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Com bancos e Correios em greve, alternativas para consumidores pagarem contas em dia se esgotam

A Tarde
Sem ter como receber benefícios e pagarem as contas, aposentados são os maiores prejudicados

O saldo das greves dos Correios e dos bancos, que já se arrastam há 24 e 11 dias, respectivamente, poderá ser de grande prejuízo para osconsumidores. Isso porque, com o atraso no pagamento das contas de consumo e títulos bancários, poderão ter de enfrentar a cobrança de multas e juros.

“A nossa orientação é preventiva. As pessoas precisam buscar alternativas para pagar suas contas, como os caixas eletrônicos, internet e telefone”, adverte a diretora de Atendimento e Orientação ao Consumidor do Procon, Adriana Menezes. Caso não se consiga, segundo ela, é preciso entrar em contato com o credor e registrar todos os dados possíveis, como protocolos e horário da ligação, que provem “boa fé”.

“Se o consumidor comprovar que ele tentou pagar e não conseguiu por falta de alternativas, aí, sim, ele pode ser isentado de juros e encargos”, explica. Ainda de acordo com a diretora, o caso pode ser resolvido imediatamente, mas não havendo acordo, o consumidor terá de recorrer a processo que pode levar até três meses para ser julgado.

“O jeito é pagar os juros. A gente perde tanto tempo para resolver toda essa burocracia que acaba não exercendo nossos direitos”, lamenta o comerciário Mário Gomes, que disse ter  tentado negociar com os credores dos cartões de crédito, mas não teve êxito: nos boletos enviados para seu e-mail, os juros já estavam computados.

Dificuldades – O limite de saque e de pagamento diário nos caixas eletrônicos é outra dificuldade enfrentada pelos consumidores. “Não poderei retirar a quantia necessária para pagar todos os trabalhadores de minha construção. Eles também vão sair prejudicados”, lamenta o aposentado Aderbaldo da Silva.

Filas em caixas eletrônicos, Além da falta de dinheiro nos terminais, usuários não sabem operar

Ainda há os que têm dificuldades em operar as alternativas ofertadas pelos bancos, principalmente os idosos e analfabetos digitais. “Tenho pedido ajuda a terceiros para retirar os boletos pela internet. Mas muitas contas já estão em atraso por isso. Quem não sabe mexer nessas tecnologias fica prejudicado”, disse a dona de casa Marina Araújo.

Gincana – “Se eu não tenho entrega dos boletos nem onde pagá-los, não sou obrigado, como consumidor, a me virar em mil facetas para realizar esse pagamento”, contesta o advogado Cândido Sá. Ele afirma que é preciso uma ação cívil do Ministério Público Federal e do próprio Procon para que os consumidores não paguem juros referentes ao período de greve. Ninguém tem a obrigação de se submeter a essa gincana”, diz.

De acordo com a assessoria de comunicação do Ministério Público Federal, ainda não foi feita nenhuma representação sobre o assunto. Em nota, a Coordenadoria de Defesa do Consumidor (Codecon), assegura que os consumidores que não receberam seus boletos ou faturas antes da data de pagamento por conta da greve, estão isentos de quaisquer taxas adicionais ou juros. “Será que vão obedecer?”, questiona Mário Gomes.



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