô durante o desfile nesta segunda-feira, 15, no circuito Osmar.

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Se já é difícil para o Ilê, que tem renome internacional e é o mais antigo dos afros da cidade, com os outros blocos a situação ainda é pior. No mesmo circuito, o bloco Filhos de Korim Efan desfilou com menos de 50 integrantes este ano.

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Malê e Muzenza - O bloco Malê Debalê, do Abaeté, este ano desfilou com o tema 'Ouro Negro', fazendo uma alusão ao petróleo. As cores levadas para a avenida foram o verde, amarelo e dourado. O som do cantico afro deu ritmo as coreografias do balé do Malê, um dos espetáculos do Carnaval de Salvador que merecem ser guardados na memória.

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Infelizmente, com movimentação fraca nos camarotes e arquibancadas do Campo Grande, Malê Debalê fez o seu segundo desfile do Carnaval 2010. Para quem esperou a chegada do bloco, foi uma bonita passagem pela passarela oficial.

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“Quando a gente levanta a questão do petróleo a gente faz todo uma alusão aos negros que nos representam, já que o petróleo é negro”, disse o presidente do Malê, Cláudio Araújo.

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A ala de dança, organizada pelo coreógrafo Givanildo Naris, trouze nos passos, a simbologia da escavação do poço de petróleo.

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Na sequência, desfilou ainda o Muzenza, afro também da Liberdade, que, com cerca de duas mil pessoas, trouxe para a avenida o tema Blocos Afros e Afoxés, em alusão às entidades que transformam o Carnaval de Salvador em um grande espetáculo cênico e de resistência afro-descendente.

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