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Com paralisação, Polícia Civil baiana abandona vigilância de Barral

do A Tarde
Mansão onde a polícia prendeu o advogado Carlos Barra, nesta sexta-feira, acusado de pedofilia

Se o advogado investigado por pedofilia, Carlos Eduardo Vilares Barral, quisesse dar um passeio pela rua durante esta segunda-feira, poderia fazê-lo livremente, mesmo estando em vigor sua prisão domiciliar. Ao longo de todo o dia, a residência dele, no décimo andar do luxuoso Edifício Mansão Carlos Costa Pinto, no Corredor da Vitória, ficou sem qualquer vigilância da Polícia Civil.

Por volta das 10h20, a viatura e dois policiais que estavam de plantão na porta do prédio foram retirados do posto por lideranças do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindipoc), que realizavam uma paralisação de 24 horas. Eles foram levados de volta à Polinter (Piedade).

“Eles (sindicalistas) não me avisaram sobre a retirada da viatura e fizeram de forma abrupta. Então, agora vou ouvir a dupla que estava de plantão e comunicar o delegado-geral. O que ele determinar, será executado”, afirmou o delegado da Polinter Joelson dos Santos Reis.

Mesmo se estivessem de plantão do lado de fora do prédio – uma vez que foram desautorizados pela síndica a permanecer no pátio interno do edifício –, os policiais não teriam como fazer o trabalho bem feito. “Eu nem sei como é o rosto desse cara”, desabafou, sem se identificar, um dos agentes que fizeram o plantão durante o período da prisão domiciliar.

Segundo o policial, se quisesse, o advogado também poderia sair na mala do carro ou deitado no banco de trás. “Se pararmos todos os carros, pode ser que alguém nos processe e a polícia não assuma isso”, justificou o policial. O agente lembrou que Barral também poderia sair por um píer nos fundos, que não estava sendo policiado.

Entre moradores de edifícios vizinhos surgiram até comentários de que o advogado teria saído em um barco. A reportagem de A TARDE ligou para a residência de Carlos Barral e foi informada, por uma mulher que não quis se identificar, de que o advogado estaria no apartamento, descansando, e que, por esta razão, não poderia falar.

O delegado-geral da Polícia Civil, Joselito Bispo, afirmou que tudo está “sob controle”. Questionado sobre a fragilidade do esquema para manter o advogado em casa, Joselito Bispo afirmou que a estratégia posta em prática pela polícia impedia a possibilidade de fuga.

“Não podemos revelar, mas não tem como ele fugir. Dentro do planejamento está tudo sob controle. As afirmações dos policiais não preocupam”, disse Bispo.



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