A última quinta-feira (23) marcou o fim de um capítulo histórico para Malhada de Pedras, município do Sudoeste da Bahia. Após mais de quatro décadas de funcionamento, a tradicional agência do Bradesco, localizada na Praça do Mercado, encerrou oficialmente suas atividades, deixando moradores e comerciantes apreensivos com os impactos econômicos e sociais da medida.
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A unidade, que teve origem em 1983 como posto do Banco do Estado da Bahia (Baneb), foi incorporada ao Bradesco na década de 1990, após a privatização da instituição estadual. Desde então, tornou-se ponto central da movimentação financeira local, especialmente para produtores rurais e pequenos empresários que dependiam do atendimento presencial e do abastecimento regular de espécie pelo carro-forte.
Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, o fechamento já era esperado por parte da comunidade, mas não deixou de causar comoção. “Não é só um banco que fecha. É um pedaço da nossa história que some”, lamentou um comerciante local, que preferiu não se identificar. Relatos colhidos na cidade indicam que a redução da circulação de dinheiro vivo já começa a afetar o comércio, especialmente em feiras e mercados que operam predominantemente com dinheiro em espécie. Diante da ausência de alternativas locais, os cerca de 10 mil habitantes de Malhada de Pedras terão que recorrer a correspondentes bancários, canais digitais ou deslocar-se até cidades vizinhas, como Brumado — distante cerca de 50 quilômetros —, para resolver questões financeiras mais complexas.
98% dos clientes movimentam pela internet
Em comunicado oficial, o Bradesco afirmou que “98% das operações dos clientes já são realizadas pelos canais digitais” e que o encerramento está alinhado à “estratégia de modernização e eficiência operacional da instituição”. A nota, no entanto, não acalmou os ânimos na região. A Prefeitura de Malhada de Pedras chegou a ingressar com uma ação judicial para tentar reverter a decisão, alegando que o fechamento prejudica gravemente o comércio local e a população rural, que tem acesso limitado à internet e à tecnologia. O pedido, contudo, não obteve sucesso até o momento. Com o portão da agência definitivamente trancado, moradores veem no silêncio da Praça do Mercado o eco de um tempo em que o banco representava mais do que um local de transações: era um símbolo de progresso, estabilidade e pertencimento. Para muitos, o que se encerra não é apenas uma unidade bancária, mas uma era inteira da vida econômica e social da cidade.
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