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Uso do Twitter pelos políticos baianos foi meramente eleitoral

A Tarde
Reportagem jogou 'isca' para os principais políticos baianos no Twitter. Resultado foi uma decepção

No primeiro ano em que o uso da internet no período eleitoral foi liberado no Brasil, as redes socias foram as “meninas dos olhos” dos políticos baianos. Embalados pela quantidade de eleitores que poderiam ser conquistados na web, muitos criaram contas no Twitter e procuraram interagir com os internautas. Entretanto, passado o período eleitoral, muitos candidatos, eleitos ou não, abandonaram o microblog, e mesmo aqueles que se mantiveram ativos continuam sem dar conta da demanda dos internautas.

A reportagem repetiu teste feito no final da campanha do primeiro turno e, por meio do Twitter @deolhonaeleicao, enviou uma mesma pergunta para os políticos baianos “tuiteiros”: Luiz Bassuma (PV), Jaques Wagner (PT), Geddel Vieira Lima (PMDB), Marcos Mendes (PSOL), Paulo Souto (DEM), ACM Neto (DEM), César Borges (PR), José Carlos Aleluia (DEM), Lídice da Mata (PSB) e Walter Pinheiro (PT). A pergunta feita foi: a interação com os internautas continua após a eleição? Por quê?

Vinte e quatro horas depois, apenas Bassuma e Aleluia haviam respondido a pergunta. ACM Neto também respondeu, mas com outra conta no Twitter e apenas com uma saudação, sem responder diretamente o questionamento.

A reportagem não obteve resposta dos candidatos que continuam ativos na rede, como Geddel, Lídice e Pinheiro, que ainda usam o microblog para contar sua rotina de trabalho, emitir opiniões sobre a Assembleia Legislativa ou até mesmo contar da vida pessoal. Contudo, outros ex-candidatos, como Marcos Mendes, César Borges e Paulo Souto, não dão as caras no Twitter desde a votação do primeiro turno, no dia três de outubro.

Apenas três responderam

A assessoria de Marcos Mendes justificou que ele entrou em período de férias e voltou com trabalho acumulado, mas que deve voltar ao Twitter na próxima semana. A assessoria de Borges disse que o site do senador está sendo reformulado e que há a intenção de fazê-lo voltar ao Twitter. “Trabalhamos isso com ele, mas tuitar não é uma coisa tão orgânica para o senador”, afirmou o assessor Rogério Paiva.

O assessor de Paulo Souto, João Paulo, assumiu que o ex-candidato a governador deixou de utilizar o microblog, mas assegurou que ele voltará a utilizá-lo em breve. “Ele deve voltar como tuiteiro comum, não como candidato político”, especificou.

Já o governador Jaques Wagner, que chegou a usar o sistema de comunicação poucos dias após sua eleição e aproveitou o espaço para fazer campanha para Dilma Rousseff no segundo turno, deu a última tuitada no dia 11 de outubro. Segundo o assessor Ernesto Marques, o governador tem pouco tempo para as redes sociais. “Ele deve reativar a conta, mas depende de ele querer falar. Wagner é muito reservado em relação à sua vida privada e deve voltar no mesmo ritmo, de poucas postagens. No executivo, é mais difícil arrumar tempo para se dedicar às redes”, explicou.

Para o especialista em marketing digital e CEO da agência Mentes Digitais, André Telles, os políticos ainda confundem as redes sociais com as mídias tradicionais, como TV e rádio. “As redes sociais têm como objetivo o relacionamento interpessoal e a geração de conteúdo, então, os políticos têm que responder a qualquer pergunta que parta dos internautas. Não se pode deixá-las no vazio”, critica o especialista, acrescentando que houve falta de preparo na primeira campanha online brasileira.

“Como foi a primeira eleição com participação da internet, acredito que faltou planejamento estratégico e profissionais que soubessem utilizar corretamente essas mídias. Muitos políticos entraram no Twitter, porque o concorrente também entrou, mas usar o microblog não é como fazer um santinho, não é um canal de propaganda. Não se cria uma rede para depois abandoná-la”, sentencia.

Ingenuidade – André Telles também credita o “vacilo” dos políticos baianos nas redes sociais a uma ingenuidade. “Não foi oportunismo, só posso atribuir as falhas desta primeira campanha online a uma ingenuidade mesmo. Os políticos não têm noção da importância das redes sociais e também, por terem idade mais avançada, não têm traquejo com as ferramentas. Se eles tivessem consciência do quanto abandonar uma rede social lhes pesa negativamente, não tomariam esta atitude”, ressalta.

Apesar das críticas. Telles acredita que, em 2012, quando serão eleitos prefeitos e vereadores, o cenário pode mudar. “Pode mudar sim, porque muita coisa serviu de lição. Haverá maior preparo da próxima vez”, conclui.



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