Diante do aumento expressivo no preço do café no Brasil, muitos consumidores têm buscado alternativas mais acessíveis nas prateleiras dos supermercados. No entanto, a busca por economia pode esconder um risco: produtos que se passam por café, mas contêm ingredientes irregulares e não seguem as normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. A legislação brasileira é clara: apenas produtos feitos 100% com grãos do gênero coffee podem ser chamados de "café".
Celírio Inácio, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), alerta para a proliferação de produtos que utilizam termos enganosos, como "café de cevada" ou "polpa de café". "A portaria 570 é específica: só pode ser considerado café o produto feito exclusivamente com grãos do gênero coffee. Qualquer outra coisa, como cevada ou açaí, não pode usar essa denominação", explica.
A prática, além de irregular, pode enganar o consumidor, que muitas vezes não percebe a diferença nas embalagens. "Eles deliberadamente usam designs semelhantes a marcas conhecidas, com a intenção clara de confundir", afirma Inácio. A polpa do café, por exemplo, é considerada uma impureza e não pode ser comercializada como café. "A polpa é um líquido que sai junto com a casca e deveria ser descartada. Chamar isso de café é um erro grave", completa.
Certificação como garantia de qualidade
Para evitar fraudes, a Abic oferece um selo de qualidade que atesta a pureza do café. O processo de certificação envolve coletas aleatórias em pontos de venda e análises laboratoriais. Se aprovado, o produto recebe um selo com um QR Code, que permite ao consumidor acessar informações detalhadas, como o ponto de torra e a data da última avaliação.
"O selo é uma forma de proteger o consumidor. Mesmo produtos já certificados são reavaliados constantemente, e o QR Code garante que as informações estejam sempre atualizadas", explica Inácio. Anualmente, cerca de 5 mil avaliações são realizadas em todo o país.
Apesar de não ser obrigatório, o selo da Abic é uma ferramenta importante para garantir a qualidade do produto. Empresas interessadas podem solicitar a avaliação, mas precisam estar preparadas para inspeções surpresa. "O produtor não sabe quando ou onde seu produto será testado. Isso garante a manutenção dos padrões", diz o diretor.
Riscos à saúde e fiscalização
Ingredientes intrusos, como folhas e cascas do cafezal, são permitidos em níveis mínimos (inferiores a 1%). Acima disso, o produto é considerado inadequado. Caso alguma amostra apresente riscos à saúde, a Abic notifica imediatamente o Ministério da Agricultura. "Temos um canal direto com eles para garantir que produtos irregulares sejam retirados do mercado", afirma Inácio. Enquanto o preço do café tradicional segue em alta, a busca por alternativas mais baratas pode levar a armadilhas. A orientação para o consumidor é clara: verifique o selo da Abic e utilize o QR Code para confirmar a autenticidade do produto. "O café falso não só engana, mas pode colocar a saúde em risco. É preciso estar atento", finaliza o diretor.
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