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Luto: Morre o criador Edgard Cerqueira Lôbo, referência em Mangalarga Marchador no Sudoeste

Seu Edgard foi um entusiasta da raça, iniciou sua criação de Mangalarga Marchador no ano de 1966, em Nova Canaã, no estado da Bahia.

A raça Mangalarga Marchador perde hoje um dos seus grandes entusiastas. Edgard Cerqueira Lôbo, detentor da marca Bom Sossego, de Iguai Bahia, faleceu vítima de um infarto fulminante nesse domingo (7). Um grande professor, quase 70 anos de criação e um apaixonado pelo cavalo. Ficam aqui suas histórias, ensinamentos e confiança em nosso cavalo. Que Deus o tenha e para nós que aprendermos com ele fica aqui o nosso muito obrigado.

Nota de Pesar da ABCCMM

A ABCCMM informa com pesar o falecimento do criador Edgard de Cerqueira Lobo, ocorrido neste domingo, 07 de junho de 2020. Titular do Sufixo Bom Sossego, Edgar foi um entusiasta da raça, iniciou sua criação de Mangalarga Marchador no ano de 1966, em Nova Canaã, no estado da Bahia. A ABCCMM lamenta o falecimento e solidariza com a família.

A história de Seu Edgard

Na década de 60, Edgard Lôbo iniciou seu criatório de Mangalarga Machador no município de Iguaí Bahia, com a ajuda de sua esposa Zaidy Chequer Freire Lôbo (in memoriam). Foi criado, então, o Haras Bom Sossego. Com sua vida dedicada aos cavalos Edgard Lôbo contou também com a ajuda de seus filhos e netos tornando-se, assim um referencial e um dos maiores criadores da região.

Edgard de Cerqueira Lôbo nasceu a 29 de maio de 1937, em Nova Laje, Bahia. Um dos filhos da tradicional família Lôbo, criadora de bovinos e equinos nos municípios de Santo Antônio de Jesus, Ubaíra, Jequié, Nova Canaã e Iguaí, Edgard tem, desde a primeira infância, um contato íntimo com o cavalo. Aos três anos de idade, percorreu, no dorso de um cavalo, a distância de 300 quilômetros, viajando, juntamente com sua família, de Santo Antônio de Jesus a Iguaí, onde fixou residência. Esse contato com o cavalo se manteve em sua infância, nas idas para a escola, nas compras na cidade e no convívio com os trabalhadores da fazenda do pai. Prosseguiu, na adolescência, nas montarias, vaquejadas, passeios e domas de animais bravios.

Em sua idade adulta, essa relação com o cavalo estreitou-se ainda mais, proporcionando-lhe, na noite de seu casamento, um episódio marcante. Seguiam Edgard e Zaidy, numa noite bastante chuvosa, para a Fazenda Palestina, onde passariam a lua-de-mel. Eram 3 horas da madrugada, quando o jeep em que viajavam, não resistindo ao péssimo estado da estrada, quebrou, deixando-os no meio do caminho, sob uma chuva torrencial. Na ansiedade natural de um recém-casado, Edgard saiu para a estrada em busca de uma solução. Neste momento, o inesperado aconteceu: sob a luz dos relâmpagos, avistou, a uma distância de cinquenta metros, uma égua Mangalarga Marchador, de nome Zoada. Sem dispor de corda ou qualquer outro equipamento, Edgard lançou mão do próprio cinto para dominar e conduzir o animal. O casal, então, concluiu a viagem montado na égua em pelo, conseguindo chegar à sede da fazenda. Dessa maneira, o cavalo também esteve presente num dos mais importantes momentos da vida de Edgard. Ao se casar com Zaidy, Edgard passa a ter, mais que uma companheira de todas as horas, uma força, sem a qual sua trajetória não se realizaria.

A partir desse episódio, aumentou o seu interesse por animais, cada vez mais puros e selecionados, dentro da raça Mangalarga Machador, que já criava desde 1953, e, no ano de 1966, resolve filiar-se à Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Machador. A opção pela raça se deu pela docilidade e versatilidade que conferem a esse animal a condição de excelente montaria. Dados da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), indicam que esta é a maior Raça de cavalos hoje do mundo. Edgard de Cerqueira Lôbo sócio de número 150-3 é o sócio mais velho em atividade no Norte e Nordeste e o terceiro do país, segundo dados da ABCCMM e do Ministério da Agricultura.

A própria égua Zoada, já referida – juntamente com as éguas Dondoca e Nega-Maluca, a primeira de origem do Engenho-de-Serra e as outras de origem Catuni, descendentes do Favacho Pedra Estanho, – haviam sido adquiridas um ano antes, em 1962, junto ao Sr. Romário Botelho, na cidade de Pedra Azul-MG. Essa égua, vinda com o potro de nome Carcará ao pé, e de novo coberta com Catuni Leblon (cobertura essa que deu origem à égua Pepita), e a égua Nega-Maluca, também coberta com Catuni Leblon (o que veio a dar Soneto), constituíram a base do Haras Bom Sossego. Vejamos: Carcará e Soneto foram os primeiros reprodutores do Haras, e a égua Pepita tornou-se o lastro inicial, gerando Sabu, Turista, Bambolê, Carência, Deusa, Fada e Gardênia. Coincidentemente, outra égua chamada Zoada, foi adquirida juntamente com outras duas éguas, Veneza e Lindóia, ao Sr. Diogo Andrade, 1969; sendo essas três éguas filhas do Herdade Bronze. Com esses animais, Edgard Lôbo completa o seu primeiro plantel, da seguinte maneira: gerando a partir dessa segunda Zoada, Flor-do-Campo, Biruta, Formosa, Gafieira e Itaigara; a partir de Veneza, Bermuda e Gamação; e, de Lindóia, a égua Amada. // Com informações do blog Itapetinga Agora e do portal Iguaimix.com.



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