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Greve mostrou como a PM é importante, avalia arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger

Rede Bahia | G1

Líder religioso prega o “perdão” entrem PMs, governo e a população. Dom Murilo Krieger participou de dois encontros entre governo e grevistas.

O arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, que participoude duas reuniões para auxiliar nas negociações entre policiais militares grevistas e governo do estado, declarou em entrevista exclusiva à TV Bahia que o movimento, embora conflituoso, mostrou o papel fundamental da PM na socidade.

“A gente viu como a Polícia Militar é importante para nos dar segurança, para nos dar paz, como nós precisamos dela e como exerce papel imprescindível. Não poderíamos viver outros momentos semelhantes porque é muita dor, muito sofrimento e eu diria até muita morte”, declarou. O líder religioso também falou em perdão entre as três partes envolvidas nos 12 dias de greve. “Governo, militares e o povo. Todo mundo sai um pouco ferido”, disse. “Há um bem que é a sociedade”, completou Krieger.


Movimento ‘vitorioso’
A Associação de Policiais Militares, Bombeiros e Seus Familiares (Aspra), entidade que manteve a greve da categoria até o 12º dia na Bahia, emitiu nota oficial informando que a decisão pelo fim da paralisação foi tomada porque o movimento terminaria “vitorioso”. Segundo o documento, assinado pelo setor de assistência jurídica da associação, a greve “repercutiu na sociedade baiana e a nível nacional, mostrando uma categoria firme na sua insatisfação com os baixos soldos e as promessas do governo não cumpridas”.

Os representantes da Aspra afirmam que não colocaram “seus interesses acima dos da sociedade”. A nota ressalta ainda a postura dos policiais ligados à Aspra de evitar confronto com homens do Exército, que fizeram o cerco à Assembleia Legislativa da Bahia durante os dez dias em que o órgão público esteve tomado pelos grevistas.

Decisão
Na noite de sábado, policiais militares decidiram encerrar a greve na Bahia, que já completava 12 dias. A desarticulação total do movimento aconteceu a cinco dias do início docarnaval de Salvador. O grupo que participou do encontro havia insistido na manutenção da greve mesmo após desocupação da Assembleia Legislativa e da convocação oficial do governo do estado para o retorno imediato ao trabalho.

Na saída da assembleia, manifestantes cantavam em coro “A PM voltou” e a maioria não quis conversar com a imprensa. Um deles disse que a “greve acabou pelo bem da sociedade”. Segundo PMs, cerca de 300 pessoas participaram da reunião, entre policiais e familiares.

A decisão na noite de sábado contou com a mediação do deputado estadual Capitão Tadeu Fernandes. Segundo ele, o principal argumento utilizado com os líderes do movimento foi a garantia dada pelo governo de não aplicar punições administrativas aos policiais que não retornaram ao trabalho. “Os líderes estavam querendo resolver essa questão. Eu fui apenas um mediador. Fui chamado para conversar com o comandante [coronel Alfredo Castro] e com os grevistas. Enquanto não conversasse com os líderes aqui, não teria solução”, disse.

O policial militar Ivan Leite, que representava a categoria em greve, disse que a garantia de não haver punição administrativa foi fundamental. “As negociações continuam, mas ninguém estava ganhando com essa paralisação. Vamos parar por nossos irmãos baianos. Não é por causa do carnaval. Vamos fazer policiamento desde agora”, declarou.

Após a assembleia, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Alfredo Castro, e o secretário de Comunicação do Estado, Robson Almeida, receberam a imprensa para fazer comunicado oficial sobre a manutenção da proposta do governo com relação ao reajuste de 6,5% e o pagamento escalonado das gratificações.

Interior
Policiais militares grevistas decidiram encerrar a paralisação no final da tarde de sábado, nas cidades de Itabuna, Eunápolis, Teixeira de Freitas e Porto Seguro, segundo informações da Associação dos Praças Policiais Militares do extremo sul da Bahia (Apratef). PMs de Paulo Afonso, na região norte do estado, também decidiram encerrar a paralisação. Em Ilhéus, os grevistas continuam ocupando o 2º Batalhão da Polícia Militar. A juíza da Infância e Juventude já determinou a retirada das crianças que estão no local acompanhando os pais.

Desde o dia 31 de janeiro, quando a paralisação no estado começou, o movimento se estendeu para cidades no interior do estado. Em todas as regiões, houve mudanças na rotina dos moradores, com o fechamento de escolas, universidades, fóruns e outros órgãos públicos.



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