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Leonelli rejeita comparações com Lídice, mas concorda com candidato próprio em Vitória da Conquista

Tribuna da Bahia

“Nós (PSB) estamos sob a liderança do governador Jaques Wagner. Agora, nem o governador exige nenhuma submissão nem nós aceitamos nenhuma submissão”, afirmou o secretário de Turismo.

Para o secretário, ser aliado não significa ser submisso ao PT

O secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli, diz  em entrevista exclusiva à Tribuna que o governo do Estado tem tentado de todas as formas ajudar Salvador, mas que tem um limite constitucional, que o impede de investir mais na cidade. Ao ser questionado sobre as comparações que são feitas entre a atual administração e a da ex-prefeita Lídice da Mata, Leonelli diz não haver comparação possível.

“Essa comparação é historicamente falsa. O governo da atual senadora, da prefeita Lídice da Mata, foi sabotado, cercado, combatido pelos meios de comunicação que tinham 80% da audiência no estado, combinado com o controle das empreiteiras, que sequestravam os recursos nos bancos, não permitiam que os recursos que a cidade recebia chegassem aos cofres da Prefeitura”.

Leonelli, que diga-se de passagem, está correto ao dizer que o estado atual de Salvador não pode ser colocado na conta da pasta do Turismo, diz ainda que o PSB está avaliando a possibilidade de ter candidatura própria em 2012 e que a senadora Lídice da Mata possui legitimidade suficiente para entrar na briga por 2014.

