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Oficial preso por morte de juíza integrava grupo de extermínio, diz delegado

R7

Tenente-coronel estava prestes a ser preso por ordem de juíza assassinada.

Ex-comandante foi acusado por outro PM de ser o mandante de morte da juíza Patrícia Acioli

O delegado-titular da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, Felipe Ettore, que investiga a morte da juíza Patrícia Acioli, morta no dia 11 de agosto, disse nesta terça-feira (27) que o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira mandou matar a magistrada porque ela estava prestes a prendê-lo sob a acusação de participar de um grupo de extermínio e corrupção formado por policiais militares do 7º batalhão do qual era comandante.

– Ele [Oliveira] encomendou [a morte] aos seus subordinados como uma forma de afastar uma possível prisão que aconteceria mais cedo ou mais tarde. Ela estava no encalço dele por corrupção e participação em execuções em grupos de extermínio.

Oliveira comandava o Batalhão de São Gonçalo (7º BPM) na época em que Patrícia foi morta. Recentemente ele estava a frente do 22º Batalhão, na Maré, zona norte do Rio, de onde foi foi exonerado. Ele foi preso na madrugada desta terça-feira por suspeita de mandar matar. Oliveira alega que é inocente. – Eu acredito na Justiça. Sou inocente e tenho certeza que isso será provado. O titular de Homicídios disse que deve concluir o inquérito dentro de 15 dias. Falta ouvir algumas pessoas, segundo o delegado.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, Oliveira apresentava bons resultados. Ele foi substituído do 7º batalhão no último dia 2 pelo coronel Djalma Beltrami, no entanto, o secretário disse que a troca não teve como objetivo afastar Oliveira por desempenho ruim.

– O Claudio já demonstrava bons resultados tanto no 7º tanto quando à frente do 22º batalhão.

O juiz Peterson Barroso Simões decidiu decretar a prisão do tenente-coronel Oliveira após ouvir o depoimento de um dos dois cabos presos. O cabo, que estaria ameaçado de morte, resolveu contar tudo e participar de uma antecipação de prova, obtendo o direito à delação premiada (que inclui provável redução de pena).

Ele teria dito que usou duas pistolas no crime. A perícia da Polícia Civil constatou que Patrícia foi assassinada com 21 tiros de pistolas 40 e 45 e de revólver 38. De acordo com a investigação, as munições usadas no crime foram desviadas do 7º BPM.

Questionado sobre a delação premiada, o tenente-coronel Oliveira disse não ter “conhecimento de nenhum depoimento”.

Ele deve cumprir a prisão temporária em Bangu 8, no complexo penitenciário de Gericinó, zona oeste do Rio. Ele teve a prisão decretada com outros seis policiais militares, também suspeitos de participar da morte da juíza. Segundo a assessoria de imprensa da PM, todos os envolvidos foram presos.

Suspeito de ser o mandante do assassinato, Oliveira está detido na carceragem do Batalhão de Choque, no centro da cidade, desde o início da madrugada. Ele teve a prisão temporária de 15 dias decretada no fim da noite de segunda-feira (26) pela 3ª Vara Criminal de Niterói, na região metropolitana.

Os seis PMs, que atuavam no Batalhão de São Gonçalo sob a tutela do então comandante, faziam parte do GAT (Grupamento de Ações Táticas) e também são suspeitos de forjar um auto de resistência para acobertar a morte em junho de Diego Belieni, 18 anos, morador do morro do Salgueiro, em São Gonçalo.

Outros três policiais militares, detidos no dia 12 deste mês, já estão presos por suspeita de participação na morte da juíza e no assassinato do jovem do Salgueiro. O tenente Daniel Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jeferson de Araújo Miranda estão em unidades prisionais diferentes para evitar que combinem versão para depoimentos futuros. Com as novas prisões, sobe para dez o total de suspeitos.

Corregedoria da PM

O corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes disse que, por enquanto, não será instaurado um procedimento administrativo para apurar a conduta do tenente-coronel e dos outros seis PMs.

– Por enquanto, o que temos é o mandado de prisão. Não tivemos acesso a nenhum documento que tenha informações suficientes para instaurar um procedimento. O processo corre sob segredo de Justiça.

O processo administrativo dura cerca de 40 dias para ser concluído. A Polícia Militar, no entanto, não tem competência para demitir oficiais, o que cabe à Justiça. Antes, a situação do oficial passa por uma avaliação do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Já os praças (soldados, cabos e sargentos) podem ser expulsos da corporação por determinação do comandante-geral. A Corregedoria da PM recebeu o mandado de prisão contra o tenente-coronel no fim da noite da última segunda-feira (26).

Cláudio Luiz Oliveira se apresentou no Batalhão de Choque a pedido do comandante-geral, coronel Mário Sérgio Duarte.
Com a prisão de Cláudio Luiz de Oliveira, o sub-comandante do 22º BPM, tenente-coronel Isidro, assume a unidade. O tenente-coronel preso tinha 26 anos de Polícia Militar e, atualmente, não respondia a nenhum processo na Corregedoria.



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