Correio
Ator mostra no Teatro Castro Alves The Infernal Comedy – Confissões de um Serial Killer.
Ele é um dos artistas mais versáteis do cinema americano. E não é força de expressão. O ator John Malkovich, 57 anos, circula entre produções mais comerciais, como o recente Transformers: O Lado Oculto da Lua, lançado este ano, a obras como O Céu que Nos Protege, de Bernardo Bertolucci; e Ligações Perigosas, de Stephen Frears.
É com esse currículo – que também inclui uma sólida formação teatral – e envolto em uma áurea excêntrica, que ele desembarca em Salvador. Quinta-feira, às 21h, o ator apresenta The Infernal Comedy – Confissões de um Serial Killer, no Teatro Castro Alves. Com direção de Michael Sturminger, a peça tem tons de comédia e partes musicais.
Fecham o elenco as sopranos Sophie Klubmann, da Alemanha, e Marie Arnet, da Suécia. O desenrolar da trama é acompanhado pela Musica Angelica Baroque Orchestra, com regência de Martin Haselböck, que executa peças de Mozart, Vivaldi, Beethoven, entre outros compositores. Como as falas são em inglês, um painel eletrônico exibirá legendas em português.
Redenção
Na peça, o ator vive Jack Unterweger, assassino em série e escritor austríaco (1950–1994), um personagem real com uma história mirabolante. Ele foi condenado na Áustria por ter estrangulado ate a morte uma jovem alemã. Na prisão, começou a escrever poemas, peças e uma autobiografia. Parte da elite intelectual austríaca viu em Unterweger um claro exemplo de recuperação. Uma campanha foi feita e o condenado acabou cumprindo apenas 15 anos da pena prevista inicialmente.
Solto, o ex-detento volta a cometer crimes. Em três anos, matou 11 prostitutas. Foi novamente preso. Condenado à prisão perpétua, cometeu suicídio na cela. “(Essa é) uma peça que trata da redenção, uma noção bem crítica nas nossas sociedades”, disse Malkovich em entrevista ao jornal O Globo. Em seguida, emenda: “Não estou certo de como você redime alguém que estrangulou outra pessoa”, afirma.
Muito do estigma de excêntrico vem, segundo o próprio autor, dos personagens esquisitos e com mente tortuosa que viveu. Bem, alguma verdade há por trás da fama. A ponto de Hollywood ter feito o filme Quero ser John Malkovich, escrito por Charlie Kaufman e dirigido por Spike Jonze, dupla que figura entre as mais criativas dos EUA. No filme, os personagens entram na mente do ator que dá nome ao longa. Malkovich, obviamente, vive Malkovich. Ele parece ser sempre um prato cheio para a invenção.












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