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Atenção: Associação alerta que nova concessionária, que assumirá BRs 116 e 324, pode multiplicar valor do pedágio

De acordo com Luiz Henrique Baldez, presidente da ANUTC, o impacto seria devastador para o setor de transporte rodoviário de cargas e, por consequência, para os consumidores.

Os motoristas que trafegam pelas BRs 324 e 116, duas das principais rodovias da Bahia, podem enfrentar um aumento expressivo nos valores dos pedágios quando uma nova empresa assumir a administração das vias. A projeção é alarmante: as tarifas podem subir entre quatro e seis vezes em relação aos valores praticados pela ViaBahia, concessionária que encerrou sua gestão no último dia 15 de maio. A análise foi feita pela Associação Nacional de Usuários de Transporte de Cargas (ANUTC), segundo apurado pelo Blog do Marcelo.

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De acordo com Luiz Henrique Baldez, presidente da ANUTC, o impacto seria devastador para o setor de transporte rodoviário de cargas e, por consequência, para os consumidores. “Segundo a análise que fizemos, o pedágio vai ficar em um nível muito elevado, podendo alcançar um valor de quatro a seis vezes maior do que o praticado atualmente, e, principalmente, representar cerca de 20% do valor do frete. Isso vai encarecer o valor dos produtos que passam por essa importante rodovia da Bahia”, afirmou Baldez.

Fatores que explicam o aumento

A entidade elencou três fatores principais que justificariam o salto nas tarifas: a rentabilidade do negócio, fixada em 13%; os investimentos iniciais, concentrados nos primeiros dez anos e equivalentes a 50% do valor da tarifa; e os custos de manutenção das rodovias. Para Baldez, o modelo proposto privilegia o retorno financeiro sobre os investimentos, em detrimento de uma operação sustentável. “Na nossa opinião, o custo deveria ser de operação e não de investimentos”, criticou.

Atualmente, os motoristas estão isentos da cobrança de pedágio, já que as rodovias estão sob administração provisória do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). No entanto, a nova concessão prevê uma série de melhorias, como a duplicação de um trecho de 356 quilômetros, construção de 50 passarelas e mais de 200 pontos de ônibus, além da instalação de novas praças de pedágio.

Impacto econômico e logístico

As BRs 324 e 116 são consideradas estratégicas para o escoamento de mercadorias na região Nordeste, ligando Salvador ao Sudeste do país. Segundo Baldez, qualquer aumento excessivo nas tarifas pode comprometer a competitividade do transporte rodoviário. “Estamos falando da principal via de acesso a Salvador, interligação com o Sudeste do país, e por onde passa um volume imenso de carga. Um pedágio muito elevado vai encarecer demais o custo do transporte”, alertou.

O que diz a ANTT

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) conduziu quatro audiências públicas para discutir o projeto da nova concessão. As reuniões ocorreram em Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e outra cidade do interior baiano. Stéphane Quebaud, gerente de Estudos e Projetos de Rodovias da ANTT, destacou os benefícios esperados com a concessão, como redução do tempo de viagem, diminuição dos custos operacionais e ampliação da eficiência logística.

O investimento total estimado é de R$ 15,7 bilhões em despesas de capital (capex) e R$ 8 bilhões em custos operacionais (opex). Na primeira fase, serão realizadas intervenções emergenciais, como recuperação do pavimento, melhorias na sinalização e segurança viária. Posteriormente, a expectativa é recuperar integralmente as condições originais da malha rodoviária. Além disso, a ANTT projeta um impacto positivo na economia regional. A concessão deve gerar cerca de 228 mil empregos diretos, indiretos e por efeito renda, beneficiando os 27 municípios cortados pelo trecho. Contudo, o debate segue acirrado entre os defensores das melhorias e aqueles que temem os impactos do aumento nas tarifas para o setor produtivo e os consumidores.



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