do Globoesporte.com
Contratações equivocadas, falta de um treinador e carências no elenco são alguns dos fatores que fizeram o time perder o rumo na temporada.
Definitivamente, a luz vermelha acendeu para o São Paulo em 2010. A derrota por 3 a 0 para o Corinthians, neste domingo, no estádio do Pacaembu, deixou o time a dois pontos da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. E expôs as feridas de um clube que ainda não se encontrou na temporada. Dentro e fora das quatro linhas, há tempos o São Paulo não cometia tantos erros.

Em campo, houve falhas na montagem do elenco e a equipe tenta se reerguer sem um treinador. Fora dele, o Tricolor luta para equilibrar suas receitas sem um patrocinador e ainda vive em guerra política contra a Federação Paulista (FPF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ainda no terreno político, a diretoria não conseguiu colocar o estádio do Morumbi na Copa de 2014.
O momento pede uma reação imediata. Ainda no gramado do Pacaembu, o zagueiro Miranda, um dos jogadores mais experientes do elenco, com 218 partidas disputadas, sintetizou o momento tricolor. “Não estamos jogando nada. Precisamos reagir urgentemente”, analisou.
1) Erros nas contratações
O São Paulo foi um dos times que mais contratou para a temporada 2010. Foram 14 reforços no total, sendo que o 15° está para chegar a qualquer momento, o lateral-direito Ilsinho. Desses, quatro não fazem mais parte do elenco e outros dois só não tiveram o mesmo caminho por falta de acerto nos detalhes burocráticos. De todos os contratados, apenas quatro se firmaram na equipe titular. E o elenco segue como algumas carências, como a falta de um lateral-direito e a ausência de um meia que possa dar mais criatividade ao time.
| VEJA A SITUAÇÃO DOS REFORÇOS CONTRATADOS PELO TRICOLOR |
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|---|---|---|
| NOME | POSIÇÃO | SITUAÇÃO |
| Cicinho | Lateral-direito | Contratado como a solução da posição, chegou completamente fora de forma e não teve boas atuações. O clube não mostrou interesse em renovar o seu empréstimo junto ao Roma. |
| Thiago Carleto | Lateral-esquerdo | Veio do Valencia e assinou por três temporadas. Até agora sofreu muitas lesões e disputou apenas dois jogos. |
| Alex Silva | Zagueiro | Titular absoluto. Está machucado. |
| Xandão | Zagueiro | Reserva, sempre que entra, dá conta do recado. |
| André Luis | Zagueiro | Chegou em janeiro, não teve chances e foi negociado com o Fluminense. |
| Samuel | Zagueiro | Contratado para completar o elenco. |
| Rodrigo Souto | Volante | Caiu de rendimento em relação ao primeiro semestre, mas é titular absoluto do meio-campo. |
| Cléber Santana | Meia | Até agora não justificou sua contratação. Só não foi para o Fluminense porque o Atlético de Madri-ESP, que detém 50% dos seus direitos federativos, não aceitou as garantias do time carioca. |
| Carlinhos Paraíba | Meia | Outro que até agora pouco mostrou. Foi incluído na negociação com o Goiás que trouxe Fernandão para o Morumbi, mas foi devolvido após ser reprovado nos exames médicos. |
| Léo Lima | Meia | Contratado após se destacar com a camisa do Goiás no último Campeonato Brasileiro, não brilhou e acabou negociado com o Al-Nasr, dos Emirados Árabes. |
| Fernandão | Atacante | Como Rodrigo Souto, caiu muito de rendimento, mas é figura carimbada na equipe titular. |
| Ricardo Oliveira | Atacante | Titular absoluto. Chegou para sua segunda passagem pelo clube e, com gols, conquistou o torcedor. |
| Fernandinho | Atacante | Uma das revelações do último Campeonato Brasileiro, pelo então Grêmio Barueri (hoje Prudente), não repetiu as atuações de 2009 pelo novo clube. |
| Marcelinho Paraíba | Atacante | Voltou ao clube após se destacar pelo Coritiba no ano passado. Sem mostrar um bom futebol, já foi emprestado para o Sport. |
O diretor de futebol João Paulo de Jesus Lopes, no entanto, não concorda que o time errou nas contratações:
– O São Paulo, se não tiver o melhor, tem um dos melhores elencos do país. De todos os reforços, realmente o Cicinho e o Marcelinho Paraíba não renderam o esperado. O Léo Lima não teve espaço e conseguimos uma negociação em que tivemos rentabilidade. O Fernandinho eu não tenho dúvida de que foi uma excelente contratação. O mesmo falando do Alex Silva. O Xandão foi uma grata surpresa. Vocês gostam de apontar os erros, mas também precisam ressaltar os acertos – afirmou o cartola do time do Morumbi.
2 – “Renegados” deram certo em outros clubes

