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Secretário de Rui Costa, Josias Gomes diz que os partidos precisam escolher um lado

fonte tribuna da bahiaTribuna da Bahia

Secretário, que anunciou que o PT vai realizar uma reunião para discutir as eleições das 50 principais cidades da Bahia.

Em 19 dias do governo de Rui Costa (PT), o recém-nomeado secretário de Relações Institucionais do Estado, Josias Gomes, licenciado da cadeira de deputado federal, já conseguiu, em parceria com petistas e principalmente com o governador, a aliança com 11 partidos e retirar um pouco da força do principal adversário na Bahia, ACM Neto, prefeito de Salvador.

Em entrevista exclusiva à Tribuna, o secretário falou sobre as articulações políticas realizadas, a exemplo da adesão do PTN ao governo, e o diálogo com o PSB, PV e PTB. Ele citou também a necessidade de os partidos adotarem um lado na política. O petista afirmou ainda que o mandato de Rui é a continuidade dos projetos do PT para o estado, com o “terceiro mandato do PT na Bahia”. Segundo ele, Rui deve fazer uma gestão inspirada no sucesso de seu antecessor Jaques Wagner, se adequando à conjuntura atual, que é de contenção de gastos em todo o País.

Josias, que anunciou que o PT vai realizar uma reunião para discutir as eleições das 50 principais cidades da Bahia, assumiu que a legenda não está se preocupando com um nome próprio para disputar a Prefeitura de Salvador em 2016.

Tribuna da Bahia – O Governo Rui Costa começou. O foco tem sido mais político que administrativo, nesse começo de gestão?
Josias Gomes – De modo algum. A facilidade de termos retomado a política é o fato de a política presidir toda ação de qualquer governo. Há uma vantagem para Rui, de se dedicar mais à política, porque ele teve oito anos em duas importantes secretarias, que deram a ele a compreensão de um lado da política e de outro da própria gestão. Então, como há uma continuação, os desafios que estão sendo colocados para que esse nosso governo assuma é, na verdade, uma continuação de uma etapa seguinte dos desafios anteriores. É um complemento. Por isso estamos buscando mais unidade na política, mas o governo segue e segue firme com o intuito de enfrentar os novos desafios que se impõem. Etapa cumprida pelos oito anos de Wagner. E agora é a segunda etapa dos desafios.

Tribuna – Como viu o rompimento do PTN com o prefeito ACM Neto e adesão ao PT? O que foi ofertado?
Josias – Procurei dialogar com o PTN nesse período, de disputa na Câmara, na plenitude da política. Foi tudo muito claro nesse sentido. Vi que havia certa mágoa, que não cabe analisar se são corretas ou não, do PTN em relação ao prefeito. E eu, buscando ampliar a nossa base e tendo a certeza de que seria importante, já que parte dos deputados estaduais do PTN já estiveram conosco na campanha, prefeitos inclusive, creio que foi um importante passo. Cargos… estamos trabalhando. Pode ser o Detran. Inclusive, não completamente pra eles (do PTN). Mas pode ser o Detran. Isso é uma parte sempre comentada. Todo o processo de negociação foi feito sem que nós tivéssemos discutido, a priori, se é pra ele ou pra aquele. Todo órgão que é importante e grande de visibilidade, há realmente interesse grande dos partidos aliados. O que é justo. Porque visibiliza as atividades da instituição, pois o partido está compondo majoritariamente aquele órgão. Não só o Detran, mas a Embasa e demais empresas e autarquias. Esses órgãos penetram no tecido social estadual por todos os espaços.

Tribuna – Onde está o entrave para finalizar a composição do segundo escalão?
Josias – O prazo é político. Quem define é a política. E a política, você sabe muito bem, é diferente da matemática. Dois e dois na matemática são quatro. Na política não é assim. Você puxa pra lá, e colhe para cá. E vamos no consenso. E quando não chegamos a ele, vamos progressivamente admitir que aquela questão vai ser resolvida. No sertão as mães costumam dar leite com farinha para os meninos. Às vezes o leite está muito ralo. Então a mãe bota mais farinha… Uma hora tá grosso, outra tá mole. E nunca come. Ou de um jeito, ou do outro, vai ter que engolir isso aqui. Portanto, estamos nesse processo de negociação e em poucos dias esperamos fechar a segunda etapa, com cargos regionais e municipais.

