Um levantamento da Quaest divulgado nesta quarta-feira (26) revela que o terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um cenário de crescente desaprovação em oito estados brasileiros pesquisados. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a reprovação ultrapassa os 60%, enquanto na Bahia e em Pernambuco, tradicionalmente redutos petistas, a aprovação ao governo federal caiu mais de 15 pontos percentuais. Pela primeira vez, a desaprovação superou numericamente a aprovação nesses dois estados, que foram decisivos para a vitória de Lula nas eleições de 2022.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre os dias 19 e 23 de fevereiro, ouviu 6.630 brasileiros a partir de 16 anos nos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A margem de erro é de 3 pontos percentuais na maioria dos estados, com exceção de São Paulo, onde é de 2 pontos. Este é o primeiro estudo da Quaest a incluir Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul na avaliação do governo Lula.
Queda acentuada na Bahia e em Pernambuco
Na Bahia, estado onde Lula obteve uma de suas maiores vantagens eleitorais em 2022, a desaprovação ao seu governo atingiu 51%, contra 47% de aprovação. Houve um aumento de 18 pontos na avaliação negativa e uma queda de 19 pontos na positiva em relação a levantamentos anteriores. Em Pernambuco, cenário semelhante se repete, com a reprovação superando a aprovação pela primeira vez. Esses números refletem uma tendência nacional, já observada em janeiro, quando a desaprovação ao governo Lula ultrapassou a aprovação em nível nacional pela primeira vez.
Economia e frustração com promessas impactam avaliação
Felipe Nunes, diretor da Quaest, atribui a reprovação histórica à percepção negativa dos eleitores sobre a condução da economia e ao não cumprimento de promessas de campanha. "Lula não consegue cumprir suas promessas. Esse percentual sempre foi alto, mas chegou ao maior patamar em janeiro de 2025: 65%. Mais do que gerar esperança, o atual governo produz frustração na população", afirmou Nunes. Os dados mostram que, em dezembro de 2023, 52% dos entrevistados aprovavam o governo, enquanto 47% desaprovavam. Em janeiro de 2024, a aprovação caiu para 47%, e a desaprovação subiu para 49%. O percentual de indecisos ou que não responderam também aumentou de 2% para 4%.
Cenário desafiador em estados populosos
Em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a desaprovação ao governo Lula supera os 60%, indicando um cenário particularmente desafiador em três dos estados mais populosos do país. No Rio Grande do Sul, incluído pela primeira vez na pesquisa, os números também apontam para uma avaliação negativa, embora menos acentuada. A pesquisa sugere que o governo Lula enfrenta um momento crítico, com a insatisfação se espalhando mesmo em regiões onde o petista historicamente conta com maior apoio. A condução da economia e a percepção de que promessas de campanha não estão sendo cumpridas parecem ser os principais fatores por trás dessa mudança de cenário. Com a popularidade em declínio, o terceiro mandato de Lula se vê diante de um desafio significativo para recuperar a confiança dos eleitores, especialmente em estados que foram fundamentais para sua vitória em 2022.
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