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Ficha Limpa: TREs prometem fiscalização rigorosa para barrar candidatos condenados pela Justiça

do Estadão

“Independente da aprovação da Ficha Limpa, a Lei 135/2010, todos os TREs já haviam recebido orientação para solicitar certidões judiciais de todos os candidatos”, afirmou o presidente do TRE de MS

Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de todo o País se preparam para, em ritmo de Ficha Limpa, aumentar a fiscalização sobre candidatos e partidos nessas eleições. O máximo rigor no controle foi a principal resolução do 49.º Encontro do Colégio de Presidentes de TREs, que ocorreu em São Paulo na semana passada.

TSE já confirmou que Ficha Limpa também abrange condenações passadas

Temas como a inelegibilidade de políticos condenados por colegiados da Justiça – os chamados fichas-sujas -, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), doações ocultas de partidos para candidatos e a propaganda eleitoral devem atrair a atenção dos técnicos dos TREs. O objetivo: dificultar a ação de transgressores e garantir punição.

“Independente da aprovação da Ficha Limpa, a Lei 135/2010, todos os TREs já haviam recebido orientação para solicitar certidões judiciais de todos os candidatos”, disse o presidente do Colégio, que reúne os 27 tribunais regionais, o desembargado Luiz Carlos Santini, que é presidente do TRE do Mato Grosso do Sul. “Quanto à propaganda eleitoral, a determinação é que observemos estritamente o que está expresso na lei para evitar que algum candidato se beneficie, em detrimento dos outros.”

Por conta desse maior rigor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já recebeu cinco multas da Justiça Eleitoral por ter feito propaganda antecipada da candidata petista à sua sucessão, Dilma Rousseff. O PSDB de José Serra, por sua vez, foi multado por manter o site Gente que mente, acusado de fazer propaganda negativa contra a petista.

Favorável à Lei da Ficha Limpa, Santini considera que não haverá problemas para sua aplicação integral nesta eleição. “A lei representa a vontade da população de que os chamados candidatos fichas-sujas sejam proibidos de participar”, afirmou.

Em julgamento na quinta-feira passada, o TSE determinou – por 6 a votos a 1 – que a Ficha Limpa vale também para condenados antes da sanção da lei, ocorrida em 4 de junho. A decisão pôs fim à polêmica sobre o texto final do projeto aprovado no Congresso, que sofreu uma alteração proposta pelo deputado Francisco Dornelles (PP-RJ). Havia dúvidas se a lei atingiria políticos com condenações prévias ou somente os que fossem condenados a partir da sanção.

Na prática, a Justiça Eleitoral terá de analisar caso a caso para aferir quem será atingido pela lei. Se confirmar que o candidato não tem condições de participar das eleições, negará o registro de candidatura.

Recursos – Com relação às doações ocultas, o desembargador disse haverá maior rigor. “Antes, o partido recebia doações, que eram repassadas aos candidatos, e não tinha de explicar sua origem. Agora, esse dado terá de constar na prestação de contas da legenda e do pretendente”, explicou. A decisão atende a uma resolução do TSE.

Segundo Santini, o Ministério Público receberá imediatamente a informação sobre doação que ultrapasse os limites estabelecidos na lei – 10% do rendimento das pessoas físicas e 2% do faturamento global das empresas.

A ideia, de acordo com ele, é estabelecer um princípio no qual os partidos prefiram ter 5 milhões de doadores, contribuindo com R$ 5 cada pela internet, em vez de apenas cinco oferecendo R$ 1 milhão.



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