Tribuna – Rui Costa cobrou a definição do “lado político” dos aliados. Isso é antecipação de eleição de 2016 ou de 2018?
Josias – A intenção do governador de propor esse alinhamento mais concreto é porque, da maneira que estamos, temos adversários políticos no estado, e que vamos enfrentar em 2018. E nosso principal adversário é o prefeito, que fez a campanha de Paulo Souto, e que foi pra rua e para a TV. E correu o Estado.  Portanto, estamos dizendo claramente que temos lado e queremos os nossos parceiros políticos e aliados alinhados com o propósito de continuarmos firmes dividindo o espaço, a política, prefeitos, senadores, deputados, todos juntos. Quando chegar as eleições municipais pode haver um desacordo aqui e acolá. Vamos evitar que aconteça. Mas, até nesses casos, vamos admitir que a até a raiva tem que ser combinada. Mas o propósito maior tem que estar garantido, que é a manutenção do projeto político.

Tribuna – Se a ex-vereadora Andréa Mendonça (PDT), que era de uma secretaria do Estado, e assumiu uma secretaria do município agora, se licenciar, resolve o problema com os pedetistas?
Josias – Já dissemos o que já tinha para ser dito, em reunião com o governador Rui Costa. Nesta última semana, Carlos Lupi, presidente nacional da legenda, esteve aqui. Agora a palavra está com eles. O que nós tínhamos pra dizer já foi dito.

Tribuna – Quem deve aderir ao governo? PV, PSB ou PTB?
Josias – O PTB já está na base e nós temos a satisfação de dizer que já tivemos reunião com o presidente, que é prefeito de Sapeaçu, Jonival Lucas, aliado de sempre. E estamos com eles unidos nesse propósito. Para administrar e dirigir a política na Bahia nos próximos anos. O PV tem uma situação em que o Marquinhos (Viana), deputado, tem nos procurado, mas houve recentemente uma troca no comando do PV e isso está sendo discutido entre eles. E esperamos abrir negociações, conversas, e isso é importante pra nós. Esperamos que essa discussão interna chegue a um bom termo para unificarmos este processo de negociação.

Tribuna – E o caso do PRB, que era da base, rompeu, foi para a campanha de Paulo Souto (DEM), e agora sinalizou que quer voltar?
Josias – No caso deles, temos que dar um certo tempo para maturar melhor esse processo. O PRB esteve conosco até a última hora e saiu pra fazer aliança com o adversário, e sem uma explicação mais plausível. Então, como estamos dizendo que é importante ter uma liquidez na política, é importante também que possamos dar um tempo para que reiniciemos uma discussão a partir de algumas análises das posturas assumidas. Nada pessoal. E não queremos escolher parceiros, porque eles são sempre bem-vindos, inclusive nesse estado da consolidação de um processo na Bahia. Queremos ter uma base que nos conforte no sentido de que somos capazes de unir diferentes ideias partidárias numa mesma coalizão. Se somos 11 partidos hoje, e se eles existem, é porque o modo de pensar não é o mesmo do PT. Cada um tem o modo de pensar. A capacidade de síntese… cabe ao governo produzir as condições pra que todos se harmonizem.

Tribuna – O governador e a articulação política vão intervir na disputa do Assembleia? Como o senhor, como deputado licenciado, vê a tentativa do deputado Marcelo Nilo buscar um quinto mandato?
Josias – Não é possível o governo entrar numa discussão de comando da Assembleia, como não entrou em nenhuma. Digo até que da primeira vez, em 2007, quando Nilo disputou, naquele momento, o ex-governador Wagner foi muito sensato. Cada um no seu cada um. Hoje não cabe ao governo fazer hipótese de análise sobre este ou aquele candidato, porque os dois são da base. Então, temos avaliação positiva do desempenho do atual presidente, e a eleição que acontecerá, pois tanto um quanto o outro são da nossa base, da nossa confiança. Esperamos que o processo eleitoral seja suficiente pra manter a harmonia da base do governo na Assembleia.

