BBAS3: Ações do Banco do Brasil despencam na Bolsa após resultados fracos. Analistas cortam recomendações
Nesta sexta-feira, as ações do Banco do Brasil registravam queda de 12%, cotadas a R$ 25,76, em meio à decepção com os resultados financeiros divulgados na noite anterior.

O mercado reagiu com força após o Banco do Brasil divulgar um lucro líquido de R$ 7,8 bilhões no último trimestre, uma queda de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior e bem abaixo do consenso projetado pelos analistas, que esperavam algo em torno de R$ 9 bilhões. Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, nem mesmo os cenários mais pessimistas consideravam uma cifra tão baixa, o que ampliou ainda mais a surpresa negativa.
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A combinação de fatores adversos impactou diretamente os resultados da instituição. Além da piora na inadimplência do agronegócio – risco que já vinha sendo monitorado desde o terceiro trimestre de 2024 –, a Resolução nº 4.966, uma mudança regulatória que exigiu maior provisão por parte do banco, pressionou margens financeiras e reduziu o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Diante desse cenário, o próprio Banco do Brasil interrompeu suas projeções de lucro, margem financeira bruta e custo de crédito para o próximo ano.
Analistas rebaixam perspectivas
A reação do mercado foi imediata. O Bradesco BBI cortou sua recomendação para as ações do BB de compra para neutra, fixando um preço-alvo de R$ 31, o que representa um potencial de alta de apenas 5%. Já a Genial seguiu o mesmo caminho, rebaixando sua recomendação de compra para neutra, com preço-alvo ajustado para R$ 31,40, quase R$ 10 abaixo da estimativa anterior.

Os analistas argumentam que as mudanças contábeis impostas pela nova regulamentação, somadas à revisão do guidance do banco para 2025, aumentaram significativamente a incerteza em relação à qualidade dos ativos e aos segmentos operacionais. O Bradesco BBI também revisou para baixo suas projeções de lucro para os próximos dois anos: agora espera R$ 32,6 bilhões para 2025 e R$ 36,1 bilhões para 2026, números que estão 16% e 13% abaixo do consenso do mercado, respectivamente. “Refletindo principalmente o crescimento mais fraco da margem financeira líquida e o aumento das despesas com provisões”, afirmou a casa em relatório.
Perspectivas sombrias para 2025
A Genial Investimentos destacou que o ciclo de crédito rural deve se tornar ainda mais desafiador nos próximos meses. “Há expectativa de agravamento do ciclo de inadimplência em algumas carteiras no segundo semestre, pressões persistentes sobre a qualidade dos ativos no agronegócio e maior dificuldade de crescimento de receita”, escreveram os analistas. Com um ROE sustentável projetado em 16,5% e um custo de capital estimado em 18,05%, a instituição avalia que o valuation atual do papel, negociado a 0,89x P/VP (preço sobre valor patrimonial) para 2024, não compensa os riscos associados ao ciclo de crédito rural. Apesar da atratividade numérica, a casa adotou uma postura mais cautelosa frente às incertezas futuras. Enquanto isso, investidores aguardam novas diretrizes da gestão do Banco do Brasil para mitigar os impactos da tempestade perfeita que assola seus resultados. Resta saber se as medidas serão suficientes para recuperar a confiança do mercado e evitar novas quedas nas ações da estatal.






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