Tribuna da Bahia – Secretário que avaliação o senhor faz hoje dos destinos turísticos da Bahia, sobretudo do interior do estado? A Bahia está preparada para receber a quantidade de turistas que está recebendo neste ano? 
Domingos Leonelli – Se a Bahia não estivesse preparada, não estaria recebendo. Nós tivemos um crescimento nos últimos cinco anos de mais de um milhão de desembarques na Bahia. A Bahia tinha dois milhões e novecentos mil desembarques no aeroporto e mais uns duzentos, trezentos mil nos outros (aeroportos) e hoje está com quatro milhões de desembarques em todo o estado, sendo que em Salvador saímos de dois milhões e novecentos mil para três milhões e quinhentos mil. Apesar de o parque hoteleiro de Salvador, por exemplo, ter crescido cerca de 8%, saímos de trinta e cinco mil leitos para quase quarenta mil leitos. Apesar disso, nós estamos com uma ocupação de 68%, que é um nível de ocupação anterior às crises mundiais. Nossos indicadores são de crescimento. Antes você não encontrava nenhum lugar para se hospedar em Morro de São Paulo durante o Réveillon e logo em seguida, você não encontrava nenhum lugar para se hospedar em Praia do Forte. Sauípe estava com dificuldades, estava com uma taxa de ocupação de quase 60% durante os dois últimos anos, teve lucro. Então, lucratividade, aumento de passageiros, aumento de ocupação hoteleira, aumento do emprego na atividade turística são indicadores positivos na capital e no interior.
Tribuna – Como vê tantas críticas dos turistas sobre o estado de abandono de Salvador?
Leonelli – Não se pode tapar o sol com uma peneira. Nós temos problemas reais para o turismo e para a vida da cidade. A cidade é boa para o turismo, assim como ela é boa para os cidadãos. Antes de ouvir as críticas dos turistas, é preciso ouvir com atenção as críticas dos cidadãos, que são mais importantes. Eles conhecem mais a cidade e podem até prever situações sobre coisas que o turista não tem conhecimento suficiente para prever e realmente nós temos situações difíceis em Salvador. Apesar de a atual administração ter recebido muitos apoios, do governo federal, de vários ministérios, tem apoio permanente do governo do Estado, apesar das intervenções menores que nós do turismo fazemos em Salvador… Em Salvador, por exemplo, nós investimos nos últimos três anos cerca de R$ 20 milhões só em recuperação de prédios históricos, na recuperação do Palácio Rio Branco, do Palácio da Aclamação, da Igreja do Boqueirão, do Cemitério do Pilar, da Igreja do Pilar, que são pontos turísticos. O governo do Estado já investiu R$ 10 milhões, deverá investir mais R$ 20 mi e isso vai se juntar aos R$ 32 milhões que o governo federal vai investir, está investindo na Feira de São Joaquim, que será, sem dúvida, uma requalificação urbanística e turística da feira. A Ceasinha do Rio Vermelho é um investimento que não é da Secretaria do Turismo, mas será muito importante. Nós teremos US$  85 milhões investidos na Baía de Todos os Santos, inclusive para Salvador.
Tribuna – Qual o atrativo da cidade hoje? O que podemos apresentar para os turistas que visitam Salvador?
Leonelli – Apesar dos problemas que nós temos, esse é um problema mais da crítica do que dos turistas. Eles encontram muito o que fazer, senão continuariam vindo aos milhares como é hoje. Nossos hotéis estão com excelente ocupação, oitenta por cento de ocupação no mês de janeiro. Os turistas encontram festas, encontram praias muito bonitas, apesar dos problemas que nossas praias têm, apesar da falta de estrutura, o turista encontra um patrimônio histórico extraordinário. Salvador tem um conjunto de museus muito importante, muito revelador da nossa cultura, tem o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina. Então, se chover, você tem o que fazer também, porque você tem as visitas aos museus. Salvador tem sol, tem praia e tem cultura. E tem uma vida cultural, tanto nas áreas centrais quanto nos bairros. Você quer uma atração turística mais fascinante do que a Noite da Beleza Negra que teve (sábado) na Liberdade? Você quer uma coisa mais bonita do que os ensaios do Cortejo Afro? Então, você tem o Olodum, o Araketu no subúrbio (ferroviário).
Tribuna – Mas se a gente tirar as festas, a cidade não tem estrutura para oferecer para o cidadão nem para o turista. O entorno do Mercado Modelo, por exemplo, está numa situação de abandono.
Leonelli – Isso é verdade.
Tribuna – Os turistas que estão presenciando este estado de abandono da cidade podem pensar duas vezes antes de voltar aqui?
