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PSB enterra pré-candidatura de Ciro Gomes à presidência e confirma que apoio do partido vai para Dilma

do Veja.com
Roberto Amaral (à esquerda) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, respectivamente vice-presidente e presidente do PSB, anunciam a decisão de apoiar a candidatura de Dilma

A polêmica em torno da candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência finalmente chegou ao fim. Em reunião na tarde desta terça-feira na sede do PSB em Brasília, a cúpula do partido decidiu oficializar a desistência da candidatura própria e optar por um arranjo eleitoral com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e de sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff. Em outras palavras: anunciou que não apoiará as pretensões de Ciro ao Planalto.

Após uma reunião que durou quase três horas, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, anunciou em entrevista coletiva a decisão do PSB: “Abrimos novas e concretas vias no crescimento do processo partidário. A melhor opção no momento é o PSB não disputar a Presidência da República”. Segundo Campos, a leitura dessa conjuntura política foi feita nos 27 estados, junto aos movimentos sociais. “Tivemos 20 estados que decidiram por não ter candidatura e apenas sete estados decidiram ter candidatura”.

O presidente do PSB explicou que a hora é de fortalecer o partido “nas eleições estaduais e no Senado” e disse ainda que já comunicou a decisão da Executiva a Ciro Gomes, por telefone. “Ciro está no Rio de Janeiro. Falei com ele por telefone, comuniquei a decisão e ele me disse que já estava preparando uma nota para falar sobre isso”, disse Campos.

A assessoria do deputado afirmou a VEJA.com que Ciro não vai dar entrevista sobre o assunto. Ele divulgará apenas uma nota oficial para comentar a decisão do PSB. No entanto, não se sabe se essa nota será divulgada ainda hoje.

Negociações – No final da última semana, conversas entre PSB e PT já apontavam para a desistência da candidatura própria, mas o encontro de vários integrantes da Executiva Nacional do partido em reunião de assunto único serviu, como esperado, para oficializar o processo. Na última sexta-feira, o PSB chegou a cobrar uma contrapartida do PT e do presidente Lula, reivindicando garantias de que os petistas iriam ajudar a formação de coligações fortes em estados como São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Piauí e Amapá.

Em entrevista ao jornal SBT Brasil, na sexta-feira, Ciro Gomes disse que “espernearia” até a manhã desta terça-feira para que o PSB apoiasse sua candidatura. No entanto, também afirmou que somente o partido poderia impedi-lo de se lançar candidato. A VEJA.com, garantiu, logo após a entrevista, que se ausentaria da reunião em que seu destino político seria selado.

Para deixar “os companheiros à vontade para decidir”, Ciro cumpriu a promessa: não apareceu. Horas antes da decisão do PSB, acrescentou um trecho de um poema ao polêmico texto publicado em seu site há duas semanas.

Com o título “A história acabou?”, Ciro lamentava: “A pouco mais de 60 dias do prazo final para as convenções partidárias que formalizam as candidaturas às eleições gerais de 2010, não consigo entender o que quer de mim o meu partido – o Partido Socialista Brasileiro”. Apesar de adotar um tom enfático contra a posição do PSB, Ciro finalizou o desabafo dizendo que aceitaria qualquer que fosse a decisão da cúpula. “Cumprirei com disciplina e respeito democrático o que decidir meu partido. Respeito suas lideranças”. Ele terá que sair de cena.



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