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Visita de Dilma a Itacaré incentiva alerta sobre riscos de danos ambientais

A Tarde
Mansão de empresário amigo, onde Dilma descansa em Itacaré

Se Dilma Rousseff gostou do paraíso ecológico ao longo da estrada Ilhéus-Itacaré, sua escolha para o descanso pós eleitoral, e quiser voltar para curtir novas férias, precisa ficar atenta para o projeto de construção do Porto Sul na região.

Sonho do governo do Estado alimentado porfinanciamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cuja maternidade foi dada a Dilma por Lula, o novo porto de Ilhéus é considerado por moradores e empresários locais como uma intervenção de alto dano ambiental para o local que abriga Áreas de Proteção, extensa Mata Atlântica, lagoas com jacarés, lindas praias, desova de tartaruga e turismo intenso.

Os recursos naturais foram conferidos de perto pela presidente eleita, desde quarta-feira, quando chegou à mansão de alto luxo do empresário paulista João Paiva, localizada na Praia do Patizeiro, ao norte de Ilhéus e a 20 km de Itacaré. “Pronto, ela já conhece o lugar e espero que veja o absurdo que é instalar um porto aqui. Iria destruir toda essa harmonia ambiental”, comenta Mary Berbert de Castro, moradora local e militante da ONG ambientalista Ação Ilhéus. “Se Dilma gostou, deve querer voltar, por isso tem que impedir a construção do Porto Sul”, completa. Em Ilhéus, já existe o Porto de Malhadas, em baixa capacidade de recepcionar grandes navios.

A instalação do novo porto no local também enfrenta resistência de proprietários de terras na região, a exemplo da família Marinho, controladora da Globo, e do presidente da Natura, Guilherme Leal, que concorreu como vice da candidata derrotada à Presidência Marina Silva.

O próprio João Paiva, dono da casa onde Dilma está, tinha intensão de construir um resort no lugar da mansão, mas desistiu após resistência da comunidade, que o convenceu da importância natural da região.

Passeio – Há sinais de que Dilma gostou do passeio. Neste sábado, um dia após ser vista no mar antes de rápida caminhada e passeio de quadriciclo, ela tentou repetir o programa. Dois assessores chegaram a levar à praia uma caixa térmica e uma lona para montar uma tenda, por volta das 6h30. Após perceber a presença da imprensa, eles pediram privacidade e, logo após, retiraram o material da praia, evidenciando que a presença de repórteres e fotógrafos a inibiu. Até o fechamento desta matéria, ela não havia aparecido.

O Porto Sul está em fase de elaboração de projeto executivo, mas parte das obras da Ferrovia Oeste-Leste, responsável por alimentá-lo com cargas, já está licitada. Para o deputado federal governista da região, Geraldo Simões (PT), a importância da obra justifica os possíveis danos ambientais. “Tudo que se faz gera um impacto, mas a tecnologia está aí para diminuir isso”, defende Simões, que tem casa na redondeza.

Turismo comemora – Há dois anos, quando o presidente da França Nicolas Sarkozy esteve na Praia de Itacarezinho, a 17 km de Itacaré, para passar férias natalinas com a esposa Carla Bruni, os hotéis ficaram lotados durante o resto do verão. A esperança é a mesma agora, após a permanência da presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff.

“Isso é ótimo para a cidade, porque o brasileiro ainda tem essa mentalidade de acompanhar essas personalidades”, conta Diana Quadros, secretária de Turismo de Itacaré e guia internacional. “Queremos capa em todos os jornais do Brasil, quanto mais, melhor”, brinca a gestora. O raciocínio é que as reportagens acabam por gerar divulgação da cidade e atraem turistas. “Com o Sarkozy tivemos um Réveillon completamente lotado”, atesta.



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