“Galhos, folhas, cascas e pedras”: O que a Anvisa encontrou nas marcas de bebidas “sabor café” que tiveram venda proibida
Uma substância encontrada nos produtos, a ocratoxina A, está associada a danos renais e risco aumentado de câncer; Ministério da Agricultura já havia alertado sobre irregularidades em maio.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta segunda-feira (2) a proibição imediata da fabricação, venda, distribuição e propaganda de três marcas de “pó para preparo de bebida sabor café”, conhecidas popularmente como “café fake”. As marcas envolvidas são Melissa , Pingo Preto e Oficial , que foram barradas após análises apontarem a presença da ocratoxina A (OTA) , uma toxina produzida por fungos altamente nociva à saúde humana.
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Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, a decisão da Anvisa se baseia em laudos técnicos que identificaram não apenas a contaminação por OTA, mas também irregularidades graves na composição dos produtos. Os itens, que estavam sendo comercializados como se fossem café torrado e moído, utilizavam ingredientes de baixa qualidade, incluindo grãos crus, resíduos vegetais e até matérias estranhas, como areia e pedras — bem acima do limite permitido pela legislação vigente.
As mesmas marcas já haviam sido desclassificadas pelo Ministério da Agricultura no dia 25 de maio deste ano, por apresentarem padrões impróprios para consumo humano. Na ocasião, a pasta informou que os produtos continham impurezas superiores a 1%, índice considerado inaceitável. O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), Hugo Caruso, chegou a definir os insumos usados nas fórmulas como “lixo da lavoura”. Além disso, análises laboratoriais detectaram a presença de matérias estranhas (como sementes de ervas daninhas e partículas minerais) e impurezas vegetais (folhas, cascas e galhos), evidenciando que as amostras não correspondiam ao que era prometido na embalagem. Em nota, a empresa responsável pelo produto Melissa, a Duas Marias, afirmou que o item “não é comercializado nem rotulado como ‘café torrado e moído'” e que utiliza uma “formulação alternativa legalmente permitida”.
A ocratoxina A afeta principalmente os rins e está associada ao desenvolvimento de doenças renais crônicas, além de possíveis tumores urinários e inflamações. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela também pode prejudicar o sistema imunológico e causar impactos no desenvolvimento fetal. Apesar de a relação entre a toxina e doenças em humanos ainda ser alvo de estudos, há consenso científico sobre seus efeitos deletérios em animais. O Ministério da Agricultura orienta que consumidores que tenham adquirido os produtos listados suspendam seu uso imediatamente. É possível solicitar a substituição ou devolução com base no Código de Defesa do Consumidor. Caso alguém encontre os itens ainda nas prateleiras, o órgão recomenda informar o caso por meio do canal Fala.BR, indicando o nome e endereço do estabelecimento onde foi feita a compra. Até o momento, as demais empresas responsáveis pelas marcas mencionadas não responderam aos contatos da reportagem. A Anvisa determinou que todos os lotes dos produtos sejam recolhidos de imediato, sob pena de sanções legais.









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