Leonelli – Olha, felizmente o que tem acontecido até agora é o turista chegar em Salvador, desembarca em Salvador e se desloca diretamente para o Litoral Norte ou para a Baía de Todos os Santos ou para a Baía de Camamu. Esse movimento é o que até agora se observou. É um certo desvio do fluxo para as áreas do estado que independem um pouco da administração pública. É claro que as prefeituras são importantes, porém você tem Morro de São Paulo, que é um destino construído pelo próprio trade turístico. Praia do Forte, da mesma forma. É claro que aportam recursos das prefeituras e do governo do Estado. No ano passado nós entregamos uma recuperação feita com recursos do Ministério do Turismo e do governo do Estado, com contrapartida nossa, recursos bastante significativos em Imbassaí.
Tribuna – Como vê o estado de total degradação dos principais cartões-postais da cidade? Acredita que está pior do que no final da gestão da senadora (e ex-prefeita) Lídice da Mata (PSB)?
Leonelli – Não tem comparação possível. Essa comparação é historicamente falsa. O governo da atual senadora, da prefeita Lídice da Mata, foi sabotado, cercado, combatido pelos meios de comunicação que tinham oitenta por cento da audiência no estado, combinado com o controle das empreiteiras, que sequestravam os recursos nos bancos, não permitiam que os recursos a cidade recebia chegassem aos cofres da Prefeitura. Até a iluminação pública da cidade, à época, o partido do senhor Antônio Carlos (Magalhães, falecido ex-governador da Bahia e ex-senador da República) conseguiu desfazer o contrato que a Prefeitura tinha com a Coelba e deixou a cidade às escuras. A prefeita Lídice, isso é um fato concreto, asfaltou doze quilômetros em Pernambués. No dia seguinte à inauguração do asfaltamento, tinha a Coelba de um lado e a Embasa do outro, as duas esburacando o asfalto que a Prefeitura tinha acabado de fazer. Graças à luta do povo brasileiro, não é mais possível acontecer esse tipo de coisa que acontecia ainda com os restos da ditadura na Bahia. A administração de Lídice só teve um único ministro que a apoiava na medida das suas possibilidades, que era o ministro Jutahy. Era um cerco total e absoluto. Isso acompanhado de uma rede de TV que diariamente pela manhã, ao meio-dia e à noite… A situação foi tão escandalosa, a utilização do meio de comunicação politicamente contra uma administração, que a Rede Globo separou o Jornal Nacional do jornal local porque não podia se associar a um tipo de perseguição tão explícita e escandalosa.
Tribuna – A que o senhor atribui, então, o estado ao qual Salvador chegou e está hoje?
Leonelli – A mim não cabe fazer esse julgamento. Eu explicitei a incomparabilidade da situação que Lídice enfrentou e, apesar de todas as dificuldades que ela enfrentou, fez a Fundação Cidade Mãe, resolveu problemas de trânsito que eram insolúveis, inclusive com a Ligação Iguatemi-Paralela, construiu conjuntos habitacionais, fez a única intervenção até então feita na Feira de São Joaquim. Não há possibilidade de comparação. Lídice foi um governo de guerra, foi a maior violência cometida contra a administração de uma cidade.
Tribuna – O governo do Estado poderia estar intervindo mais em Salvador, já que a Prefeitura não cumpre seu papel?
Leonelli – Ao governo do Estado não cabe intervir na cidade. Felizmente, digo de novo, graças a luta do povo brasileiro, nós estamos num regime republicano e democrático.
Tribuna – Reformulando, o senhor acredita que o governo do Estado poderia ajudar mais a cidade, já que a Prefeitura não tem feito o papel dela?
Leonelli – Eu penso que mais do que faz viraria intervenção. Nós temos apoiado todas as iniciativas. Agora mesmo o governo do Estado está investindo mais de r$ 50 milhões no carnaval de Salvador, uma festa dirigida pela cidade do Salvador. Nós temos enormes investimentos: a Via Expressa, a construção do Hospital do Subúrbio. O governo do Estado investiu permanentemente no turismo com as obras que eu já citei, então, nós temos uma intervenção crescente, não só em obras, como também em capacitação profissional.  A Bahiatursa é o único órgão que realmente promove Salvador. Lamento muito. Eu achava que a Saltur tinha que ter recursos para promover Salvador, mas toda a promoção da Bahia e de Salvador é realizada pela Bahiatursa. Os investimentos que nós realizamos em propaganda e em promoção da Bahia fora inclui, obviamente, prioritariamente, Salvador. O Elevador Lacerda é nosso stand na base. Em duas feiras, uma no Rio e outra em Buenos Aires era exatamente um Elevador Lacerda. Era uma maquete, um modelo de Elevador Lacerda. Um guia turístico me disse ‘com isso aqui vocês estão promovendo o Elevador Lacerda, mas eu vim de lá ontem e só tinha uma cabine funcionando’. Eu disse, olha, é uma situação momentânea.
