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Tragédia na BR-116 em Teófilo Otoni: Polícia Civil de MG conclui inquérito. Motorista e patrão responderão pelas 39 mortes

Investigadores apontam sobrepeso da carga, alterações na suspensão do veículo e conduta imprópria do motorista como causas do acidente ocorrido em dezembro de 2023.

Um inquérito policial concluído recentemente revelou detalhes chocantes sobre o acidente que resultou na morte de 39 passageiros de um ônibus na BR-116, em dezembro de 2023. O motorista de um caminhão carregado de pedras e o proprietário da empresa de transporte foram indiciados por homicídio, lesão corporal, crimes de trânsito e falsidade ideológica. As investigações, conduzidas pelo 15º Departamento de Polícia Civil de Teófilo Otoni, apontaram uma série de irregularidades que culminaram na tragédia.

De acordo com o delegado-geral Amaury Tenório de Albuquerque, as provas técnicas e testemunhais coletadas durante as investigações indicam que o acidente foi resultado de uma conduta criminosa. “É um conjunto de provas que apontam que foi um crime doloso”, afirmou Albuquerque. Entre os fatores determinantes para o acidente, destacam-se o sobrepeso da carga, que estava 77% acima do limite permitido, e alterações na suspensão do semirreboque, que comprometeram a estabilidade do veículo.

Conduta do motorista sob escrutínio

O laudo pericial também revelou que o motorista do caminhão, de 49 anos, apresentava sinais de uso de substâncias ilícitas no momento do acidente. Além disso, ele não respeitou as normas de descanso obrigatório e dirigia em velocidade excessiva. “No momento do acidente, o semirreboque estava a 97 km/h, quando a velocidade crítica para um veículo daquele porte, pesando 103 toneladas, era de 62 km/h”, explicou o delegado. Qualquer velocidade acima desse limite, segundo os peritos, tornaria o tombamento inevitável.

O motorista, que foi preso preventivamente em janeiro deste ano, também foi indiciado por deixar o local do acidente sem prestar socorro às vítimas, violando os artigos 304 e 305 do Código de Trânsito Brasileiro.

Falsidade ideológica e responsabilização da empresa

O proprietário da empresa de transporte foi indiciado não apenas pelas mortes, mas também por falsidade ideológica. Investigadores descobriram que ele havia preenchido notas fiscais e documentos de transporte com informações falsas sobre o peso da carga. “Ele inseriu a pesagem falsa das pedras provavelmente para evitar a fiscalização nas rodovias”, destacou Albuquerque. O acidente, ocorrido em 21 de dezembro de 2023, envolveu um ônibus que fazia a rota São Paulo-Bahia com 45 ocupantes, além de uma carreta e um carro. No dia do acidente, equipes da Polícia Civil foram enviadas ao local para remover os corpos, coletar vestígios e iniciar os levantamentos investigativos. Com as conclusões do inquérito, ambos os investigados aguardam julgamento, enquanto as famílias das vítimas buscam justiça por uma tragédia que poderia ter sido evitada.



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