{"id":8596,"date":"2010-04-22T08:06:04","date_gmt":"2010-04-22T11:06:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomarcelo.com.br\/v2\/?p=8596"},"modified":"2010-04-22T08:06:04","modified_gmt":"2010-04-22T11:06:04","slug":"belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.vitoriadaconquistanoticias.com.br\/v2\/2010\/04\/22\/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos\/","title":{"rendered":"Belo Monte ser\u00e1 hidrel\u00e9trica menos produtiva e mais cara, dizem t\u00e9cnicos"},"content":{"rendered":"<h6><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-8145\" title=\"fonte_g1_2010\" src=\"http:\/\/www.blogdomarcelo.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/fonte_g1_2010.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" height=\"40\" \/>do G1<\/h6>\n<p><strong>Eles preveem que inseguran\u00e7a jur\u00eddica e ambiental v\u00e3o complicar usina. Leil\u00e3o definiu grupo que tocar\u00e1 obra, formado por Chesf e construtoras.<\/strong><\/p>\n<p>A hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no rio Xingu, Par\u00e1, ser\u00e1 a usina que produzir\u00e1 menos energia, proporcionalmente \u00e0 capacidade de produ\u00e7\u00e3o, e que ter\u00e1 maior custo para os investidores na compara\u00e7\u00e3o com outros empreendimentos de grande porte, em raz\u00e3o da intensidade dos impactos sociais e ambientais na regi\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas na \u00e1rea consultados pela reportagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"480\" height=\"392\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"quality\" value=\"high\" \/><param name=\"FlashVars\" value=\"midiaId=1251014&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392\" \/><param name=\"src\" value=\"http:\/\/video.globo.com\/Portal\/videos\/cda\/player\/player.swf\" \/><param name=\"flashvars\" value=\"midiaId=1251014&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"480\" height=\"392\" src=\"http:\/\/video.globo.com\/Portal\/videos\/cda\/player\/player.swf\" flashvars=\"midiaId=1251014&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392\" quality=\"high\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>Na ter\u00e7a (20), o governo realizou, em meio a uma batalha jur\u00eddica, o leil\u00e3o que definiu o cons\u00f3rcio que far\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o e vender\u00e1 a energia de Belo Monte, o Norte Energia. O grupo \u00e9 liderado pela Companhia Hidro El\u00e9trica do S\u00e3o Francisco (Chesf), que tem 49,98% de participa\u00e7\u00e3o, e mais oito empresas de constru\u00e7\u00e3o e engenharia.\u00a0Ap\u00f3s o leil\u00e3o, algumas informa\u00e7\u00f5es indicavam que a construtora Queiroz Galv\u00e3o e a J. Malucelli\u00a0pensavam em sair do cons\u00f3rcio, mas as empresas n\u00e3o confirmaram.<\/p>\n<p>Embora tenha capacidade instalada de 11 mil MW, o que a tornar\u00e1 a segunda maior hidrel\u00e9trica do pa\u00eds, Belo Monte tem energia firme (que pode ser assegurada j\u00e1 prevendo os per\u00edodos de seca) de 4,4 mil MW, 40% da capacidade. Na maior usina do pa\u00eds, a binacional Itaipu, que tem 14 mil MW de capacidade, a energia firme representa 61%. Na segunda maior atualmente, Tucuru\u00ed &#8211; que perder\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o para Belo Monte -, o percentual \u00e9 de 49%.<\/p>\n<p><!--more-->A energia firme de Belo Monte \u00e9 proporcionamente menor segundo dados do governo por conta das caracter\u00edticas do Rio Xingu, cuja vaz\u00e3o fica bastante reduzida em \u00e9pocas de seca. Para reduzir os impactos ambientais, Belo Monte n\u00e3o ter\u00e1 reservat\u00f3rio, ser\u00e1 uma usina a fio d\u00b4\u00e1gua, ou seja, vai gerar energia conforme a quantidade de \u00e1gua existente no rio.<\/p>\n<figure style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2010\/04\/21\/xingupertobelomonte_.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img class=\" \" src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2010\/04\/21\/xingupertobelomonte_.jpg\"  alt=\"\" width=\"310\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Rio Xingu, no Par\u00e1, onde ser\u00e1 constru\u00edda hidrel\u00e9trica de Belo Monte<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em entrevista ao\u00a0<strong>G1<\/strong> no fim de mar\u00e7o, Maur\u00edcio Tolmasquim, o presidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), \u00f3rg\u00e3o do governo federal respons\u00e1vel pelo planejamento de energia, disse que o percentual menor de energia firme \u00e9 um fator negativo. &#8220;Temos no Brasil um sistema