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Hospitais de Itabuna ameaçam paralisar atendimento pelo SUS

do A Tarde
Cristina Portela conta que precisou brigar para o amigo Aldair José ser atendido no Hospital de Base

A rede hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna ameaça suspender, nos próximos 30 dias, o atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde, em razão do baixo valor da verba destinada pelo Estado, baseada na tabela SUS, que não cobriria os custos para os procedimentos de média e alta complexidades, gerando desabastecimento e dívidas que chegam a R$ 30 milhões, com fornecedores e impostos.

Maior complexo hospitalar do interior da Bahia, os hospitais Calixto Midlej, Manoel Novaes e São Lucas, da Santa Casa, totalizam 446 leitos, dos quais 314 são ocupados por usuários do SUS. A Santa Casa responde por 62% do atendimento, mais de 50 mil pessoas por mês. São os únicos da região a oferecer, pelo SUS, hemoterapia, transplantes renais, quimioterapia, radioterapia, hemodinâmica, cirurgias oncológicas, cardíaca, bariátrica, UTI neonatal, obstetrícia de alta complexidade, banco de leite, ressonância magnética e outros procedimentos de alta e média complexidades.

O diretor administrativo-financeiro, André Wermann, afirma que os hospitais têm um déficit operacional de R$ 1,492 milhão, o equivalente a 42,85%. O Hospital Materno-infantil Manoel Novaes, com obstetrícia/ginecologia e pediatria com UTI neonatal, está contratado para fazer 268 partos por mês, mas realiza 440, com uma média de 35 recém-nascidos/dia e 250 internamentos/mês, produzindo um déficit mensal de R$ 744 mil. Já o Hospital Geral Calixto Midlej registra um déficit mensal de R$ 644 mil.

“Nós precisamos que o governo nos remunere uma vez e meia mais que o valor da tabela SUS para cobrir despesas e ter como reinvestir na estrutura dos hospitais”, diz o diretor. Segundo ele, há cinco meses venceu o contrato da Santa Casa com o Estado, e o governo – responsável pela média e alta complexidade – não sinaliza com nova negociação.

A situação mais grave, entretanto, seria a do Hospital de Base, que só atende pelo SUS. Deficitária desde a inauguração, em 1998, na unidade faltam desde seringas, soro e luvas até respiradores na UTI, o que dá uma taxa de mortalidade de pacientes graves de 14%; o normal seria de 4%, segundo o médico Cristiano Conrado Moreira, representante do corpo clínico.



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