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Operação Compliance Zero: “Wagner já não é mais líder do governo no Congresso, falta oficializar”, dizem petistas

Investigação sobre suposto lobby para o Banco Master fragiliza permanência do senador baiano na articulação política do governo Lula.

A permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado entrou em ritmo de contagem regressiva nos bastidores de Brasília. Após ser alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal nesta quinta-feira, o parlamentar baiano passou a ser visto por ministros e aliados próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma peça politicamente insustentável no cargo. Embora o Planalto evite um posicionamento público drástico, a leitura interna é de que o desgaste gerado pelas investigações inviabiliza sua continuidade na função estratégica de articulação com o Congresso. O gatilho para a crise foi o avanço de um inquérito da PF que apura a suposta atuação de Wagner em favor dos interesses do Banco Master. Os investigadores cruzaram dados e mensagens extraídas do celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que apontariam para movimentos suspeitos no parlamento.

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Entre os principais alvos da apuração estão as negociações para a ampliação do crédito consignado e a tramitação da chamada “Emenda Master”, proposta apresentada originalmente pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Além do lobby legislativo, os policiais federais apuram o recebimento de vantagens indevidas pelo petista, o que inclui um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de outros repasses que totalizariam pelo menos R$ 3 milhões, segundo apurado pelo Blog do Marcelo.

Diante do tamanho do impacto reputacional, interlocutores afirmam que o próprio Jaques Wagner deve tomar a iniciativa de entregar o cargo nas próximas horas. O movimento seria uma estratégia para blindar o presidente Lula, de quem é amigo pessoal há décadas, e evitar um constrangimento prolongado ao governo. Nos bastidores, a expectativa é de que o senador baiano use como justificativa oficial a necessidade de se afastar dos holofotes de Brasília para focar exclusivamente em sua defesa jurídica e nas articulações da campanha eleitoral em sua base política.

Apesar da gravidade das suspeitas, a ordem no palácio presidencial é manter uma postura de cautela pública em respeito à histórica relação entre Lula e o senador. O presidente planeja uma conversa reservada e olho no olho com Wagner nos próximos dias para selar o destino da liderança do Senado sem alardes. Em suas declarações públicas, Lula deve blindar o aliado defendendo o amplo direito de defesa e a presunção de inocência, mas sem paralisar as investigações. O tom oficial seguirá a linha do distanciamento técnico, conforme resumiu um ministro palaciano sob a condição de anonimato, ao garantir que o governo não vai frear o trabalho das autoridades e que o caso será apurado doa a quem doer.



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