interligado, onde uma usina complementa a outra. Uma hora chove mais no Sul, outra hora no Norte. N\u00e3o se pode olhar n\u00fameros isoladamente&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio de Impacto Ambiental (Rima) de Belo Monte diz que quando a hidrel\u00e9trica estiver cheia &#8220;vai ser poss\u00edvel guardar \u00e1gua nos reservat\u00f3rios das usinas em outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Com os reservat\u00f3tios cheios, essas usinas v\u00e3o gerar mais energia quando Belo Monte estiver gerando pouca energia (na seca)&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Produtividade<\/strong><\/p>\n<p>Especialistas em energia el\u00e9trica destacam que Belo Monte \u00e9 importante para atender ao crescimento da demanda de consumo prevista para os pr\u00f3ximos anos, mas concordam que a produtividade da hidrel\u00e9trica \u00e9 baixa.<\/p>\n<p>Para o engenheiro Silvio Areco, da consultoria Andrade &amp; Canellas, especializada em energia e com atua\u00e7\u00e3o direta em hidrel\u00e9tricas, o percentual considerado bom para os investidores da energia firme em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade instalada \u00e9 de 55%.<\/p>\n<p>&#8220;Se fizer uma rela\u00e7\u00e3o entre a capacidade de gerar energia e a energia assegurada, a de Belo Monte \u00e9 menor. Vai precisar instalar muito mais m\u00e1quinas, mas vai produzir menos energia relativamente. Vai ter relativamente menos energia do que nas outras hidrel\u00e9tricas e com pre\u00e7o similar&#8221;, afirma Areco.<\/p>\n<p>Areco afirma ainda que os custos para cumprir as condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para conceder a licen\u00e7a ambiental &#8211; que determina que o cons\u00f3rcio vencedor do leil\u00e3o realize a\u00e7\u00f5es em prol da popula\u00e7\u00e3o e natureza local &#8211; podem ser mais altos do que os previstos.<\/p>\n<p>O governo estima cerca de R$ 3 bilh\u00f5es dos R$ 19 bilh\u00f5es totais previstos para a constru\u00e7\u00e3o. Especula\u00e7\u00f5es d\u00e3o conta de que a obra total custe at\u00e9 R$ 30 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A usina est\u00e1 em um local longe e o primeiro problama \u00e9 o acesso. Entra em territ\u00f3rio que n\u00e3o \u00e9 reserva ind\u00edgena, mas tem popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Se conhece o terreno olhando de cima&#8221;, acrescentou. Para o engenheiro, h\u00e1 muita coisa na constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica que n\u00e3o se pode prever. &#8220;A complexidade disso \u00e9 exatamente pelo porte da obra. Os problemas ser\u00e3o de magnitude e consequencias do porte da obra&#8221;, afirma Areco.<\/p>\n<p>O conhecimento dos problemas juntamente com o baixo pre\u00e7o estabelecido como m\u00e1ximo para o leil\u00e3o pelo governo foram alguns dos motivos para as construtoras Camargo Corr\u00eaa e Odebrecht, que participaram dos estudos da hidrel\u00e9trica e conhecem melhor o local, desistirem de concorrer no leil\u00e3o. Em nota, as construtoras afirmaram que n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o m\u00e1ximo definido pelo leil\u00e3o era de R$ 83 por MWh. O cons\u00f3rcio derrotado, formado pela Construtora Andrade Gutierrez, que tamb\u00e9m participou dos estudos da obra, ofereceu R$ 82,9 por MWh. O grupo vencedor, que entrou de \u00faltima hora na disputa, ofereceu R$ 78.<\/p>\n<p>Areco considerou que o valor \u00e9 bem abaixo do que seria necess\u00e1rio para cobrir os gastos.<\/p>\n<p><strong>Custo socioambiental<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do engenheiro Luiz Pereira de Azevedo Filho, que foi de Furnas e atualmente \u00e9 secret\u00e1rio-geral do Instituto de Desenvolvimento Estrat\u00e9gico do Setor Energ\u00e9tico (Ilumina), embora haja previs\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de energia ser elevada em Belo Monte, o principal problema s\u00e3o as quest\u00f5es socioecon\u00f4micas.<embed src=\"http:\/\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/s\/\/2010\/04\/16\/galeria600x530.swf\" wmode=\"\" name=\"Galeria Belo Monte\" bgcolor=\"\" menu=\"false\" height=\"450\" width=\"480\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" quality=\"high\"><\/embed>&#8220;Vejo que os impactos socioambientais s\u00e3o os que influenciam para tornar a obra menos vi\u00e1vel economicamente, do ponto de vista de investimento. Mas esse \u00e9 um pre\u00e7o que vamos ter que pagar aqui para frente para fazer usinas da Amaz\u00f4nia, um empreendimento menos atrativo.