A Tarde
Embalagens térmicas de isopor, protegidas com sombreiros, caixas de cervejas empilhadas, cadeiras fincadas na areia. O cenário improvisado da atual orla soteropolitana, desagrada a turistas e banhistas, acostumados com a estrutura das barracas com o conforto à beira-mar.
A paulista Camila Castro, 35 anos, mora em Salvador há dois. Para ela, falta planejamento quando se trata de ordenamento da orla. “As barracas não deveriam ser retiradas nesse período, que é início do verão. Não deveriam tirar tudo de vez”, defende.
Camila queixa-se, também, da cobrança pelo uso de cadeiras e mesas dispostas pelos comerciantes nas areias do Jardim de Alah: “A praia é pública. Antes, não acontecia assim. Está difícil para todo mundo, mas não sei qual é o motivo da cobrança”.
O ex-barraqueiro Marcelo Silva, 40 anos, trouxe o isopor para a praia, na intenção de faturar alguns trocados: “Do jeito que está improvisado, é horrível. Estamos com dificuldade de banheiro, falta água”. Para ele, pai de seis filhos, a situação não está fácil: “A gente não consegue ter lucro porque, com o isopor, a base é gelo e o gelo está bem caro. Oito pacotes são R$ 7”.
O assistente de informática José Jorge Costa também reclama da cobrança pelo uso de mesas e cadeiras. Além disso, sente falta de estrutura. “Não vou nem dar um mergulho porque não tem chuveiro aqui”, lamenta.
Ele não desaprova a ideia de levar à praia o próprio alimento ou bebida, mas ressalta o cuidado com o ambiente. “Traga, mas recolha e deixe o local limpo”, ensina.
Mesmo sem consumir, o banhista paga R$ 5 se quiser usar a espreguiçadeira ou sentar-se numa cadeira, debaixo do guarda-sol.









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