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Em Madri, gol de Iniesta faz torcida explodir com a tensão acumulada

do Globoesporte.com

Depois de quase 120 minutos de jogo e 80 anos de espera, espanhóis finalmente puderam respirar aliviados e soltar o grito de campeão do mundo

Euforia em Madri para festejar o título espanhol

Tensão. Muita tensão. Durante quase 120 minutos na final contra a Holanda, foram raros os momentos de tranqulidade para o torcedor espanhol. Antes do gol de Iniesta, o imenso público que foi às ruas de Madri para acompanhar a partida só fez sofrer, seja com as oportunidades perdidas, seja com as muitas faltas dos holandeses. Houve gente que chegou a pensar que estava tudo perdido. Mas no fim, faltando apenas cinco minutos para terminar o segundo tempo da prorrogação, o grito preso na garganta finalmente saiu, abrindo a temporada oficial de festa na Espanha.

Um destes sofredores era a estudante Patricia López, 23 anos, que foi com um grupo de amigos ver a partida nos imensos telões colocados no Paseo Castellana, uma das principais artérias de tráfego de Madri e que hoje ficou fechada para os carros.

– O começo foi uma agonia e no segundo tempo eu pensei que íamos perder. Mas se nota que, quando é necessário, o sangue espanhol ferve – disse a universitária, com um sorriso no rosto.

E não foi só ela que pensou que tudo estava perdido. José Alberto Miranda, 22 anos, mal podia falar, rouco dos gritos desferidos contra os holandeses e o árbitro da partida durante quase duas horas seguidas.

– A Holanda soube aguentar. Não jogou e não deixou jogar, mas o que importa é que ganhamos. Vocês já têm cinco Copas, sabem o que significa isso – dise segurando com a mão esquerda o escudo da camisa oficial da seleção espanhola, que a partir de agora ganhará uma estrela.

Já a jovem Laura Mingo, de 22 anos, não se queixava de toda a tensão pela qual passou durante o jogo.

Carlos Navarro prometeu e cumpriu: cabeça raspada

– Foi muito difícil de ver, mas ao mesmo tempo muito bom. Eu sabia que íamos ganhar, mas sofrendo. Somos espanhóis, gostamos de sofrer – termina.

O sofrimento foi tanto que teve gente perdendo a cabeça. Ou melhor, os cabelos. Carlos Navarro, 22 anos, prometeu que rasparia a cabeça se a Espanha fosse campeã. E promessa é dívida: ao fim do jogo, exibia orgulhoso os tufos de cabelo e a máquina usada para a proeza. Ele conta que passou por maus momentos durante a partida.

– Isso foi demasiado, foi uma loucura, muita tensão. Eu sofri, mas tinha um pressentimento de que não íamos para os pênaltis, que ia sair um gol que faria arrebentar tudo. E foi assim – termina, aparentando estar pronto para uma longa noite de festa.



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