do G1
‘Sou humano, estou sofrendo’, disse sobre possibilidade de voltar atrás. Governador interino diz que precisa do apoio de deputados distritais.
O governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), disse nesta quinta-feira (18) em entrevista ao G1 que não terá condições de continuar no cargo se não tiver o apoio da Câmara Legislativa. Nesta noite, ele se reúne com deputados distritais. Antes de seguirem para o Palácio do Buriti, sede do governo, os parlamentares disseram que se encontrariam com Octávio para dizer que não existe sustentação para que ele continue no governo.

“Vou ouvi-los [os deputados] com atenção. Preciso do apoio da Câmara. Sem apoio não dá para continuar [no governo]”, disse o governador interino. Paulo Octávio afirmou ainda que está “sofrendo” e não descartou voltar atrás na decisão de continuar no cargo nos próximos dias.“Sou humano, estou sofrendo. É um momento difícil. Vamos ver. Eu espero poder trabalhar”, disse Octávio.
O governador interino enfrenta problemas na Câmara. Nesta noite, os deputados distritais resolveram acelerar a tramitação dos três processos de impeachment do governador interino aceitos pela Procuradoria da Casa pela manhã.
Na tarde desta quinta, Paulo Octávio anunciou a decisão de permanecer no cargo até que o Supremo Tribunal Federal decida sobre o pedido de intervenção federal no DF. O pedido foi protocolado pela Procuradoria-Geral da República e deve ser decidido depois que a Câmara Legislativa enviar informações solicitadas pelo relator do caso no STF, Antonio Dias Toffoli. No pronunciamento, Octávio afirmou que tinha uma carta de renúncia pronta, mas decidiu ficar em nome da “governabilidade” e para lutar contra a intervenção federal.
Sobre a possibilidade de desfiliação, o governador interino afirmou que vai resolver a questão nesta sexta-feira (19) e confirmou ter comunicado o líder do partido no Senado, José Agripino (RN), que pretende deixar o DEM. Nesta quinta, Paulo Octávio comunicou a Agripino que vai pedir sua desfiliação do partido. Octávio telefonou para o senador, que acompanhava uma missa de sétimo dia em Natal, e disse que vai deixar o DEM.
O governador interino segue assim os passos do governador afastado, José Roberto Arruda, que pediu desfiliação do partido quando a legenda ameaçava expulsá-lo.
Apoio
Paulo Octávio disse que decidiu ficar no cargo depois de receber apelo de políticos e dos brasilienses. “Recebi 2 mil e-mails da população em geral, mais de dez presidentes de partidos estiveram comigo, como o do PMDB, e tantos outros. Deputados me procuraram, secretários de governo, membros do Executivo e do Judiciário”, disse.
Questionado sobre quais membros do Poder Judiciário, do Congresso e do Executivo o haviam visitado ou telefonado para oferecer apoio, Octávio disse que não poderia falar. “São amigos, não posso expor”, afirmou.
Paulo Octávio reiterou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fez “qualquer recomendação” para que ele permanecesse no cargo. Durante o pronunciamento, o governador disse: “Fico mais alguns dias, como me recomendou o presidente Lula, para que possamos ter um quadro das decisões da Justiça na próxima semana”. O Planalto negou que o presidente tivesse feito recomendações.
“Aquilo foi uma interpretação equivocada. No encontro, Lula disse que ele vai aguardar as decisões judiciais. Não fez recomendação. Eu decidi aguardar as decisões”, afirmou o governador.













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