Tribuna – Qual o principal erro que não deve ser repetido no governo de Rui Costa?
Josias – Não tenho avaliação crítica do governo Wagner, porque, de todos os nossos governantes, o que de longe mais realizou, em qualquer área no estado, foi ele. Tenho uma visão muito positiva, e a história irá reconhecê-lo como grande construtor do nosso estado. Então, partindo dessa premissa, digo que erros acontecem. Só não erra quem não faz. Falhas são inerentes ao ser humano. Mas não destaco uma ou outra atividade que devêssemos corrigir. Cada um tem um estilo e um modo de agir. E o modo dele foi eficiente e claro. Cada estilo tem a sua especificidade. Ainda mais quem se elegeu a primeira vez no primeiro turno, elegeu a presidente da República com votação extraordinária, com segundo mandato eleito no primeiro turno. Então, onde tem algo que possamos vislumbrar de erro?

 

Tribuna – Qual a principal diferença de estilo entre Rui e Wagner, que vai ser visível no dia a dia do governo?
Josias – É uma pergunta interessante para uma segunda etapa de avaliação. Até acho que os dois são parecidos no modo de agir. Ambos vêm da origem sindical, no mesmo sindicato, nasceram na mesma luta. Rui, por ser mais novo que o governador Wagner… Não sei qual seria a diferença de estilo. Sinceramente, vou ficar te devendo essa. Mas sei que Rui tem o compromisso de cumprir uma segunda etapa na gestão do estado.

Tribuna – Como o senhor pretende gerir o apetite de quase 50 deputados estaduais na base, e uma base inchada com onze partidos?
Josias – O que você chama de apetite, na verdade, são as necessárias manutenções ou incorporações de pessoas no governo proveniente de diversos municípios da base de cada um desses deputados e partidários deles. Não sinto que há esse apetite voraz. Há a necessidade dessa relação. Os cargos serão preenchidos, tanto os técnicos, quanto os políticos, pelos deputados, com a anuência do governador.  Aonde a concórdia não chegar a 100%, tentarei arbitrar com o governador o que seja o melhor. Com a maior transparência do mundo. Quanto mais transparente, quanto mais reunião, mais chance de acertar.

Tribuna – Qual deve ser a prioridade do governo Rui, em sua opinião?
Josias – Uma das coisas importantes que o programa de governo Rui destacou, e o governador tem mostrando isso na prática, é  a necessidade de tornar a educação pública na Bahia fantástica, e como a melhor de todo território nacional. É um dos carros-chefes. Outra importante contribuição que o governo vai dar é no sistema de segurança pública. Outra grande vertente que está sendo trabalhada com muito carinho. E uma terceira, e não falo de escala de importância, é a área da saúde.

Ainda temos problemas na saúde que decorrem da necessidade de se ter uma fonte de financiamento específico para ela. É um debate iniciado pelos governadores do Nordeste e o próximo Congresso irá se debruçar com carinho sobre a questão. Essas três questões são fundamentais. Mas não esqueçam que o governador colocou um cientista na Secti. E com essa capacidade vamos ter outro olhar sobre a ciência e tecnologia, e inovação aqui na Bahia.

Tribuna – Mas como atingir essa perfeição na educação, sendo que o secretário atual é o mesmo da gestão passada, que foi alvo de inúmeras críticas?
Josias – A oportunidade que o governador está dando ao Barreto (Osvaldo Barreto, secretário de Educação) decorre da capacidade que ele tem. Não se iludam. A escolha é realmente importante nesse momento. Se dizemos que precisamos tornar a educação da Bahia uma educação pública de excelência, nada melhor do que quem esteve lá nesses últimos quatro anos para tornar possível. Ele tem qualidade técnica e todas as condições para fazer isso, porque esteve quatro anos lá, e pode corrigir da maneira que deve entender ser corrigida.

