O protesto ganhou contornos dramáticos no início da manhã de quarta-feira (3), quando os trabalhadores tentaram bloquear o acesso à unidade para forçar o diálogo.

O complexo industrial da BYD (Build Your Dreams), situado na Região Metropolitana de Salvador, tornou-se palco de um impasse trabalhista que já dura três dias. Nesta quinta-feira, operários da construção civil e do setor metalúrgico mantiveram a paralisação das atividades, exigindo a abertura imediata de negociações com a gerência da montadora chinesa.
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O movimento, que ocorre em sintonia com a mobilização nacional convocada pelo Movimento Luta de Classes (MLC) e pela Unidade Popular pelo Socialismo (UP) contra a escala de trabalho 6×1, expõe uma série de gargalos na infraestrutura e no pagamento dos funcionários.

O protesto ganhou contornos dramáticos no início da manhã de quarta-feira (3), quando os trabalhadores tentaram bloquear o acesso à unidade para forçar o diálogo. Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, o ambiente tornou-se hostil com a chegada de seis viaturas da Polícia Militar da Bahia, havendo relatos de ameaças de uso de força e gás de efeito moral contra os manifestantes que se aglomeravam pacificamente nos portões da fábrica.

A greve atinge diretamente os funcionários das empresas terceirizadas que prestam serviço no local, especificamente a Terra Construções, Falcão, Valtec e Engenova. A pauta de reivindicações vai muito além da questão da jornada de trabalho, tocando em pontos cruciais de dignidade humana e direitos trabalhistas básicos.
Infraestrutura precária e longas caminhadas
Um dos pontos mais críticos levantados pelos grevistas diz respeito à mobilidade interna e às condições sanitárias.

Os trabalhadores denunciam que são obrigados a caminhar mais de 4 quilômetros dentro do complexo industrial para chegar aos postos de trabalho, devido à escassez de ônibus internos. Além disso, a pauta exige a instalação urgente de bebedouros, construção de vestiários adequados, fumódromos e a disponibilização de mais banheiros químicos, com garantia de limpeza, visto que a estrutura atual é considerada insalubre.
Defasagem salarial e custos altos
No aspecto financeiro, a insatisfação é generalizada. Os operários exigem o pagamento de 30% de adicional de insalubridade e denunciam uma disparidade no piso da categoria. De acordo com as lideranças do movimento, o piso salarial atualizado deveria ser de R$ 2.658,00, mas as empresas terceirizadas estariam pagando apenas R$ 2.558,00 — uma defasagem mensal de R$ 100,00 por trabalhador.

Além da regularização dos salários e do fim dos atrasos no pagamento das cestas básicas, o grupo cobra aumento nos auxílios alimentação e transporte. Muitos relatam que o valor atual é insuficiente, obrigando-os a desembolsar até R$ 600,00 do próprio salário para cobrir os custos de deslocamento de quem mora longe. O movimento promete manter a mobilização até que a montadora e as empresas terceirizadas apresentem soluções concretas para o fim do assédio moral e o atendimento das demandas de infraestrutura e remuneração.











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