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Moradora de Minas Gerais fica em estado gravíssimo após aplicar caneta “Lipoless”, o “Mounjaro do Paraguai”

Substância proibida pela Anvisa é vendida livremente nas redes sociais; mulher de 42 anos enfrenta graves complicações neurológicas e respiratórias após o uso.

A busca pelo emagrecimento rápido cobrou um preço alto de uma moradora de Minas Gerais, atualmente internada em estado grave após a utilização de um fármaco clandestino. O produto, comercializado sob o nome de “Lipoless” e apelidado informalmente de “Mounjaro do Paraguai”, não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sua venda é estritamente proibida em território nacional. A vítima, Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, recorreu ao medicamento acreditando tratar-se de tirzepatida, a mesma molécula presente em remédios regulamentados para diabetes e obesidade. No entanto, o que deveria ser um tratamento estético transformou-se em um pesadelo médico.

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A paciente deu entrada no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, apresentando um quadro severo que evoluiu para insuficiência respiratória e comprometimento neurológico. O comércio dessas “canetas emagrecedoras” ocorre à luz do dia no ambiente virtual. Mesmo com as restrições sanitárias vigentes desde o ano passado, plataformas como Facebook e Instagram abrigam centenas de anúncios do produto. Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, a facilidade de acesso é alarmante: vendedores oferecem a droga ilegal com um “cardápio” de dosagens e entrega domiciliar, sem exigir qualquer tipo de prescrição médica, com preços que variam entre R$ 600 e R$ 2 mil.

Especialistas alertam que o risco vai muito além da falta de eficácia. Por ser trazido ilegalmente da fronteira, muitas vezes transportado por motoboys ou oculto junto ao corpo para burlar a fiscalização, o medicamento perde sua estabilidade térmica e química. O endocrinologista Rodrigo Lamounier destaca que, sem o aval da Anvisa, não há garantia alguma sobre a composição da substância, expondo os usuários a riscos biológicos e contaminantes desconhecidos.

Canetas proibidas no Brasil são anunciadas nas redes sociais com 'cardápio' e sem exigência de prescrição médica — Foto: Arte/g1

O caso de Kellen ilustra tragicamente esses perigos. Após uma primeira internação em meados de dezembro com dores abdominais, ela recebeu alta, mas retornou dias depois com sintomas devastadores, incluindo fraqueza muscular extrema e urina escura, indicativos de intoxicação grave. A família, que agora acompanha a luta da paciente pela vida, relata desconhecer a procedência exata do frasco utilizado, evidenciando a armadilha silenciosa do mercado negro de medicamentos.

De onde vem a Lipoless

A patente da molécula do Mounjaro é da farmacêutica Eli Lilly. Isso impede que qualquer outra empresa produza a substância enquanto a empresa tiver essa permissão válida. O que acontece é que o Paraguai não respeita a patente. Com isso, uma farmacêutica local passou a produzir e vender medicamentos de tirzepatida. Como o Brasil respeita a patente, a Lipoless não pode ser vendida no país. Mas os especialistas alertam que é mais do que isso: sem passar por uma avaliação sanitária, é impossível saber da segurança do medicamento. Um medicamento precisa cumprir requisito bioquímico, saber que não há risco biológico, risco de qualquer contaminante. Da forma como ele é feito, tudo isso é precariamente fiscalizado. — Rodrigo Lamounier, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). O especialista ainda alerta que não há qualquer monitoramento sobre a substância (se o que é vendido é o que de fato é anunciado) ou das dosagens — o que é um risco ainda maior se há um uso sem prescrição médica.



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