Tribuna – Justamente reforçando a pergunta anterior, diante do estado de abandono de pontos turísticos importantes da cidade, como o Elevador Lacerda… A questão não é falar de intervenção ou de não intervenção. A questão é que existe um bem público que deve servir a população e não está servindo. Se a Prefeitura não está fazendo o dever dela, o papel básico que ela deveria fazer, será que o Estado não poderia minimizar os efeitos ou não permitir que esses problemas acontecessem?
Leonelli – O Estado não pode. Não é questão de querer ou não. Não pode, não tem autorização legal. Os baianos e, me desculpe, mas até uma parte da imprensa, ainda não se acostumaram que nós vivemos numa democracia representativa. Isso era no tempo de Antônio Carlos, quando ele cometeu a violência que cometeu contra Salvador e nós lutávamos pela autonomia da cidade, nós queríamos que a cidade fosse respeitada, apenas, e ele não aceitava isso. O Estado não pode, mesmo se quiser, não pode. Não adianta ter dinheiro, ter vontade, saber o que fazer. Tem um limite constitucional. Por exemplo, nós só podemos dar a ajuda que damos à festa do carnaval porque a Prefeitura pede, solicita apresentando um projeto. Nós convidamos a Prefeitura para parcerias sempre. Por exemplo, tem parceria com a Prefeitura na Praça de Irmã Dulce.  Agora, isso precisa ser uma coisa coordenada, tem que ter um movimento da Prefeitura.
Tribuna – Falando um pouco de política partidária, depois que Lídice da Mata foi para o Senado, o PSB perdeu força visibilidade na Bahia?
Leonelli – Aí é você quem sabe dizer. Eu não sei. Quem sabe dizer isso é você que é jornalista. Como é que eu posso saber se o PSB perdeu visibilidade? Eu acho que não. Eu acho que ganhou. O PSB da Bahia está no Senado da República, não perdeu visibilidade.
Tribuna – o partido terá ou não candidato em Salvador?
Leonelli – Isso é um problema da direção municipal, que está sendo debatido ampla e abertamente, tem pleitos legítimos que estão se colocando, que são examinados com toda simpatia. Podemos ter e podemos não ter. É uma questão de decisão do partido, dos candidatos a vereador, do diretório municipal, dos próprios aspirantes. Isso está sendo discutido ampla e democraticamente no PSB.
Tribuna – O deputado estadual Capitão Tadeu já fala como candidato. Ele representa o partido ou existe um racha?
Leonelli – Não tem nenhum racha. Capitão Tadeu é um companheiro e o pleito dele não representa nenhuma divisão interna, é um pleito absolutamente legítimo. Qualquer membro do partido tem direito de pleitear ser candidato, quanto mais ele, que é deputado.
Tribuna – O PSB buscará mais espaço numa reforma do secretariado de Wagner?
Leonelli – Não me consta. Não tenho conhecimento de nenhum pleito nesse sentido.
Tribuna – O partido está satisfeito?
Leonelli – Eu não estou declarando isso. Não estou dizendo que sim nem que não, estou declarando que eu não tenho conhecimento disso e não falo pelo partido.
Tribuna – Em Vitória da Conquista o PSB enfrentará o PT. A estratégia do partido é descolar do PT e se viabilizar pra 2014, como tem defendido Eduardo Campos?
Leonelli – Primeiro que eu não vi nenhuma declaração do presidente nacional do partido (Eduardo Campos) no sentido de o PSB descolar do PT em 2014. Pode ser que ele já tenha dado a declaração se seja mais uma ignorância minha, são muitas as ignorâncias minhas no campo da política. Em segundo lugar, eu penso que nós não temos uma relação de submissão nem de alinhamento automático com o PT. Nós somos aliados do PT estrategicamente. No plano estadual nós estamos vinculados ao projeto encabeçado pelo governador Jaques Wagner. Wagner não representa apenas o PT, ele representa o PT, o PSB, o PCdoB, como seus aliados históricos, e também o PDT, o PP, tem agora também o PSD. Então, é um conjunto de partidos. Nós estamos sob a liderança do governador Jaques Wagner. Agora, nem o governador exige nenhuma submissão nem nós aceitamos nenhuma submissão. Podemos apoiar o PT em muitas cidades e podemos disputar com o PT em muitas outras.
Tribuna – Vários partidos já se lançaram pra 2014. Lídice está no páreo?
Leonelli – O nome de Lídice como uma senadora da República, com a expressão política que ela tem, é sempre um nome natural para qualquer eleição majoritária na Bahia. Ela tem naturalmente uma posição de destaque que lhe permite e permite ao partido propor a ela um projeto de candidatura majoritária. Acho que não seria nada demais, mas pelo que sei, essa questão não está em discussão no PSB. Não achamos correto colocar a sucessão de 2014 no tabuleiro da baiana nesse instante. Acho que é uma precipitação e um desserviço ao governo atual.


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