Tribuna – O ano de 2015 deverá ser um ano de arrocho financeiro, devido ao cenário nacional e local, que dão sinais de dificuldades. O corte de gastos prevê mais demissões no Estado?
Josias – Esse ajuste que se deu não visou corte de pessoal. Apenas otimizamos, em primeira mão, a ação do agente público. E depois, alguns órgãos, que por obsolescência, ou por estarem superados em sua função, precisaram sair. Em consequência disso, fizemos o reaproveitamento do quadro desses funcionários em outros órgãos do governo. Não temos como centro a redução de custo por corte de pessoal.

Tribuna – Qual o principal gargalo que começou a ser atacado no governo de Rui?
Josias – Eu diria que esses gargalos, em geral, estão muito vinculados à própria burocracia do Estado, que é  muito pesada e carregada. E essa reforma que foi feita, se você perceber… parabenizo, inclusive, o Manoel Vitório (secretário da Fazenda do Estado), que coordenou, fez mudanças no Estado. As secretarias finalísticas precisam dar urgência nas necessidades do interessado maior, que é o povo baiano.

Tribuna – Essa mudança toda que aconteceu, com a reforma administrativa de Rui Costa, é uma demonstração de que havia falhas no governo do ex-governador Jaques Wagner?
Josias – Não. Na verdade estamos vivendo uma nova fase. Em 2015, pela circunstâncias, é um ano de muito aperto. O governador, conhecedor do problema, resolveu antecipar essa situação para que tenhamos recursos para as atividades. Não há discrepância do que existia antes e hoje. Apenas uma adequação a essa realidade econômica que está se impondo no momento.

Tribuna – O PT vai abrir mão de lançar um candidato em Salvador, em 2016? Vai ter maturidade suficiente pra isso?
Josias – Maturidade para discutir as eleições sempre tivemos e abrimos mão em circunstâncias muitas vezes dolorosas, até quando tivemos candidatos com grandes chances de vitória. Em Juazeiro, um candidato fortíssimo que era do PT teve que abrir mão da candidatura em função de acordos com o PCdoB. O PT é sempre um partido parceiro. O Everaldo (presidente estadual do PT) tem conduzido isso de modo tranquilo. E vai comandar uma reunião estadual pra discutir as eleições das 50 principais cidades. Ele vai nos trazer relatório sobre isso para que tenhamos um olhar sobre os demais partidos. E marcharemos unidos nessas cidades e nas demais. Em relação a Salvador, não há essa ‘principalidade” da candidatura do PT. Vamos participar com uma candidatura que reúna as melhores condições de ganhar a eleição. Pode ser do PT, do PCdoB, do PSD ou do PTB. Não há uma posição, a priori, de que o PT terá uma candidatura posta e que os demais partidos terão que seguir.

Tribuna – Pra finalizar, qual sua expectativa para o governo Rui Costa?
Josias – Primeiro, muito otimismo com os rumos do nosso Estado. A confiança que o povo baiano depositou em Jaques Wagner foi correspondida. Os desafios que ele se propôs no início,  não diria que foram totalmente cumpridos, porque isso é impossível, mas avançamos muito em infraestrutura, nas relações interpessoais. Na busca pelo aprimoramento  democrático. Nas relações com diversos movimentos sociais que buscam soluções para questões cruciais. Na verdade, o otimismo recorre da garantia de que há continuação com novos desafios impostos pelo fato de termos avançado. O governador (Wagner) resolveu o problema das estradas e temos que resolver ainda o que existe. Temos ainda o gargalo da infraestrutura e tudo mais. E nós vamos, com certeza, vencer essa segunda etapa de desafios. E é com muito otimismo que espero que a população baiana observe os primeiros passos desse terceiro governo do PT à frente da Bahia.



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