Conquista: Dois grandes estabelecimentos fecham as portas no Centro. PMVC nega que Zona Azul seja a causa
Supermercado Rondelli encerra atividades na Av. Crescêncio Silveira dias após saída da Le Biscuit; Prefeitura atribui queda nas vendas à sazonalidade.

O cenário comercial do centro de Vitória da Conquista atravessa um momento de transformação e incerteza neste início de 2026. Em um intervalo curto de tempo, a região central da “Suíça Baiana” sofreu duas baixas significativas de marcas tradicionais, levantando debates sobre a vitalidade do comércio de rua frente à expansão dos shoppings e às novas regras de trânsito. A mais recente perda foi confirmada nesta semana com o encerramento das atividades do Supermercado Rondelli na Avenida Crescêncio Silveira. Localizada em um ponto estratégico, ao lado do Shopping Popular (antiga Feira do Paraguai), a unidade realizou diversas promoções de queima de estoque nos últimos dias antes de baixar as portas definitivamente.
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Com a decisão, a rede passa a concentrar suas operações na unidade da Avenida Olívia Flores, área nobre da cidade. O fechamento do supermercado ocorre na esteira de outra saída impactante: a da loja Le Biscuit da Avenida Lauro de Freitas. A varejista, que por anos foi referência no centro, optou por manter apenas sua operação no Shopping Conquista Sul.
O fator Zona Azul
A coincidência entre os fechamentos gerou apreensão entre empresários e consumidores. Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, a saída de uma marca consolidada como a Le Biscuit, agora seguida pelo Rondelli, reforça a sensação de esvaziamento do comércio de rua, um temor crescente entre aqueles que dependem do fluxo diário de clientes na região central.

Nos bastidores, comerciantes apontam que o acesso ao Centro tornou-se “tenso” nos últimos meses. O novo sistema de estacionamento rotativo, a Zona Azul, deixou de ser visto apenas como uma ferramenta de organização urbana e passou a ser citado como um fator de inibição de consumo. O receio de multas, cobranças extras e a rigidez na fiscalização estariam afastando a clientela.
Prefeitura nega crise e ajusta regras
Diante das especulações de que o rigor no trânsito estaria prejudicando a economia local, a prefeita Sheila Lemos se posicionou. Em declaração repercutida pela imprensa local, a gestora rechaçou a conexão entre a Zona Azul e o fechamento de lojas ou queda de movimento.

“Não teve queda no geral de venda agora em janeiro. É falácia dizer que o comércio não está vendendo porque as pessoas estão com medo de vir no comércio. O comércio está vendendo o mesmo tanto que vende em todo janeiro”, afirmou a prefeita. Para a administração municipal, a percepção de movimento fraco é explicada por fatores sazonais típicos do início de ano, quando as famílias priorizam gastos com material escolar e viagens de férias.
Apesar da negativa oficial sobre o impacto econômico, a pressão popular surtiu efeito na operação do sistema. Após uma enxurrada de críticas de motoristas revoltados com as penalidades, a Prefeitura anunciou um recuo estratégico e modificou as regras da Zona Azul. Entre as alterações implementadas para amenizar a insatisfação, destaca-se a mudança na Tarifa de Pós-Utilização e a ampliação do tempo máximo de permanência nas vagas, que subiu de duas para três horas. Resta saber se as medidas serão suficientes para estancar a sensação de insegurança dos consumidores e garantir a permanência das grandes redes que ainda resistem no coração da cidade.







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