A Tarde
Amigos de longa jornada, os compositores Gilberto Gil e Caetano Veloso, que de vez em quando se separam ideologicamente, têm grandes chanches de caminharem juntos de novo no segundo turno da eleição presidencial.
Gilberto Gil anunciou que no dia 31 de outubro votará na candidata do PT, Dilma Rousseff, segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Caetano é mais cauteloso e pede tempo para decidir, mas antecipa que não acha “previsível que Marina (PV) apoie José Serra (PSDB)”.
Ex-ministro da Cultura do governo Lula e notável do PV, no primeiro turno Gil fez campanha para a candidata do seu partido, Marina Silva. Caetano também apoiou a senadora e chegou a dar entrevista defendendo que as eleições fossem resolvidas no segundo turno. “Deve haver uma sensação de que há críticas, há gente de olho, há dúvidas na sociedade”, argumentava o compositor.
A reportagem de A TARDE não conseguiu falar com Gil, mas a assessoria do artista disse ter ficado surpresa com as declarações do compositor publicadas ontem na Folha. Segundo Monica Bergamo, Dilma Rousseff telefonou no domingo para a mulher de Gil, Flora Gil, que declarou voto na ex-ministra da Casa Civil já no primeiro turno.
Os 20 milhões de votos obtidos por Marina Silva, no primeiro turno, aprofundaram o racha no PV, que decidiu anunciar no dia 17 sua posição em relação às candidaturas de Dilma e Serra. Enquanto Gil declara apoio a Dilma, Fernando Gabeira (PV-RJ) que disputou o governo do Rio de Janeiro e perdeu para Sérgio Cabral (PMDB), já anunciou apoio a Serra.
Caetano anunciou, na terça-feira, 6, por meio da sua assessoria, que por enquanto não vai declarar seu voto. Prefere observar o novo cenário e aguardar os pronunciamentos de Dilma e Serra, para tomar uma decisão. De qualquer forma, ele não acha previsível que Marina apoie Serra, mesmo que essa seja a orientação do PV.
No ano passado, Caetano causou polêmica por ter dito ao jornal O Estado de São Paulo que o presidente Lula era analfabeto. Posteriormente, afirmou que o jornal havia feito uma “edição sensacionalista” do seu pensamento.









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