&#8221;<\/p>\n<p>Azevedo Filho afirmou que as usinas do Rio Madeira, Jirau e Santo Ant\u00f4nio, que est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o, s\u00e3o &#8220;menos complicadas&#8221; porque a vaz\u00e3o do rio \u00e9 constante.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio do Ilumina diz ainda temer que o custo da obra seja maior do que o previsto, mas acredita que fique bem abaixo dos R$ 30 bilh\u00f5es especulados. &#8220;Eu acho que houve certa precipita\u00e7\u00e3o, o governo deveria ter feito com mais calma. Tenho temor de que possa aparecer algo que n\u00e3o foi devidamente estudado e que vai aumentar o custo da obra.&#8221;<\/p>\n<p>Ele destaca ainda a inseguran\u00e7a jur\u00eddica &#8211;\u00a0levantamento do\u00a0<strong>G1<\/strong> mostrou que o governo ainda ter\u00e1 de enfrentar 15 a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a contra a hidrel\u00e9trica no rio Xingu. &#8220;E se em uma dessas a\u00e7\u00f5es a Justi\u00e7a acaba concedendo e alterando o fluxo da obra? A situa\u00e7\u00e3o pode se complicar ainda mais&#8221;, destaca Azevedo Filho.<\/p>\n<p><strong>Contraponto<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 o f\u00edsico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da COPPE, institui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que o pre\u00e7o acertado por Belo Monte foi adequado.<\/p>\n<p>&#8220;O pre\u00e7o foi o melhor dentro do que se estava dizendo, de que era imposs\u00edvel [chegar nisso]. \u00c9 claro que a presen\u00e7a das estatais facilitou [esse pre\u00e7o], al\u00e9m do sistema de financiamento favorecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). Mas obras p\u00fablicas todas t\u00eam que ter isso. Obras com esse investimento precisam ter esse al\u00edvio&#8221;, afirmou ele ao\u00a0<strong>G1<\/strong>.<\/p>\n<p>O empr\u00e9stimo que o BNDES deve conceder ao cons\u00f3rcio Norte Energia,\u00a0pode ser o segundo maior da hist\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o. Perde apenas para o cr\u00e9dito de R$ 25 bilh\u00f5es liberado para a Petrobras, que teve contrato de financiamento assinado em julho do ano passado.<\/p>\n<p>Para Pinguelli, o custo alto da obra de Belo Monte \u00e9 justificado pela sua alta capacidade, mesmo que em per\u00edodos de seca a produ\u00e7\u00e3o possa cair a mil MW. Ele acredita que n\u00e3o d\u00e1 para comparar Belo Monte com a hidrel\u00e9trica de Jirau, por exemplo, que tem um potencial menor (de 3.300 megawatts), mas uma energia firme maior proporcionalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Jirau \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. Jirau tem um fator de capacidade muito alto, n\u00e3o \u00e9 a m\u00e9dia brasileira&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ainda assim, Pinguelli acredita que hidrel\u00e9tricas menores poderiam ter sido constru\u00eddas no lugar de Belo Monte. &#8220;O empreendimento podia ser outro? Podia. Fizeram Belo Monte porque j\u00e1 estavam envolvidos com Belo Monte. Virou a bola da vez&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Obra<\/strong><br \/>\nA hidrel\u00e9trica de Belo Monte ocupar\u00e1 parte da \u00e1rea de cinco munic\u00edpios do Par\u00e1: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador Jos\u00e9 Porf\u00edrio e Vit\u00f3ria do Xingu. Altamira \u00e9 a mais desenvolvida e tem a maior popula\u00e7\u00e3o dentre essas cidades, com 98 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Os demais munic\u00edpios t\u00eam entre 10 mil e 20 mil habitantes.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o discute h\u00e1 mais de 30 anos a instala\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica no Rio Xingu, mas teve a certeza de que o in\u00edcio da obra se aproximava ap\u00f3s a concess\u00e3o em fevereiro, pelo Ibama, da licen\u00e7a ambiental.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o que depende do Rio teme ainda a seca na Volta Grande, local habitado por \u00edndios e ribeirinhos. Isso porque parte da \u00e1gua ter\u00e1 seu curso desviado para um reservat\u00f3rio, uma \u00e1rea que ser\u00e1 alagada, e com isso a vaz\u00e3o ser\u00e1 reduzida no trecho de 100 quil\u00f4metros. O governo confirma que haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o na vaz\u00e3o, mas diz que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 prejudicada.<\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>do G1 Eles preveem que inseguran\u00e7a jur\u00eddica e ambiental v\u00e3o complicar usina. Leil\u00e3o definiu grupo que tocar\u00e1 obra, formado por Chesf e construtoras. 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