Estudantes tiveram dificuldade de chegar aos locais de prova no último dia do vestibular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), na manhã desta terça-feira, 19, por causa de um protesto de motoristas. A manifestação foi uma reação a uma suposta agressão física e psicológica cometida por um tenente PM ao motorista de ônibus urbano Antônio Queiroz, 42 anos, por volta das 18h30 dessa segunda-feira, 18. Em represália, os rodoviários suspenderam os serviços de transporte coletivo em Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador.
A paralisação de protesto começou às 5h e só terminou às 8h, período suficiente para instalar o caos no sistema e correria entre os usuários, principalmente os vestibulandos, que deveriam chegar aos locais de prova antes das 7h30, quando os portões seriam fechados. Com a brecha, motoristas de táxis e donos de lotações tomaram as ruas do terminal de ônibus e aproveitaram para ganhar um dinheiro extra.
Assim que foi informada do protesto, a direção da Uesb alterou o horário de fechamento dos portões para 9h, porém a maioria dos candidatos não foi informada e alguns chegaram a desistir do último dia de prova. O vestibular da Uesb começou no domingo, 17 e o resultado deverá ser informado em fevereiro.
Agressão - De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas, Carlos Fernandes, o autor da suposta agressão foi o tenente Dalmo. “Ele é reincidente nesse tipo de agressão, mas já adotamos as providências e vamos procurar a corregedoria para abrir um processo contra ele”, anunciou. Conforme relato do motorista e de passageiros, o veículo passava pela Avenida Frei Benjamin, no bairro Brasil, quando teve o percurso interrompido por um treinamento de alunos da PM. “O motorista parou e esperou o pessoal seguir, mas um policial deu sinal para ele avançar”, relatou uma testemunha.
Ao passar pelo grupo, ainda segundo a testemunha, o ônibus recebeu pancadas na lataria. “Quando a gente chegava ao ponto final, no Bairro Santa Helena, o motorista recebeu ordens de dois policiais em motos para parar e aguardar. Aí chegou uma viatura com o tenente e ele arrastou o motorista para fora, dando tapa no rosto e golpes com o dedo no peito”. O comando do 9º Batalhão PM, onde o policial é lotado, ainda não se manifestou sobre o caso.
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