“Temos que fazer tudo para que o país volte a crescer”, diz Obama após livrar os EUA do “calote do século”
G1
Congresso aprovou plano bipartidário para evitar ‘calote’. Depois do dia 2, país poderia ficar sem dinheiro para honrar dívidas. “Todo mundo vai ter que colaborar. É o justo”, afirmou.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira (2) que a aprovação pelo Congresso do plano que permite que o país evite o calote é um importante primeiro passo para garantir que o país viva “dentro das suas possibilidades”, mas que será preciso mais para reconstruir a economia americana.
“Teremos que fazer tudo que estiver em nosso poder para fazer o país crescer e voltar ao trabalho”, afirmou ele, em pronunciamento no jardim da Casa Branca. De acordo com Obama, o plano aprovado pelo Congresso “garante que não cortemos (os gastos) muito abruptamente para não interromper o crescimento”.
Maioria dos americanos desaprova acordo da dívida, afirma cientista político:
Obama promulgou o acordo que eleva o teto da dívida americana logo depois de sua adoção no Congresso, permitindo assim evitar um default, informou a Casa Branca. “O presidente assinou o texto que se tornou uma lei”, declarou à imprensa o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.
Em seu pronunciamento, o presidente dos EUA insistiu, no entanto, que as discussões entre os dois partidos para garantir os cortes de gastos deverão sofrer “alguns ajustes” para garantir programas sociais, e insistiu que os mais ricos deverão “pagar sua parcela justa”. “Todo mundo vai ter que colaborar. É o justo. Nos próximos meses, continuarei a lutar pelas coisas que mais importam aos americanos, mais empregos, crescimento econômico mais acelerado”, afirmou.
Obama criticou a disputa política que cercou o processo de aprovação do plano para permitir a elevação do teto da dívida. “Já vimos nos últimos dias que Washington tem capacidade de focar quando há um desastre se aproximando. Não deveria ser preciso uma catástrofe (para que o Congresso agisse).
Aprovação do plano ‘anticalote’
No último dia do prazo para que os Estados Unidos elevem seu limite de endividamento, o Senado do país aprovou nesta terça-feira, por 74 votos a 26, o plano bipartidário formulado pelos líderes do Congresso. Na noite da segunda, o projeto já havia sido aprovado na Câmara dos Representantes por 269 votos a favor e 161 contra.
O processo para que republicanos e democratas conseguissem fechar um acordo foi “bagunçado e levou muito tempo”, nas palavras do próprio presidente Barack Obamax. Na noite do último domingo, Obama fez um pronunciamento para dizer que os líderes dos dois partidos haviam chegado a um acordo para elevar o limite da dívida dos Estados Unidos e evitar um default (termo técnico para “calote”).
A primeira parte do acordo vai cortar cerca de US$ 1 trilhão nos próximos dez anos, segundo explicou Obama durante pronunciamento feito no domingo. O presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, detalhou que a proposta prevê um corte de US$ 917 bilhões nos gastos domésticos ao longo de dez anos, além da formação de uma comissão para definir mais US$ 1,5 trilhão em redução de gastos até novembro.
Com a elevação do teto da dívida, o país pode pegar novos empréstimos e cumprir com pagamentos obrigatórios. Em maio, a dívida pública do país chegou a US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões), que é o valor máximo estabelecido por lei. Nos EUA, a responsabilidade de fixar o teto da dívida federal é do Congresso.
Economistas avaliam a aprovação do novo teto da dívida americana:
Votações
A votação ocorrida na segunda-feira na Câmara dos Representantes foi a terceira em menos de duas semanas na busca de um acordo para a redução do déficit orçamentário do país e elevação do limite de endividamento do governo federal.
Na última sexta-feira, a Câmara aprovou um plano republicano, formulado por John Boehner, sobre o assunto. A votação deveria ter ocorrido na quinta-feira, mas foi adiada pelo temor de que não haveria votos suficientes para aprovar as medidas. Poucas horas depois da aprovação na Câmara, o projeto foi rejeitado no Senado, de maioria democrata.
No dia 19, um primeiro plano republicano também havia sido aprovado na Câmara, mas foi rejeitado no Senado, onde não chegou nem a ir a votação.
Credibilidade
A luta contra o tempo do governo dos Estados Unidos visava preservar sua credibilidade de bom pagador. Sem um acordo até a meia-note desta terça (1h, horário de Brasília), o país poderia ficar sem dinheiro para pagar suas dívidas: ou seja, havia o risco de calote – que seria o primeiro da história americana.
Obama
Em pronunciamento feito no domingo, Obama agradeceu ao povo americano por “vozes, e-mails, twitts” que pressionaram os políticos. O presidente dos Estados Unidos destacou que, como resultado do acordo fechado, “os EUA terão o nível mais baixo de gastos domésticos anuais desde que Eisenhower foi presidente”, mas ressalvou que ainda assim, é “um nível de cortes que permite fazer investimentos na criação de empregos, educação e pesquisa”. “Também asseguramos que esses cortes não acontecessem de forma tão abrupta. A solução definitiva para o déficit precisa ser equilibrada”, acrescentou o presidente.
O líder americano afirmou ainda que apesar da opinião de “alguns republicanos”, será necessário “pedir aos americanos mais ricos e às maiores empresas para abrir mão de benefícios fiscais”.









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