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Léo Dias: ‘Sou uma anti-atriz, não tenho glamour nenhum’, afirma Paloma Duarte em entrevista

O Dia

Prestes a completar 35 anos em maio, Paloma Duarte, que interpreta uma mulher sem nome na novela ‘Máscaras’, diz que está odiando o cabelo louro porque dá muito trabalho na hora de se vestir. “Você não pode sair com qualquer roupa, tem sempre que combinar com o cabelo”, brinca a atriz, que começou na carreira aos 9 anos de idade e se orgulha de não ostentar a típica vaidade do mundo das celebridades.

“Sou uma anti-atriz, não tenho glamour nenhum”, dispara. Na Record desde 2010, ela afirma que não pretende sair tão cedo da emissora: “Eles me pagam um salário maravilhoso”. Paloma é mãe de duas meninas, diz que não faz planos para ficar grávida, mas gostaria de ter um menino com o namorado, o ator Bruno Ferrari. “Eu digo pra ele: ‘Pelo amor de Deus, me dê um menino, hein!'”, revela a atriz, às gargalhadas.

Como você está encarando a personagem de ‘Máscaras’?
É um processo muito difícil. Essa personagem me dá muita solidão, não faço parte de nenhum núcleo da novela. Chego no estúdio sozinha, gravo sozinha e saio de lá sozinha. Às vezes, fico escutando as histórias do elenco e percebo que estou completamente alheia a tudo o que acontece.

Sua personagem é uma mocinha? Uma vilã?
A TV brasileira vem sofrendo um emburrecimento. Uma vilã é sempre muito má. Os personagens do Lauro César (Muniz, autor de ‘Máscaras’) não são lineares e óbvios. Não é aquela coisa idiota de novela: a mocinha sofrendo o tempo inteiro, o vilão é malvado. São personagens reais, que você encontraria na vida.

Mas o que você sabe sobre a personagem?
Não sei nada! E vou dizer uma coisa: quando entro para gravar essa novela, a sensação que eu tenho é de uma úlcera estourada. Dá um nervoso, porque ele escreve as cenas divinamente e chega no set e eu falo: “Pra que lado eu vou? Pra que lado eu levo esse papel? O que será que ele quer?”. Ele (o autor) não me conta. Nem para o Ignácio (Coqueiro, diretor da trama). A gente vai tateando, a personagem ainda é uma tela em branco a ser pintada.

Como é sua relação com a Record?
Estou muito feliz lá e não me vejo fora da Record tão cedo. Acho que o doutor Hiran (Silveira, diretor de teledramaturgia) tem uma trajetória muito bonita na emissora. Quando entrei na Record, ele estava conhecendo teledramaturgia. E tem o salário maravilhoso que a emissora me paga – não posso ser hipócrita e não falar disso. E tenho orgulho de construir um pedacinho da emissora.

Você prefere trabalhar na televisão?
Gosto de teatro e de cinema, mas tenho uma relação obscena com a TV. Quando acabo de gravar, penso “acho que não vou para a terapia esse mês” (risos).

Você começou aos 9 anos. Já deu para sentir quem são seus autores preferidos?
Tenho um casamento feliz, apaixonado e de muita alegria com o Lauro César. É minha terceira novela com ele e até hoje sinto frio na barriga! Mas há outros bons autores, como Benedito Ruy Barbosa, Manoel Carlos e Gloria Perez. Fiz duas adaptações dela (‘Hilda Furacão’ e ‘Pecado Capital’) e acho a Gloria genial. Bom, sou razoavelmente jovem e razoavelmente da velha guarda, tive o privilégio de começar muito cedo.

Você gostou de mudar e ficar loura para fazer essa personagem?
Pra mim, não é questão de gostar ou não. Eu não tenho temperamento para ser loura. Sim, exige um temperamento. Você tem que estar sempre maquiada. E eu odeio maquiagem. Se eu não estiver trabalhando, não uso de jeito nenhum. Você não pode sair com qualquer roupa, tem que ser uma roupa que combine com o cabelo. Imagina sair com um verde limão, misturado com rosa choque. E eu tenho preguiça de ter que me arrumar.

Como é isso? Uma atriz que não é vaidosa, então?
Eu gosto de abrir o meu armário, pegar qualquer coisa que está na frente e sair para gravar. É muito comum você me encontrar de short, sandália e blusinha básica. Nesse sentido, eu sou anti-atriz, porque eu não tenho glamour nenhum. Então, o cabelo louro me cansa um pouco por causa disso. Mas o Lauro adora. Toda novela dele eu sou loura. Agora, eu já até me acostumei com o tom (risos).

Dá trabalho manter esse visual?
Dá um trabalho danado! Tem que retocar de 15 em 15 dias. Sem falar na quantidade de produtos para tratar, porque senão vira uma palha que vai abrindo, fica medonho. Passa um (produto) no banho, outro para escovar. Assim que acabar a novela, eu vou mudar.

Como suas filhas reagiram ao visual platinado?
(Risos). Minhas filhas (Maria Luisa, de 16 anos, e Ana Clara, de 14) adoraram! É uma farra.

A Ana Clara é atriz?
Ela estreou em ‘Cidadão Brasileiro’ (novela de Lauro César Muniz, exibida na Record em 2006). Ela era minha filha na trama.

Mas você tinha medo de que ela seguisse a carreira?
Sofri muito quando a vi cansada. Ela ficou uma arara comigo quando mandei parar. Tinha medo porque ela era nova demais, achava que poderia arrebentar a cabeça dela. Mas agora, ela está bem na escola, então eu liberei pra trabalhar. Em breve, teremos notícias.

E a mais velha?
A mais velha não quer saber desse meio. Ela quer fazer medicina e ser obstetra.

Vocês são unidas? Comemoram datas juntas?
Somos unidas, mas lá em casa não tem Páscoa nem Natal. Só gosto de Réveillon. Quando elas eram pequenas, eu fazia tudo, escondia chocolates, presentes. Mas quando cresceram, falei: “Ó, tenho duas coisas pra contar: não tem mais Páscoa e Papai Noel não existe!” (risos).

Você sempre foi assim, direta nas respostas?
Acho que é da criação da minha mãe. Ela me ensinou a não ter vergonha das coisas, do que eu penso e de dizer quem eu sou. Mas eu peço desculpas também quando erro.

Você pensa em ter mais um filho com o Bruno (Ferrari, ator)?
Estamos juntos há um ano. É recente, mas acho que em algum momento esse assunto vai surgir de forma natural. Tem dias em que quero ter mais filhos. E também tem dias que não quero. Mas eu digo pra ele: “Se a gente for ter um filho, pelo amor de Deus, me dê um menino, hein?” (risos).



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