Economia: Preço do café é o mais alto em 28 anos e isso pode criar um sério problema aos produtores. Entenda

Valor histórico da saca, somado à queda na produção, pode comprometer a rentabilidade e a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.

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O preço do café arábica atingiu o maior valor da série histórica em janeiro de 2025, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP. A saca de 60 quilos foi cotada a R$ 2.301,60, um aumento de 6,8% em relação ao mês anterior. Esse valor supera todos os registros desde o início da medição, em 1997, e reflete uma tendência de alta que vem se intensificando nos últimos anos. No entanto, o cenário aparentemente positivo esconde desafios que podem se tornar um sério problema para os produtores.

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A valorização do café não se limita ao arábica. O robusta também registrou alta significativa, com a saca atingindo R$ 2.074,00 no final de janeiro. Nos últimos 12 meses, os preços do robusta subiram 173%, enquanto o arábica acumulou alta de 145%. Projeções indicam que, em 2025, os preços podem aumentar até 20%, pressionando ainda mais o mercado.

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Queda na produção agrava o cenário

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Apesar da valorização, a produção de café no Brasil deve encolher 4,4% na safra 2024/2025, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expectativa é que o país colha 51,8 milhões de sacas, volume abaixo do registrado no ciclo anterior. Essa redução, combinada com os preços elevados, pode comprometer a rentabilidade dos produtores, que enfrentam custos crescentes com insumos, mão de obra e logística.

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Especialistas alertam que o aumento dos preços nem sempre se traduz em ganhos para os cafeicultores. "Quando os custos de produção sobem mais rápido que a receita, o produtor acaba perdendo margem. Além disso, preços altos podem reduzir a competitividade do café brasileiro no mercado internacional", explica um analista do Cepea.

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Impactos no mercado interno e externo

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A alta dos preços também pode afetar o consumo interno de café, já que parte do custo é repassada ao consumidor final. No mercado externo, o Brasil, maior exportador mundial de café, pode perder espaço para concorrentes como Vietnã e Colômbia, que têm aumentado sua participação no comércio global.

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Para os produtores, o desafio é equilibrar custos e produtividade em um cenário de incertezas climáticas e volatilidade de preços. "Se não houver um planejamento estratégico, muitos cafeicultores podem enfrentar dificuldades financeiras, especialmente os pequenos e médios", ressalta um representante da Conab. Enquanto o café segue em alta, o setor aguarda medidas que possam mitigar os impactos da queda na produção e garantir a sustentabilidade da cadeia cafeeira no Brasil.

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