Estadão
Nancy Pelosi e outros congressistas não estão de acordo com o fato de o plano anunciado neste domingo não envolver taxas para pessoas mais ricas; votação deve ocorrer às 19h.
A líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, recusou-se a dizer, nesta segunda-feira, 1º, se apoiará o projeto de lei de redução do déficit orçamentário fruto de um acordo firmado entre políticos governistas e da oposição no fim de semana.
Antes de ingressar numa reunião a portas fechadas com outros democratas, no entanto, Pelosi disse que o acordo traz pontos positivos, como um aumento no teto da dívida suficiente para as necessidades de financiamento dos próximos 18 meses, mas alertou que seus companheiros de partido estão “muito preocupados com um projeto de lei que faz grandes cortes nos gastos e não envolve sequer um centavo das pessoas mais ricas do nosso país – nenhuma receita. É desconcertante”. A maior parte dos democratas disse ainda estar indecisa ou ser contrária ao novo acordo. “Estou pendendo mais para o não”, disse o deputado Steve Cohen, ao sair da reunião com outros membros do seu partido.
Os democratas possuem a minoria dos assentos na Câmara dos Representantes, mas a oposição dos deputados do partido em relação ao acordo da dívida é relevante porque há deputados republicanos, principalmente da ala mais conservadora, que também são contrários ao plano. Questionado sobre quantos votos a favor os democratas poderiam conceder, o deputado Joseph Crowley disse: “a questão é quantos votos os republicanos podem garantir. Eles são a maioria na Câmara e é responsabilidade deles gerar votos para aprovar um projeto que eles criaram”.
Votação
Os deputados dos Estados Unidos podem votar o projeto sobre a elevação do limite de endividamento do país por volta das 18 horas (19 horas de Brasília) desta segunda-feira, 1º, segundo o republicano Lamar Smith, presidente do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes. “Se tudo der certo, nós vamos sair daqui às 18h”, disse Smith.
O deputado afirmou ainda que vai votar a favor do projeto anunciado ontem pelo presidente Barack Obama e acredita que a maior parte dos seus colegas de partido fará o mesmo. Segundo o presidente americano, o acordo define um corte de US$ 1 trilhão de dólares em dez anos. Além disso, cria um comitê bipartidário no Congresso para, em novembro, votar um novo projeto de redução do déficit das contas públicas.
O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, disse hoje estar confiante que a proposta para elevação do limite de endividamento do país será aprovada pelo Congresso. Após sair de uma reunião de mais de duas horas com os deputados democratas, Biden afirmou que o acordo anunciado ontem tem uma “característica irresistível, redentora: diz que essa questão do teto da dívida não virá à tona de novo até 2013”.
Reconhecendo que deputados democratas “expressaram toda sua frustração” sobre o projeto, o vice-presidente disse que foi ao Capitólio para explicar aos legisladores “porque isso é tão importante”. Mesmo assim, vários democratas saíram da reunião afirmando que não planejam votar a favor do plano. Segundo Biden, quanto antes o projeto for aprovado, mais cedo o governo poderá discutir a criação de empregos.












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