Com tantas contratações, jogadores revelados pelas categorias de base não tiveram espaço no time titular e foram negociados. E, em outros clubes, tiveram sucesso. São os casos dos atacantes Mazola, que é um dos destaques do Guarani, e Henrique, que está no Vitória-BA.
Dois atletas experientes que também deixaram o time do Morumbi voltaram a ter destaque no cenário nacional: Washington, que perdeu espaço com a chegada de Fernandão e já marcou três gols desde que foi recontratado pelo Fluminense, e Marcelinho Paraíba que, na sua estreia pelo Sport, fez um gol e deu duas assistências.
A diretoria, no entanto, não se arrepende de não ter continuado com os atletas.
– Eles foram emprestados a outras equipes e estão se aperfeiçoando. No momento, eles não teriam condições de serem aproveitados no São Paulo, mas o sucesso deles é exatamente o que esperávamos – afirmou Jesus Lopes.
3 – Falta de um treinador

Mesmo com o time caindo pelas tabelas no Campeonato Brasileiro, a diretoria segue sem pressa para contratar um treinador. Ricardo Gomes não teve o seu contrato renovado após a eliminação da equipe na Taça Libertadores da América e, como os alvos desejados (Paulo Autuori, Abel Braga e Vanderlei Luxemburgo) estão presos a altas multas rescisórias, os dirigentes resolveram apostar em Sérgio Baresi, na esperança de que ele tivesse o mesmo sucesso que Andrade teve no Flamengo em 2009. Isso, no entanto, até agora não aconteceu.
Até o clássico contra o Corinthians, Baresi seria o treinador até dezembro. Após a derrota por 3 a 0, voltou o discurso de que ele era interino.
– Estamos satisfeitos com o trabalho do Baresi até agora. Ele teve uma semana de muito empenho, muita dedicação, mas várias peças não renderam o esperado contra o Corinthians, então não pode ser debitado do técnico – disse João Paulo de Jesus Lopes.
4 – Falta de um patrocinador fixo freou investimentos no futebol

Após nove anos de parceria com a LG, o São Paulo começou 2010 prometendo conseguir o maior contrato de patrocínio do país. Não só não conseguiu, como não fechou com ninguém para 2010. A solução foi utilizar “patrocínios pontuais”, o que causou discussões entre os dirigentes do clube do Morumbi. Vale lembrar que, no início da temporada, quando o rival Corinthians apresentou seu novo uniforme com vários patrocinadores, dirigentes são-paulinos ironizaram a estratégia, chamando a camisa alvinegra de “macacão de F-1”.
Aqui, o vice-presidente de marketing, Júlio Casares, disse que o término do contrato com a LG no mês de março foi o grande vilão para que o time não conseguisse fechar nada fixo.
– Ficamos quase dez anos com a LG e o casamento chegou ao fim. Por contrato, uma cláusula nos obrigava a, após o término do vínculo, ficar por dois meses sem outro. Isso nos atrapalhou. Quando fomos ao mercado em abril, não havia mais espaço para negócios. Por isso, recorremos a acordos pontuais que nos deram uma certa tranquilidade. Para 2011, voltaremos a ter um acordo fixo e pelo que o São Paulo merece – garantiu o dirigente.
5 – Falta de critérios

Algumas ocorrências no clube em 2010 não têm explicação e explicitam a diferença de critério na hora de analisar o desempenho dos jogadores. Dagoberto, crucificado por alguns dirigentes após a eliminação da equipe na Taça Libertadores, nem foi relacionado para o clássico contra o Corinthians. Ele, que demonstrou sua insatisfação por ter ficado no banco contra o Cruzeiro e não ter sido aproveitado no empate por 2 a 2, foi afastado por questões técnicas, segundo o treinador Sergio Baresi.
Porém, outros atletas que também não foram bem nos duelos contra o Internacional e Cruzeiro, como Marlos e Cléber Santana, seguem na equipe. O zagueiro chileno Saavedra, contratado em 2009 e que nunca foi utilizado pela equipe, teve seu contratado renovado até o dia 31 de dezembro. Fora de campo, chamou a atenção a dispensa por telefone do fisiologista Turíbio Leite de Barros, que tinha 25 anos de serviços prestados ao clube.












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