G1
Jovem de 28 anos foi agredido e desmaiou. Inquérito foi instaurado como tentativa de homicídio.
A polícia ouviu, nesta segunda-feira (12), o depoimento do segundo suspeito de agressão na briga que aconteceu dentro de uma boate na Ilha do Governador, no Rio, na madrugada de sexta-feira (9), que deixou um jovem de 28 anos ferido. De acordo com o delegado Deoclécio Francisco Filho, da 37ª DP (Ilha do Governador), responsável pelo caso, o homem, que não é policial, teria dito que a vítima estaria “importunando” o grupo em que estava e que ele chegou a pedir a retirada do jovem da boate.
O suspeito deixou a delegacia sem falar com a imprensa. De acordo com o delegado, este suspeito teria sido quem mais bateu no jovem Rorion Moraes, que sofreu inúmeras agressões na cabeça e desmaiou. O outro suspeito de agressão é um capitão da PM, que está preso administrativamente. Ele foi ouvido no mesmo dia da confusão. Segundo a polícia, o capitão se apresentou espontaneamente e confessou o envolvimento na briga.
Ainda nesta segunda-feira a polícia ouviu quatro testemunhas no caso: um amigo da vítima, o dono da boate, um segurança e um cabo da Polícia Militar que está preso administrativamente, mas que, segundo a polícia, não teve participação na agressão. O inquérito foi instaurado como tentativa de homicídio. O delegado disse que outro depoimento aguardado nesta segunda-feira era de um terceiro policial, que também estava na boate na hora da briga.
Gustavo Marques, de 27 anos, amigo de infância de Rorion, só viu o amigo quando ele já estava no chão. “Eu não vi a briga, quando cheguei ele estava todo ensanguentado”, contou. Ele disse que frequente sempre o local, vai até três vezes por semana e conhece os funcionários da casa. “Esse grupo a gente nunca tinha visto. Eram uns sete, eles estavam na mesa ao lado da nossa.
Segundo Gustavo, na hora da saída um taxista negou levar a vítima ao hospital. “Ele negou socorro porque achou que podia sujar o banco”. Ele também contou que pediu ajuda aos dois PMs do 17º BPM (Ilha do Governador) e eles também se negaram a prestar socorro. “Eu chamei eles até pelo nome, porque já conhecia dali de vista”, disse ele.
Segundo a polícia, os PMs foram identificados e serão indiciados por prevaricação. Eles prestaram depoimento e negaram as acusações. O delegado ainda pretende ouvir um segundo depoimento da vítima. “Tanto o cabo que está preso quanto esse outro policial nada têm a ver com o crime”, afirmou. “As provas contundentes são as imagens e as pessoas que presenciaram o fato. O promotor quando receber esse inquérito é que decide qual crime cada um cometeu”, disse o delegado.
Ele afirmou que não pretende pedir a prisão preventiva dos suspeitos. “Nesse inquérito eu não vou pedir a prisão deles. Não vejo presente requisitos que a lei exige”, disse. O motivo, segundo ele, é o fato de o capitão ter se apresentado espontaneamente e ainda não apresentar risco de fuga ou sumiço de provas.
Como foi o caso
O delegado disse que foi procurado pela vítima e o pai do jovem na manhã de sexta-feira. A versão do rapaz era de que havia sido agredido por um grupo fortemente armado e que entre eles haveria um miliciano. Segundo Deoclécio Francisco Filho, ao fim do dia a polícia não confirmou essa versão. Para a polícia, está claro que duas pessoas participaram da agressão. De acordo com o delegado, o cabo que está preso disse que acautelou a arma antes de entrar na boate e negou que tenha batido no jovem.
Imagens mostram agressões
As imagens do interior da boate mostram quando a vítima se desentende com um homem. Um amigo tenta afastá-lo e ele cai. Ao se levantar, leva um soco e, em seguida, ele é atingido por um banco de madeira. Desmaiado, ele leva mais chutes, que só param quando os seguranças da casa entram em ação. A Corregedoria da Polícia Militar investiga se outros policiais tiveram envolvimento na briga.










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