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Escândalo: Ex-BBB 24 é flagrado burlando sistema de cotas raciais. Universidade confirma fraude e aciona Ministério Público

Matteus conseguiu ingressar na universidade por meio da Lei de Cotas para o Ensino Superior, sancionada em agosto de 2012, durante o governo de Dilma Rousseff.

O Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR) rompeu o silêncio e admitiu que o ex-BBB Matteus Amaral fraudou o sistema vestibular em 2014 e ingressou na universidade por meio do sistema de cotas raciais. Ele se autodeclarou uma pessoa preta, e por esta condição acabou conquistando uma vaga no curso de Engenharia Agrícola.

Em nota enviada, a instituição de ensino confirmou que ele se valeu deste método porque na época, a Lei de Cotas 2012 dizia que o único documento exigido para comprovação de etnia era uma declaração feita pelo próprio aluno, e que não havia nenhum mecanismo disponível para a checagem da autodeclaração. Além disso, frisou que a única maneira de rever a fraude seria por meio de alguma denúncia, que não foi feita por ninguém durante o período em que Matteus foi aluno da instituição.

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O vice-campeão do BBB 24 chegou até o quinto semestre do curso, mas declarou que abandonou os estudos para se dedicar aos cuidados de sua avó, que estava doente na época. A coluna procurou Matteus para comentar o caso, mas até a publicação deste texto ele não se manifestou.

Como ocorreu a fraude

Segue ensurdecedor o silêncio de Matteus Amaral sobre o maior escândalo pessoal que enfrenta desde que se tornou uma pessoa pública. O vice-campeão do BBB 24 fraudou o vestibular do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFAR) em 2014 ao se autodeclarar uma pessoa preta para conquistar uma vaga no curso superior de Engenharia Agrícola. E deu certo. A contradição está explícita na cor da pele do gaúcho. E a pergunta que não quer calar: como ele conseguiu burlar o sistema? A Contigo! te explica agora.

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Matteus conseguiu ingressar na universidade por meio da Lei de Cotas para o Ensino Superior, sancionada em agosto de 2012, durante o segundo ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff na presidência do país, com o objetivo de dar mais oportunidades a estudantes da rede pública e a pessoas de etnias não-brancas. O problema é que a lei abriu brechas para inúmeras fraudes em diversas instituições públicas de ensino superior, porque a única documentação exigida para comprovar que o candidato fosse uma pessoa “preta” ou “parda”, por exemplo, era uma autodeclaração. Simples assim. Bastava o estudante se autodenominar desta forma que ele ganhava preferência na lista de aprovados.

E foi desta maneira que Matteus Amaral conseguiu burlar o sistema vestibular do IFFAR para conseguir uma vaga no curso de Engenharia Agrícola em 2014. Ele chegou até o quinto semestre, mas precisou abandonar os estudos para cuidar de sua avó, que apresentava problemas de saúde. É visível que Matteus não é uma pessoa preta. Em sua passagem pelo BBB 24, por diversas vezes ele apareceu apenas de sunga, deixando a pele de todo o corpo exposta, e a branquitude de sua tez era reluzente. Acontece que em 2014, o IFFAR não tinha mecanismos legais para captar as fraudes dos autodeclarados pretos no processo vestibular. Em nota enviada à Contigo!, a instituição de ensino afirmou que estes casos só poderiam ser investigados mediante denúncias feitas por terceiros. E como isso nunca foi feito durante a passagem de Matteus por lá, ele passou ileso e despercebido.

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Mas com o crescente volume de fraudes detectadas ao longo dos anos, o governo federal autorizou que as instituições de ensino criasse comitês próprios de heteroidentificação, um procedimento complementar à autodeclaração que consiste na percepção social de outras pessoas sobre as autoidentificações étnico-raciais. À coluna, o IFFAR disse que implantou o sistema de heteroidentificação em 2022 para as turmas que se iniciaram em 2023. Atualmente, a universidade conta com três pessoas titulares e duas suplentes, que atuam em todos os processos de seleção dos estudantes.

// Contigo!



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