do A Tarde
O encanto que o desfile do Ilê Aiyê traz para o circuito Osmar a cada passagem, dá ao bloco afro do Curuzu mais que o merecido título do “o mais belo dos belos”. Este ano, apesar do luto pela morte da líder espiritual da entidade, a ialorixá Hilda Jitolu, mãe do presidente do Ilê, Antonio Carlos dos Santos, o “Vovô”, os 1.200 associados, entre eles a deusa do Ébano Gisele da Silva Santos, 22 anos, desfilaram na avenida como uma homenagem especial à mãe-de-santo.
O tema deste ano, porém, foi “Pernambuco, uma nação africana”. Os associados, com seus cantos e danças que marcam a passagem do Ilê, dividiram espaço no bloco com o grupo de maracatu Nação Porto Rico, um dos mais tradicionais de Pernambuco. Com o tema, o bloco do Curuzu lembra que a África não está só na Bahia.
Dificuldades – Apesar do reconhecimento e da fama, não é tão fácil arranjar patrocinadores para garantir esse espetáculo anual do Ilê. Segundo Antônio Carlos dos Santos, a falta de recursos é o grande desafio para viabilizar o desfile.
“Garantir patrocinadores é nosso principal desafio. A maioria dos grandes empresários não tem interesse de apoiar blocos afro e a cada ano que passa está mais caro sair no Carnaval”, disse Vovô durante o desfile nesta segunda-feira, 15, no circuito Osmar.
Se já é difícil para o Ilê, que tem renome internacional e é o mais antigo dos afros da cidade, com os outros blocos a situação ainda é pior. No mesmo circuito, o bloco Filhos de Korim Efan desfilou com menos de 50 integrantes este ano.
Malê e Muzenza – O bloco Malê Debalê, do Abaeté, este ano desfilou com o tema ‘Ouro Negro’, fazendo uma alusão ao petróleo. As cores levadas para a avenida foram o verde, amarelo e dourado. O som do cantico afro deu ritmo as coreografias do balé do Malê, um dos espetáculos do Carnaval de Salvador que merecem ser guardados na memória.
Infelizmente, com movimentação fraca nos camarotes e arquibancadas do Campo Grande, Malê Debalê fez o seu segundo desfile do Carnaval 2010. Para quem esperou a chegada do bloco, foi uma bonita passagem pela passarela oficial.
“Quando a gente levanta a questão do petróleo a gente faz todo uma alusão aos negros que nos representam, já que o petróleo é negro”, disse o presidente do Malê, Cláudio Araújo.
A ala de dança, organizada pelo coreógrafo Givanildo Naris, trouze nos passos, a simbologia da escavação do poço de petróleo.
Na sequência, desfilou ainda o Muzenza, afro também da Liberdade, que, com cerca de duas mil pessoas, trouxe para a avenida o tema Blocos Afros e Afoxés, em alusão às entidades que transformam o Carnaval de Salvador em um grande espetáculo cênico e de resistência afro-descendente.













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