Tradição judaica: Em carta, família explica por quê não haverá velório como último desejo de Silvio Santos
Uma nota oficial foi emitida em nome da família do apresentador, que morreu neste sábado (17/8), aos 93 anos, em São Paulo.

A família Abravanel emitiu uma carta a respeito da morte de Silvio Santos. No texto, as filhas do apresentador revelaram um pedido feito pelo comunicador antes do falecimento. “Ele pediu para que assim que ele partisse, que o levássemos direto para o cemitério e fizéssemos uma cerimônia judaica. Ele pediu para que não explorássemos a sua passagem. Ele gostava de ser celebrado em vida e gostaria de ser lembrado com a alegria que viveu”, disseram em nota.
A carta da família confirma as informações apuradas pela coluna Fábia Oliveira. Mais cedo, contamos aqui que o corpo do apresentador Silvio Santos não será velado e será enterrado em um cemitério próprio do artista. Leia a nota completa:

“Colegas de auditório, colegas de uma vida, o que dizer para vocês nesse momento? Acreditamos que muitos de vocês estejam compartilhando da mesma saudade que nós hoje estamos sentindo. Queremos dizer para vocês que por muitas vezes, ao longo da vida, a medida que nosso pai ia ficando mais velho, ele ia expressando um desejo com relação à sua partida. Ele pediu para que assim que ele partisse, que o levássemos direto para o cemitério e fizéssemos uma cerimônia judaica. Ele pediu para que não explorássemos a sua passagem. Ele gostava de ser celebrado em vida e gostaria de ser lembrado com a alegria que viveu. Ele nos pediu para que respeitássemos o desejo dele. E assim vamos fazer. Por este motivo, pedimos a compreensão de todos vocês. De guardar na memória tudo de bom que ele fez e de tantas alegrias que ele nos trouxe ao longo dos anos. Ele foi muito feliz com tudo que fez. E sempre fez tudo do fundo do seu coração. Ele amou o Brasil e os brasileiros“. O texto da família Abravanel também foi lido durante a programação do SBT.
Como é o funeral judaico?
Para os judeus, a alma é algo eterno. Cada um está na Terra por uma missão a cumprir. A morte é só o fim do que é material. Assim como muitas religiões, o judaísmo tem várias crenças concernente à morte e sua preparação. Seus rituais são cheios de simbolismos e práticas antigas. Anunciada a morte de um judeu, a primeira providência da família é comunicar o Chevra Kadisha. Este é um grupo de voluntários que orienta e realiza todos os procedimentos funerários. Eles ajudam no Tahara, a preparação do corpo, também conhecido como momento de purificação.

Orações fúnebres são recitadas em hebraico. Pela lei judaica, o corpo deve ser sepultado o mais breve possível, de preferência no mesmo dia da morte. Para eles, a alma não consegue descansar até ser sepultada. Apenas em situações incomuns é que isso é atrasado. Seguindo os rituais fúnebres no judaísmo, o corpo deve ser sepultado em um caixão simples, sem ornamentos. Uma Estrela de Davi na parte superior, assim como as iniciais do morto, serão as únicas marcações no caixão. Isso porque a tradição diz que todos devem ir como iguais, sem distinção de riqueza.
Judeus aceitam a cremação?
No geral, não. Como regra geral, o judaísmo é uma das religiões que não aceitam cremação. A religião entende que o ato era originalmente um ritual pagão e a lei judaica proíbe a mutilação do corpo. Segundo a crença, é levado um tempo até que a alma se separe por completo da carne. O processo, assim, deve seguir a decomposição natural do corpo. A cremação separaria, de maneira brusca e dolorosa, os elementos carnais e espirituais.







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