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Grã-Bretanha, França e Alemanha afirmam que acordo entre Irã, Brasil e Turquia não resolve impasse nuclear
O acordo para uma troca de combustível nuclear iraniano por urânio enriquecido “não responde a todas as inquietações” da comunidade internacional, declarou um porta-voz da chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton.
“O anúncio feito nesta segunda-feira pode constituir um passo na direção correta, caso sejam confirmados os detalhes do acordo, mas isto não responde a todas as inquietações sobre o programa nuclear de Teerã”, declarou o porta-voz.
França não descarta sanções
O Ministério das Relações Exteriores da França afirmou nesta segunda-feira que o acordo alcançado entre Irã, Brasil e Turquia não soluciona o problema do programa nuclear iraniano e o fato de que o Irã continua enriquecendo urânio, indicou nesta segunda-feira o ministério francês das Relações Exteriores.
“Não nos enganemos: uma solução para o assunto do reator de pesquisa civil iraniano TRR não solucionará em nada o problema criado pelo programa nuclear iraniano”, afirmou o porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valero, indagado pela imprensa sobre a possibilidade de frear o exame de novas sanções contra o Irã na ONU.
“O intercâmbio de urânio é apenas uma medida de confiança, um acompanhamento. O nó do problema nuclear iraniano é o prosseguimento das atividades de enriquecimento em Natanz, a construção do reator de água pesada em Arak, a ocultação da usina de Qom, as perguntas dos inspectores da AIEA que ainda não foram respondidas”, precisou.
“Desde a proposta de outubro da AIEA” (Agência Internacional de Energia Atômica), destinada a tirar do Irã 1.200 kg de urânio levemente enriquecido para transformá-lo em barras de combustível para o reator TRR, “o Irã enriquece o urânio a 20%”, destacou Valero.
“O Irã deve pôr fim imediatamente a essas violações constantes das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Diretores da AIEA. Com esse objetivo preparamos em Nova York novas sanções com nossos interlocutores do Conselho de Segurança”, explicou.
Também nesta segunda-feira, o governo da Alemanha destacou que nada pode substituir um acordo entre Teerã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). “Continua sendo importante que Irã e AIEA cheguem a um acordo”, declarou o porta-voz adjunto do governo da Alemanha, Christoph Steegmans. “Isto não pode ser substituído por um acordo com outros países”, completou.
Sanções da ONU
Na manhã desta segunda-feira, o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, afirmou que os “progressos bastante importantes” estão sendo obtidos no Conselho de Segurança da ONU a respeito das sanções contra o Irã pelo programa nuclear do país.
“Progressos na resolução nas Nações Unidas bastante importantes foram alcançados nos últimos dois dias”, disse Kouchner, sem revelar detalhes.
Para o chanceler francês, a AIEA é quem deve posicionar-se sobre o acordo assinado nesta segunda-feira por Irã, Brasil e Turquia, para a troca de urânio iraniano por combustível nuclear enriquecido a 20% em território turco. “Não somos nós que devemos responder. É a AIEA”, declarou Kouchner.
O Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha afirmou, em comunicado, que os esforços por novas sanções contra o Irã devem prosseguir até que o país possa garantir ao mundo que seu programa nuclear é pacífico. “O Irã tem uma obrigação de garantir à comunidade internacional que suas intenções são pacíficas”, disse em comunicado um representante do britânico Alistair Burt em comunicado.
Israel fala em “manipulação”
O Irã “manipulou” a Turquia e o Brasil ao “simular aceitar” um acordo sobre o enriquecimento de parte de seu urânio na Turquia, acusou uma fonte do governo de Israel. “Os iranianos manipularam Turquia e Brasil, simulando aceitar o enriquecimento de uma parte de seu urânio na Turquia”, declarou a fonte, que pediu anonimato.
“Os iranianos já fizeram o mesmo no passado, simulando aceitar tal procedimento para reduzir a tensão e os riscos de sanções internacionais agravadas, mas depois se negaram a passar aos atos”, declarou.
Acordo entre Irã, Brasil e Turquia
Irã, Turquia e Brasil assinaram nesta segunda-feira um acordo para a troca em território turco de combustível nuclear iraniano por urânio enriquecido a 20%, em uma tentativa de encontrar uma solução para a crise provocada pela política de enriquecimento de urânio de Teerã.
O entendimento anunciado nesta segunda-feira e assinado em frente a jornalistas em Teerã tem como base a proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, órgão da ONU), do final do ano passado, que previa o enriquecimento do urânio iraniano em outro país em níveis que possibilitariam sua utilização para uso civil, não militar.












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